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O mundo a duas velocidades

Não falo de uns países serem mais desenvolvidos do que outros. Falo da dialética constante entre o querermos avançar para a inovação e o querermos cristalizar os momentos saudosos que nos fazem sentir bem. Complicado?

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Vem isto a propósito de mais um projeto que reúne inovação e tradição lançado esta semana. O histórico mercado de Vila Nova de Gaia voltou a abrir portas com um conceito onde convivem a gastronomia moderna e a tradicional venda de frescos. As típicas vendedoras de banca vão ser colegas umas das outras e também de projetos gastronómicos de vanguarda. Lá está, a tradição e a inovação de mãos dadas.

 

E sabemos que a fórmula resulta, pois já a vimos ser aplicada no conhecido e bem sucedido Mercado da Ribeira, em Lisboa. Em Vila Nova de Gaia vai acontecer o mesmo, sem dúvida. Locais e turistas vão experienciar o cultural com o gastronómico. E adoramos. E eles, os turistas, adoram.

 

Mas este saudosismo pode ver-se em muitas circunstâncias. Outro exemplo também desta semana: a Feira Setecentista do Palácio de Queluz recria o glamour da vida palaciana do século XVIII. Adoramos ver como viviam os nossos antepassados. Decerto, muitas selfies serão tiradas com os smartphones de última geração. Já agora, basta irem à nossa área de Sugestões para verem outro exemplo. Querem saber como viviam os vikings? Melhor, querem comer o que comiam os vikings? O Museu da Marinha trata dissto ao proporcionar essa experiência gratuitamente durante três dias a quem passar por Belém, em Lisboa.

 

E por aí fora. Gostamos disto. Especialmente da parte de afagar o saudosismo pelo estômago, comendo o que se comia, bebebdo o que se bebia, revivendo momentos passados ou recriando arquétipos de outros tempos.

 

É assim. Ansiamos pela feira da gastronomia, pela feira dos queijos, pelo festival do choco  e por aí fora. E ainda bem. Porque o que faz um povo rico é a homenagem ao seu passado e estar de braços abertos para o futuro.

 

Nós, por aqui, apesar de todos os cuidados que promovemos sobre alimentação saudável, adoramos um bom queijo da serra num pão cozido a lenha. De vez em quando. Porque isso é felicidade e, com conta, peso e medida, só nos faz bem.

 

Boas feiras e mercados.

 

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