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O distanciamento social resulta e há animais que também o praticam

Animais tão diversos como macacos, lagostas, insetos e pássaros conseguem detetar e evitar membros doentes na sua espécie, explicam investigadores da Universidade Virginia Tech e da Universidade da Carolina do Norte, EUA. Mas os humanos têm características que também nesta situação os distinguem dos outros animais.

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O distanciamento social está a ser praticado em todo o mundo para tentar pôr fim à propagação da pandemia de Covid-19. Este comportamento estranho ao ser humano é, no entanto, comum em certas espécies que o praticam desde sempre e quando se justifica.

 

Uma especialista em ciências biológicas da Universidade Virginia Tech, EUA, diz que basta olhar para os nosso colegas animais para perceber que o conceito tem benefícios legítimos. «Animais tão diversos como macacos, lagostas, insetos e pássaros podem detetar e evitar membros doentes na sua espécie», explica Dana Hawley, professora de ciências biológicas. Porque é que tantos tipos de animais desenvolveram comportamentos tão sofisticados como resposta a doenças? Porque o distanciamento social os ajuda a sobreviver», remata.

 

A cientista explica que «em termos evolutivos, os animais que efetivamente se distanciam socialmente durante um surto aumentam as suas hipóteses de permanecerem saudáveis ​​e produzirem mais descendentes, que por sua vez também se distanciam socialmente quando confrontados com doenças», escreve Hawley juntamente com a coautora da análise, Julia Buck, professora assistente de biologia na Universidade da Carolina do Norte, na revista ‘Popular Science’.

 

Hawley e Buck observaram que os insetos sociais, apesar de frequentemente se reunirem e viverem em lugares apertados com milhares de parentes, «são alguns dos praticantes mais extremos do distanciamento social na natureza». Assim, «quando uma doença contagiosa varre a sua sociedade, formigas doentes e saudáveis ​​rapidamente mudam o seu comportamento de maneira a retardar a transmissão da doença», escrevem. «As formigas doentes autoisolam-se e as formigas saudáveis ​​reduzem a sua interação com outras formigas quando a doença está presente na colónia».

 

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O comportamento humano na presença de doenças mostra também a sua evolução. Isso indica que os nossos ancestrais hominídeos enfrentaram muitas das mesmas pressões contra doenças contagiosas que estamos a enfrentar hoje. «Como ‘formigas’ sociais, estamos a proteger os membros mais vulneráveis da nossa sociedade da infeção por COVID-19, garantindo que os indivíduos mais velhos e aqueles com condições pré-existentes fiquem longe de pessoas potencialmente contagiosas. Como macacos e morcegos, também praticamos distanciamento social diferenciado, reduzindo os contatos sociais não essenciais e, ao mesmo tempo, prestando cuidados essenciais aos familiares doentes», explicam as investigadoras.

 

Mas também existem diferenças importantes entre nós e os outros animais. Por exemplo, além de cuidar de familiares doentes, às vezes os humanos aumentam o seu próprio risco cuidando de indivíduos não relacionados, como amigos e vizinhos. E os profissionais de saúde vão mais além, ajudando precisamente aqueles que muitos de nós evitam com cuidado.

 

«O altruísmo não é o único comportamento que distingue a resposta humana aos surtos de doenças. Os outros animais têm de confiar nas dicas subtis para detetarem doenças entre os membros do grupo, mas nós temos tecnologias de ponta que permitem detetar patógenos rapidamente e depois isolar e tratar indivíduos doentes. E os humanos podem comunicar ameaças à saúde globalmente num instante, o que nos permite instituir proactivamente comportamentos que mitigam doenças. Essa é uma enorme vantagem evolutiva», explicam.

 

Finalmente, graças às plataformas virtuais, os seres humanos podem manter conexões sociais sem contato físico direto. Isso significa que, diferentemente de outros animais, podemos praticar o distanciamento físico, e não o social, o que nos permite preservar alguns dos benefícios importantes da vida em grupo e minimizar o risco de doenças.

 

 

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