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O que é a agricultura biológica? Faz sentido?

A agricultura biológica é um sistema de produção de alimentos, que combina as melhores práticas ambientais à produção de alimentos de elevado valor biológico.

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Os princípios essenciais do modo de produção biológico são a preservação dos recursos naturais, a gestão da fertilidade dos solos, a escolha das espécies e variedades (espécies não OGM (Organismos Geneticamente Modificados), a rotação plurianual das culturas, a reciclagem das matérias orgânicas e as técnicas de cultivo. Os fertilizantes, os corretivos do solo e os produtos fitofarmacêuticos só são utilizados em caso de doença/praga comprovada e estão definidos os permitidos no Guia de Produtos Fitofarmacêuticos em Modo de Produção Biológico emitido pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.

 

O modo de produção biológico é regido por normas exigentes que têm de ser respeitadas pelos produtores e que são verificadas por entidades certificadoras independentes, onde os seus técnicos visitam as explorações com regularidade e emitem certificados de conformidade quando a produção respeita as normas definidas.

 

São diversos os tipos de agricultura que se praticam atualmente, contudo o modo de produção biológico é o único com regras bem definidas e verificações regulares por entidades externas certificadas, o que garante ao consumidor que está a consumir alimentos onde não foram utilizados produtos químicos de síntese e que a sua produção respeita o ambiente.

 

A forma do consumidor poder garantir que o produto que está a utilizar é 100% biológico será através do símbolo estandardizado (na imagem) ou do certificado emitido pelo Organismo de Certificação autorizado no país.

 

Existem diversos estudos científicos que demonstram as diferenças entre os alimentos produzidos de modo convencional e os alimentos produzidos em modo biológico, nomeadamente um estudo financiado pela União Europeia, e publicado em 2009, concluiu que os teores de componentes nutricionalmente desejáveis (por exemplo antioxidantes, vitaminas, glucosinatos) são superiores nos produtos de agricultura biológica e os teores de componentes nutricionalmente indesejáveis são mais baixos nestes produtos. Outros estudos concluíram também que os alimentos biológicos apresentam teores de nutrientes secundários, vitamina C e matéria seca que são, em média, superiores aos convencionais.

 

Na agricultura convencional, existem limites máximos de resíduos impostos por lei, o que embora possa salvaguardar o consumidor de intoxicações agudas, não o salvaguardam de efeitos adversos causados por pesticidas que atuam em concentrações mínimas e que potenciam a sua ação quando combinados entre si.

 

O facto de os alimentos biológicos serem produzidos sem a aplicação de pesticidas e fertilizantes de síntese excluem à partida níveis de contaminação com pesticidas e nitratos potencialmente prejudiciais à saúde.

 

É indiscutível que a saúde humana está ligada à saúde do planeta, sem dúvida que a agricultura biológica é uma aposta sustentável e de futuro. O relatório do IAASTD – International Assessment of Agricultural Sustainability for Trade and Development – reunindo 400 cientistas internacionais e endossado por mais de 60 países também assim o indica.

 

A agricultura biológica é, cada vez mais, uma realidade. Pelo bem de um planeta melhor e por uma vida mais saudável, faz todo o sentido o consumo de alimentos biológicos.

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