O exagero

Pinterest Google+
PUB

Lá diz o povo: ‘No meio é que está a virtude’. E este ditado serve para tanta, tanta coisa…

 

Mas o que quero explanar hoje é o facto de estarmos a assistir a um exagero comportamental em várias circunstâncias. Ou talvez haja mais comunicação e partilha dos mesmos (caricatamente em exagero?) e daí nos parecer serem em demasia.

 

Isto porque, na semana que passou, surgiram notícias em que apeteceu dizer à sociedade: «Por favor, menos».

 

A primeira: o rapaz que destruiu a estátua de D. Sebastião, na estação do Rossio, porque quis tirar uma ‘boa’ foto. Estamos numa época em que se vive para as redes sociais. Para postar a melhor foto, o melhor momento. E é isto, VIVE-SE O MOMENTO a tirar a foto ao momento. Parece parvo? É. Em demasia, claro que sim. E este rapaz, lá está, exagerou na forma como quis cristalizar o seu brilhante momento. Há limites, e subir para cima de estátuas ou porem-se em perigo em penhascos são dois deles.

 

A segunda: o rapaz que maltratou o cachorrinho e divulgou o vídeo no YouTube. Para além de ser uma selvajaria que não combina com humanidade, o rapaz ainda faz este tipo de vídeos para conseguir ‘likes’ e comentários nas redes sociais. Um exagero? Em absoluto. Menos, muito, mas muito menos. Mas o exagero não se ficou por aqui. Do outro lado, dos indignados, também surgiram comentários e comportamentos ignóbeis, com pessoas a pedirem a cabeça do rapaz e a divulgarem os seus conctactos pessoais nas redes sociais. ‘Olho por olho?’. Não, menos, muito menos.

 

Vou agora falar de um conceito que desconhecia até à passada semana e que também se deve ao exagero: a vigorexia. Trata-se de um transtorno obsessivo-compulsivo, caracterizado pela procura excessiva do corpo ideal com recurso à prática excessiva de exercício físico e ao consumo de suplementos que potenciam o aumento da massa muscular. Um exagero? Claro que sim, porque, como pode ler no artigo que publicámos sobre o tema, quando a vida da pessoa começa a ser condicionada para não se quebrar uma determinada rotina, então algo está mal.

 

E este conceito lembra-nos uma ‘prima’ sua, a ortorexia, já aqui falada. «A preocupação com a alimentação saudável é tão grande que é capaz de passar horas a pesquisar contaminantes alimentares, consequências do consumo de aditivos artificiais, efeitos negativos para a saúde do consumo de antibióticos utilizados nas carnes… enfim a lista é verdadeiramente infindável e as limitações que se aplica a si mesma igualmente drásticas», recorda-nos a nutricionista Lilian Barros.

 

Quatro exemplos de exageros comportamentais, uns patológicos outros sociais derivados dos tempos que vivemos. O bom-senso é sempre um bom conselheiro e uma grande virtude. E esta costuma estar no meio, não nos limites.

 

Boa semana.

 

Artigo anterior

Cozinha de autor na Cidade do Rock

Próximo artigo

Mariana Chaves: «Tente ter objetivos realistas a curto prazo para que a motivação se mantenha»