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O sexo e a domesticidade

Como a partilha das tarefas domésticas influencia a relação debaixo dos lençóis? A ciência já se debruçou sobre isso. E chegou a conclusões sobre as quais convém refletir, a bem da relação a dois.

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O estudo “Egalitarianism, housework, and sexual frequency in marriage” de Kornrich refere que a partilha de tarefas domésticas em casais heterossexuais estava associada a menor frequência de atividade sexual. Ou seja, os homens que realizavam mais tarefas domésticas nucleares (ex. cozinhar, limpar, etc.) relatavam menor frequência sexual, e da mesma forma os homens que participavam mais em tarefas domésticas não nucleares (ex. jardinagem, bricolage, etc.) relatavam maior frequência sexual. Sugerindo a importância dos papéis de género tipificados (tradicionais) na relação sexual.

 

Ao contrário deste, um estudo alemão publicado o ano passado, “Skip the dishes? Not so fast! Sex and housework revisited”, analisou, durante 5 anos, as contribuições do companheiro nas tarefas de casa e a sua relação com a satisfação e frequência sexual. Os resultados demonstram que para homens e mulheres a partilha do trabalho de casa não estava associada com a satisfação e a frequência sexual futura, mas sim o quanto os homens partilham de forma justa as tarefas de casa.

 

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Trabalho não pago

Por falar em justiça, vale a pena ler a publicação “Os Usos do Tempo de Homens e de Mulheres em Portugal”, resultado do Projeto INUT promovido pelo Centro de Estudos para a Intervenção Social em parceria com a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, que teve como objetivo recolher dados sobre os usos do tempo por parte de homens e mulheres no que diz respeito ao trabalho pago e ao trabalho não pago.

 

Dentro do trabalho não pago incluem-se atividades desenvolvidas sem compensação monetária, como as tarefas domésticas (cozinhar, tratar da roupa, limpezas, compras, etc.) e o trabalho de cuidado (cuidar e acompanhar nas suas atividades os filhos, netos, familiares, etc.).

 

Os dados deste inquérito revelam que, no total, as mulheres gastam, em média, 4 horas e 23 minutos no trabalho não pago, enquanto que os homens gastam 2 horas e 38 minutos.

 

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Em todos os grupos etários analisados (de sujeitos com idades entre os 15 e os 64 anos) é em média entre os 25 e os 44 anos que mais tempo é consumido em trabalho não pago, num dia de semana, quer por homens, quer por mulheres. Mas em todos os grupos etários são as mulheres que mais tempo despendem no trabalho não pago, acentuando-se esta diferença no grupo dos 45 aos 64 anos, trabalhando as mulheres 2 horas e 56 min a mais.

 

Mesmo com a disparidade do tempo gasto entre os géneros, 71% das mulheres referem que as tarefas domésticas que realizam correspondem ao que é justo. De forma similar, 75,6% dos homens também consideram justas as atividades que desenvolvem. No entanto, 21,6% das mulheres consideram fazer mais do que é justo, enquanto apenas 4,8% dos homens o considera. Este sentimento de injustiça é mais evidente no grupo etário das mulheres entre os 25 e os 44 anos.

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