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O valor do salário emocional

Sabemos que a justa retribuição financeira é o que desperta a atenção de um candidato e atrai talento para as empresas. Mas a pandemia e agora a guerra na Europa trazem novos elementos à equação na hora de decidir o rumo profissional a seguir. É aqui que entra o salário emocional.

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Os últimos dois anos provocaram uma grande reviravolta no mercado laboral. Questões como a saúde mental, a conciliação da vida profissional com a pessoal, a flexibilidade ou oportunidades de desenvolvimento pessoal ganharam peso junto dos profissionais. E aqui o salário emocional emerge como um extra que pode funcionar como uma verdadeira arma de retenção de talento.

 

É evidente que sem retribuição financeira atrativa nenhuma oferta de emprego é interessante e não há dúvidas que é o fator de atração de talento. No entanto, e perante um contexto de escassez de pessoas para trabalhar, o dinheiro não é tudo, em particular para os millennial: esta geração deixa funções de topo e abraça com facilidade novos desafios financeiramente menos relevantes se tiver uma oferta de salário emocional mais cativante.

 

O salário emocional é uma retribuição não financeira que a empresa dá ao funcionário para o incentivar, potenciar a sua produtividade e melhorar o ambiente de trabalho. Permite também aos profissionais satisfazer as suas necessidades pessoais ou profissionais.

 

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Um bom ambiente de trabalho, a possibilidade de melhorar a carreira ou a facilidade de conciliar a vida profissional e familiar tende a fixar a pessoa na organização, e a oferecer todo o seu potencial no local de trabalho. Se a perceção do trabalho for negativa, o fator financeiro nunca compensará o profissional e a fatura a pagar pelas empresas é o turnover, com os custos inerentes.

 

Como manter o talento e fazer com que as suas pessoas se sintam à vontade para fazer o seu trabalho é essencial para que qualquer negócio seja sustentável, a Adecco Training dá nove dicas de remuneração emocional.

 

Horário de trabalho flexível

O dia de trabalho de 8 horas deve ser respeitado. No entanto, a hora de chegada e saída do trabalho pode ser flexível e nem sempre tem de ter lugar no escritório. Neste momento, todos os empregadores devem estar conscientes de que cumprir um calendário rigoroso não é sinónimo de produtividade.

 

Teletrabalho

As novas gerações de profissionais estão a optar por empregos que incentivam o teletrabalho ou o trabalho a partir de casa. As novas tecnologias e a especialização das pessoas permitem o teletrabalho para aumentar a produtividade e melhorar o equilíbrio trabalho-vida pessoal. As empresas que encaram este contexto como a sua nova realidade adaptaram-se e criaram novas rotinas de gestão e acompanhamento das equipas por forma a promover a ligação e o engagement com a marca. As que ainda resistem vão encontrar muitas dificuldades no recrutamento e na retenção de talentos.

 

Desenvolvimento profissional e pessoal

Incentivar o desenvolvimento dos funcionários, tanto a nível profissional como pessoal, irá potenciar a lealdade, ou seja: a retenção das suas pessoas. Se a empresa atrai talento, vai querer desejar que a pessoa continue a desenvolver o seu projeto profissional e a melhorar os seus contributos. Os profissionais ganham não só novas competências e serão, também, mais produtivos.

 

Possibilidade de crescer na empresa

Juntar-se a uma equipa na qual se sabe à partida que, com o tempo e a aquisição de melhores competências, optará por um trabalho melhor, fará com que um profissional se sinta muito mais motivado. Além disso, saberá que os seus esforços serão recompensados, sentir-se-á mais estável e com vontade de melhorar dia após dia.

 

Ambiente de trabalho sem toxicidade

Ninguém gosta de trabalhar num ambiente hostil. Um ambiente de trabalho sem conflitos, onde poderá partilhar opiniões e sugestões, onde o feedback positivo é a norma, potencia a lealdade de um profissional à empresa. O trabalho de equipa deve ser encorajado e deve ser desenvolvida uma cultura de empresa em que cada funcionário conheça o seu valor.

 

Conciliar vida profissional e familiar

Neste aspeto, as empresas têm muitas opções para promover um bom equilíbrio trabalho-vida. Horário de trabalho flexível, dias de folga para tratar de assuntos pessoais, acolhimento de crianças dentro da empresa, possibilidade de ir trabalhar acompanhado pelo seu animal de estimação… Ao candidatar-se a um novo emprego, o salário emocional que vem com o emprego será um adicional com muito peso para reter a pessoa. A qualidade de vida que uma pessoa pode vivenciar numa organização pode ter precedência na aceitação de uma oferta depois da atração com o salário financeiro.

 

Fazer parte das decisões empresariais

Qualquer empregador que tenha em conta a opinião das suas pessoas fá-los-á sentir-se parte dela, conscientes de que são fundamentais para o desenvolvimento da empresa. Caso contrário, o mais provável é o profissional sentir-se desvalorizado e com necessidade de procurar outro emprego onde o talento seja mais valorizado.

 

Ofertas para ‘desligar’ do trabalho

Uma empresa que possa dispor de lounges, salas de jogos ou um ginásio é deveras atrativa. A possibilidade de desligar durante alguns minutos durante o dia de trabalho beneficia a melhoria do desempenho das suas pessoas.

 

Garantir o bem-estar e saúde mental das pessoas

A organização deve compreender a carga de trabalho exigida aos seus colaboradores e se é viável a sua execução. Deve ainda refletir sobre a clareza na comunicação entre as pessoas e o quanto os colaboradores realmente entendem o que é esperado de si. É essencial perceber se há um alinhamento real entre a teoria e a prática dos valores da empresa no terreno. Em relação a aspetos culturais mais profundos, é importante diagnosticar o nível de segurança psicológica entre as equipas e instrumentalizar os líderes para que possam promover ambientes mais seguros e saudáveis, além de estimular uma identidade partilhada no grupo.

 

 

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