Home»BEM-ESTAR»SAÚDE»O sono nas mulheres: «Uma questão séria de saúde pública»

O sono nas mulheres: «Uma questão séria de saúde pública»

O sono e os fatores que o influenciam na vida das mulheres é um tema relativamente recente a que só agora se começou a dar importância. De tal forma que foi o tema principal do primeiro Lisbon Sleep Summit, organizado recentemente pelas investigadoras Teresa Paiva e Helena Rebelo Pinto. Saiba o que dizem as especialistas sobre as particularidades existem no sono das mulheres.

Pinterest Google+

A mulher tem atualmente inúmeros papéis cujo desempenho é simultâneo: «É trabalhadora, mãe, tem tarefas domésticas e é ainda esposa e mulher. É impossível ser perfeita em tudo», começa por explicar Teresa Paiva, neurologista, responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC) e também uma das organizadoras da primeira edição do Lisbon Sleep Summit, que decorreu entre os dias 16 e 19 de maio, para se debater o sono na mulher. Todas estas exigências podem e perturbam, segundo a especialista, a qualidade do seu sono, pois acarretam preocupações excessivas e um constante stress.

 

Helena Rebelo Pinto, do Centro de Investigação para o Bem-Estar Psicológico, Familiar e Social da Faculdade de Ciências Humanas, da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa e também organizadora, explica a importância do estudo e do debate sobre a qualidade do sono, ou privação dele, no género feminino.

 

VEJA TAMBÉM: PREPARE-SE PARA DORMIR BEM: DICAS DE UMA MÉDICA

 

«A investigação sobre a especificidade do sono da mulher é bastante recente, pelo que a realização de uma conferência como esta, que reúne especialistas de diversas áreas do conhecimento e de diversos continentes, se reveste de forte interesse científico e, ao mesmo tempo, da maior relevância social. Os temas abordados e as pesquisas apresentadas e debatidas constituem um valioso contributo para o progresso do conhecimento neste domínio», explica Helena Rebelo Pinto.

 

«Para além dos aspetos biológicos e hormonais, dos ritmos e ciclos próprios da vida da mulher, com a sua complexidade e especificidade, há inúmeros outros fatores da natureza social e cultural que afetam o sono. Tais fatores estão associados, em primeiro lugar, ao estilo de vida da mulher e aos seus hábitos de sono, mas não só», esclarece Helena Rebelo Pinto. Também a desvalorização do tempo de descanso, o excesso de trabalho com horários indefinidos e demasiado extensos, a necessidade de ser multifacetada e polivalente, executando diferentes tarefas em simultâneo são alguns dos fatores culturais que pressionam a mulher no seu dia-a-dia. Relativamente à parte social as condições socioeconómicas e a exigência do mercado de trabalho assumem um papel muito importante naquilo que são as «expectativas pessoais e sociais relativamente ao modelos ‘super-mulher’».

 

VEJA TAMBÉM: PARA DORMIR BEM É PRECISO DESLIGAR O SMARTPHONE 30 MINUTOS ANTES

 

Convém não descurar um elemento, talvez o mais exigente, que influencia o sono na mulher, a maternidade. Teresa Paiva acredita que as mães são, hoje em dia, sobrecarregadas «de culpas e obrigações: têm de dar de mamar até tarde, mesmo quando já estão a trabalhar e estão muito cansadas; têm de levar os filhos a várias atividades; e sentem que têm de lhes dar aquilo que não tiveram». No entanto, «muitas vezes a própria mulher não se dá conta desta situação, tal como acontece com aqueles com quem interage – a família, amigos, colegas e superiores do trabalho».

 

A neurologista Teresa Paiva explica que todos estes desafios influenciam a qualidade do sono e até mesmo a capacidade de dormir. «A mulher enquanto pessoa e senhora do seu sentir e dos seus sentimentos fica muitas vezes esquecida, e assim surge a baixa autoestima, a tristeza, a depressão, a ansiedade e a impossibilidade de dormir”.

Artigo anterior

Neofobia: a rejeição de novos sabores

Próximo artigo

Plutão: o transformador da vida