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O preconceito das massas

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As novelas são um dos maiores veículos de comunicação pública. Através delas, transmitem-se mensagens, ajuda-se a moldar mentalidades e a mostrar outras realidades que não a nossa.

 

Desde a sua criação que fizeram sucesso junto das massas, por estas se reverem nas histórias, ou sonharem com essas histórias.

 

Todos conhecemos personagens históricos, que caíram na graça do público e que até hoje se mantêm na memória coletiva. Mas o mesmo público que faz viver uma personagem é o mesmo que rejeita outras. E aqui se nota o conservadorismo da sociedade.

 

Em Portugal, por exemplo, não se veem cenas demasiado ousadas, polémicas, cruas. Porque? Não sei, talvez o público assim o queira, talvez a indústria da ficção nacional não queira ir além do aceitável.

 

No Brasil, ousou-se mostrar uma relação homossexual entre duas mulheres de idade avançada. Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg são Teresa e Estela, duas personagens gay, na novela ‘Babilónia’, atualmente em exibição na SIC. E aqui o público mostrou o seu conservadorismo. A cena de beijos entre as personagens fez gerar uma onda de repúdio e raiva na Brasil. Como se quisessem esconder o que é real. Um autêntico enfiar de cabeça na areia.

 

Numa entrevista ao jornal espanhol ‘El Pais’, Fernanda Montenegro confessou ter ficado surpreendida com a raiva e a radicalização que a trama despertou, apelidando o período de «caça às bruxas». Relembrando o período conturbado (durante a emissão da novela), Fernanda Montenegro exprimiu que «não são só os homossexuais que estão dentro do armário, está o país inteiro».

 

Em pleno século XXI, surpreende-me sempre ver este tipo de preconceitos em sociedades ditas modernas e democráticas. Isto nem deveria ser assunto. Preconceito racial, de género, de preferências sexuais, de peso, religioso, etc.. não deveria ter existência nesta altura da vivência humana. É deveras perturbador e angustiante que se verifique a condenação de pessoas pela sua característica pessoal, seja a que nível for. Por vezes, parece-me que estamos a viver um retrocesso civilizacional. Espero que não.

 

 

 

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