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O fenómeno Black Friday

Provavelmente já entrou numa loja e acabou a comprar mais coisas do que realmente precisava. Não se sinta mal, já aconteceu à maioria de nós… Mas, cuidado, avizinha-se um dia fatídico, é já amanhã, a Black Friday, o dia dos descontos e ofertas.

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Há semanas que ouvimos falar nela, na última sexta feira de novembro. Temos as caixas de e-mail entupidas com anúncios a promoções únicas e exclusivas, tudo para dar a este dia uma importância exacerbada, transformá-la num acontecimento verdadeiramente especial. E se é um evento especial, onde todos compram, ninguém vai querer perdê-lo.

 

Com uma finalidade única, aumentar e promover o consumo, são várias as reações perante este dia; se alguns contam os dias para adquirir a vasta lista de produtos que acham que precisam, alguns só compram realmente produtos de que necessitam, outros não lhe dão qualquer importância. Certo é que de forma direta ou indireta ninguém lhe fica indiferente, não é possível, a publicidade não o permite.

 

Ao longo do ano, a publicidade cria-nos necessidades, para que neste dia a única mensagem subjacente seja: “Se quer algo, agora é o momento”.

 

Mas será mesmo?

Basicamente toda a publicidade inerente a este dia cria a perceção de que esta é uma oportunidade única e que já não volta mais, despertando na nossa mente os conceitos de urgência e necessidade.  Urgência em comprar produtos que precisamos ou não, mas dado o tempo limitado do desconto, seria impensável deixar escapar a oportunidade.  Urgente, porque com a proximidade com o Natal seria “completamente louco” não aproveitar a oportunidade de comprar algo em promoção neste momento, para o comprar mais caro nas semanas seguintes.

 

Paralelamente, vivemos tempos complexos, a realidade como a conhecíamos mudou e as marcas sabem disso. Instalou-se a incerteza, o receio, precisamos de emoções positivas. A publicidade dá-nos isso. Toda a estratégia do marketing e publicidade está agora voltada para vender um produto em troca de felicidade. As nossas emoções ditam muitas das nossas compras, e a publicidade a esta sexta feira é claramente dirigida não às necessidades reais, mas às necessidades que passamos a achar que temos. Durante o período prévio à grande sexta-feira, a publicidade leva-nos a fantasiar sobre como seria a nossa vida com aquele produto, imaginando todas as emoções positivas que sentiríamos, criando alguma dependência dessa sensação ilusória de felicidade. O passo seguinte é inevitável, afinal ninguém quer perder essa sensação, especialmente nesta altura, certo?

 

O nosso pensamento crítico “adormece” na hora de avaliar o preço e o desfecho é simples, a compra. A ilusão da diferença entre o preço inicial e final reforça a urgência de comprar um produto do qual não precisamos. A identidade individual perde-se em detrimento da identidade coletiva. Vemos os outros a comprar, o gatilho mental da escassez ativa-se e tornamo-nos mais propensos a comprar coisas que não compraríamos se estivéssemos isoladamente.

 

Mas todos nos julgamos imunes às estratégias de marketing e publicidade, achamos que compramos de forma racional, quando na maioria das vezes compramos por impulso…

 

Amanhã, não persiga promoções, não siga multidões, persiga objetivos, siga rumo à concretização de sonhos. Tenha em mente que conseguimos sempre substituir coisas descartáveis, produtos, mas os momentos, esses, são insubstituíveis.

 

Pense nisso!

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