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O que é preciso para pedires ajuda?

Aprendi a obrigação de ter de ser eu a resolver. Como se pedir ajuda me tornasse fraco, insuficiente. Sabes como é? E o peso e desgaste que vem de acumular tarefas, expectativas e obrigações? Como pedir ajuda então?

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No meu trabalho como facilitador e coach, com equipas, líderes, homens e mulheres, observo comportamentos pouco saudáveis e ineficazes. Alguns destes são tentarem resolver tudo sozinh@s. Outros é por assumirem o que é de outros solucionarem. Acumulando tarefas, responsabilidades, obrigações, dispersando a sua energia e diluindo a eficácia das suas competências. Quando são mães, mais ainda. Porque continuamos desalinhados, desorganizados, no que realmente importa, acredito.

 

Mães que carregam o fardo mental e emocional de saberem como está a despensa em casa, o que falta e é necessário comprar, se é preciso limpar o quê na casa, tratar da roupa, onde estão as coisas arrumadas, o horário das crianças, o estado emocional com que a criança está naquela semana ou dia, …. Além das tarefas no que outros chamam de trabalho! Afff! E este tema vai ser matéria para outro texto porque só por si merece.

 

No meu primeiro Caminho de Santiago, em cerca de 10 minutos, passei de um lugar mental de evitar pedir ajuda para aceitar de imediato uma ajuda que me ofereceram! Era o segundo dia e os pensamentos de desistir pairava há horas sobre mim. Depois de uma longa caminhada, de imprevistos, de ser confrontado com o peso que carregava, de ver o sol de verão a pôr-se sem que eu tivesse saboreado o dia, nem chegado ao meu destino naquele dia…

 

Ao passar por umas vivendas nos subúrbios de uma pequena cidade, neguei-me pedir ajuda com a desculpa de querer evitar perturbar a rotina de final de dia das famílias que ali viviam. (Sim, estou consciente dos pressupostos envolvidos neste mecanismo interior, nesta desculpa.) Passados uns minutos, perguntei direções a trabalhadores do camião que ia começar a limpeza urbana, já com a intenção de pedir ajuda. Mas desisti de a pedir. Pensei que o destino estaria mais perto e eles poderiam ter outra rota, seguir noutra direção.

 

Passados mais uns minutos, já na pequena cidade, um carro estaciona. Perguntei direções ao condutor que ia para o seu apartamento. Inconscientemente, ele deve ter lido o meu estado interior na minha cara, quando ouvi a resposta sobre a distância até ao meu destino naquele dia. De imediato me perguntou se queria que ele me levasse lá. E… sabendo eu como era importante para mim fazer TODO o Caminho a pé, meio segundo antes de lhe responder “Sim” já o meu corpo dava o primeiro passo e avançava na direção do carro dele! 😀

 

Num programa da GreenLight Transformation Walk, uma participante queria gelo para pôr na perna mas estávamos no meio do campo. Minutos antes não quis ir a um café a 50 metros ver se tinham gelo. Adiante sentámo-nos para descansar à sombra de uma casa de agricultores. Enquanto conversávamos, chegou o correio daquela terra. Dois minutos depois, uma senhora com os seus 60 e tal anos, simpática, bem disposta, prestável, saiu da casa e veio saber de nós. Ofereceu ajuda e, literalmente, disse à participante “o que queiras” (que a ajudasse naquele momento). E esta disse “Nada. Obrigado. Nós já saímos daqui”. Perguntei-lhe qual foi a intenção de recusar a ajuda que a senhora ofereceu. Naquele momento disse “não sei”. Mais tarde, soube.

 

Num telefonema recente, um potencial cliente disse-me que já não iria mudar com a idade que tem. Não iria meditar ou fazer outras ações que outras pessoas lhe tinham dito para ele fazer. Disse-me que sabia o que funcionava com ele. Mas como não podia fazer isso na conjuntura momentânea, disse que teria de ter paciência que esta passasse para poder fazer o que (ele conhece que) para ele funciona. Pediu ajuda mas, aparentemente, não estava a aceitar ajuda. Ainda bem que ele tem consciência sobre ele. Pena que ainda não quer descobrir outras escolhas que o ajudam.

 

Quando eu percebi (aceitei?) que o meu valor e capacidade se mantêm quando peço e aceito ajuda, muito mudou. Afinal, eu não sei nem posso saber e ser capaz de fazer TUDO sozinho. Quando estou alinhado, centrado, ligado à intenção maior que tenho no momento, peço e aceito ajuda a partir de outro lugar interior. Mais possibilitador, mais eficaz, mais saudável.

 

Convido-te. Pede ajuda. Aceita ajuda. Se é importante, útil, adequado. Se está alinhado com a intenção maior que tens neste momento para a tua vida. Se te faz sentido agora. E se ainda não sabes como ou não estás num estado interior para pedir ajuda noutras coisas, pede ajuda para aprenderes e desbloqueares o que for necessário para estares bem a pedir e aceitar ajuda. Sem desculpas, justificações ou remorsos. Porque tu mereces.

 

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