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O que fazer com as emoções?

Existem más e boas emoções? Quando aprendeu a identificar e saber gerir os seus sentimentos, de forma saudável e eficaz? Se quer perceber melhor o que sente, como lida com isso e saber como fazer diferente, venha daí!

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Sabia que Tiffany Smith mapeou 154 sentimentos e emoções em todo o mundo? Desde Alegria a Vulnerabilidade, passando por Esperança e Raiva, entre tantas outras. Adivinhe… Sentir “bem” ou “mal” estão fora da lista. Porquê? Porque não existem como emoção ou sentimento.

 

Entre as emoções básicas universais identificadas por Paul Ekman, e a sua equipa, na minha experiência, a Raiva tem normalmente a reação mais adversa por parte de quem “lida” com ela.

 

Há uns anos, uma participante sénior num workshop que facilitei comentou o que eu tinha acabado de partilhar mais ou menos com estas palavras:

“Realmente… em todos estes anos que já levo, nunca tinha pensado que também a Raiva tem uma intenção positiva. E que se, realmente, fosse inútil, se não servisse para coisa nenhuma a Evolução humana ao longo destes milhares de anos já teria feito a Raiva desaparecer”.

 

Parafraseando a psicóloga e investigadora Susan David, as emoções são informação que o corpo produz para comunicar connosco. O corpo está permanentemente a comunicar. Para isso, “usa” emoções e sensações. Se for essa a intenção maior de uma emoção (passar a mensagem), a questão parece ser se estamos atentos e a conseguir perceber e responder à mensagem.

 

VEJA TAMBÉM: COMO TER UM DIÁLOGO INTERIOR SAUDÁVEL

 

É altura de abandonarmos o entendimento desatualizado de “boas e más” emoções. Existem emoções mais agradáveis ou mais desagradáveis. Com algumas já sabemos lidar, somos mais competentes a gerir, estamos mais à vontade, já sabemos qual é a mensagem que nos estão a entregar.

 

Com outras ainda estamos a aprender a lidar, ainda não somos competentes a (di)gerir, ainda não estamos à vontade, ou ainda não “decifrámos” a mensagem. Isto independentemente se gostamos delas, do que pensamos e nos ensinaram sobre elas, do que queremos fazer e do que gostaríamos que acontecesse.

Do que se conhece, qual destes 4 padrões reflete mais a forma como lida com emoções?

Luta: procura resistir, afastar, contrariar.

Fuga: afasta-se, muda de contexto físico, de pensamento ou de assunto para falar.

Congelar: fica inerte, sem ação, dormente.

Esconder: procura desaparecer, camuflar-se, tornar-se invisível.

 

Já identificou o seu? Lembre-se que nenhum padrão é melhor ou pior. Apenas é adequado ou desadequado à situação, à sua intenção e se o impacto é saudável ou não. Se quiser, partilhe comigo qual o seu padrão e dou-lhe uma sugestão ou uma pergunta útil para aplicar.

O que fazer com as emoções? Nada. E mais do que, talvez, pode imaginar.

As emoções difíceis não devem ser exorcizadas como se fossem algum demónio. As emoções agradáveis não são uma constante alcançável. Pois as emoções mudam. Vêm e vão conforme o nosso corpo perceciona e interpreta, consciente ou inconscientemente, os estímulos que recebe. Quer do contexto exterior em que nos movemos, quer da informação já presente no nosso corpo devido às nossas experiências passadas.

 

O que fazer? Sugiro isto:

  1. Largue conceitos, abordagens e entendimentos desatualizados como, p.ex., os de existirem “boas e más emoções”, de “pensa noutra coisa”, de “ou estou feliz ou estou miserável”, de “lutar contra emoções”, ou de “ignorar emoções”.
  2. Encare as emoções com curiosidade. Em vez de julgamento, resistência, ou outro padrão tóxico e ineficaz. Em vez de já ter certezas, descubra o que há de novo com a emoção que surge.
  3. Identifique e nomeie a emoção. Perceba onde ela se manifesta mais no seu corpo (ombro, pescoço, testa, peito, pulso, região lombar, perna, …).
  4. Pratique aceitação (diferente de resignação impotente) sobre o que sente, como reagiu, como conseguiu fazer em cada momento. Depois de aceitar que já está a sentir-se de determinada forma, pode investigar o que pode estar por trás da emoção e como esta se fez presente.
  5. Se necessário, procure apoio. Existem profissionais competentes e congruentes (fazem o que apregoam), com conhecimentos, certificações, percursos e experiências muito válidos. Investigue e escolha um com que se identifica, que sente que @ escuta e respeita, ao mesmo tempo que desafia os seus padrões de pensamento e comportamento.
  6. Faça boas perguntas a si mesm@ sobre a forma como se sente. Daquelas que produzem boas respostas e acionáveis. Sobre as quais pode fazer algo em relação à forma como se sente. A começar por estar com as emoções desagradáveis – sem fazer nada contra, para as anular, eliminar ou esconder. Se não souber como, aprenda a fazê-lo.

 

Tenha a coragem de assumir que é human@ e que vão existir momentos em que pouco, ou nada, vai conseguir fazer daquilo que estou a propor.

 

E… respire. Certos padrões de respiração fazem a diferença. Se ainda não sabe, descubra e aprenda como respirar para lidar com determinadas emoções. Se necessário peça apoio. Eu e outros profissionais estamos cá para si.

 

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