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O desejo sexual masculino: mitos e verdades

Os homens não estão “sempre prontos” e esse mito importa desconstruir. Bem como o da relação entre amor e desejo sexual. Que variáveis influenciam o desejo sexual masculino? E que factores o limitam? Como pode um casal viver com as diferenças, por vezes aparentemente inconciliáveis, ao nível da disponibilidade e do desejo?

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Parece que o desejo sexual é um processo complexo que envolve uma grande quantidade de neurotransmissores e de hormonas. E está (quanto a mim, é este o ponto mais interessante) sob uma forte influência de fatores psicológicos e relacionais, que ditam muito no aparecimento/surgimento do desejo e excitação sexual, bem como na sua manutenção. No fundo, para ser mais claro, ninguém sabe propriamente o que despoleta ou como se despoleta o desejo e como ou porquê determinados fatores são os seus precipitantes. E ainda bem… resistamos assim à nossa robotização.

 

Na realidade, mesmo a medicação, que no caso dos homens muito pode contribuir para que aqueles possam manter um funcionamento sexual mais ajustado à sua ambição, actuam sobretudo na fase da excitação e não tanto ao nível do desejo. No que toca a este último não existem fármacos no mercado.

 

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É muito comum ouvirmos os psis dizerem que são elas, principalmente, que experienciam falta de desejo ou que este é um problema fundamentalmente feminino. Devo dizer que, em muitos dos casais que atendo na consulta, o foco neste tipo de queixa se centra igualmente neles. Também é habitual escutarmos que o desejo sexual feminino está mais dependente do contexto em relação ao masculino. Ouvimos igualmente que elas valorizam mais o envolvimento emocional e afetivo do que eles. Talvez tudo isto seja verdade, ainda que, em minha opinião, sejam sobretudo questões educacionais e culturais que melhor explicam essa diferença.

 

O que facilita e o que prejudica o desejo sexual masculino?

A investigação é reveladora, o que de alguma forma a prática clínica reforça, de que os homens são particularmente estimuláveis pela imagem corporal – são impactantes nesse aspeto os estímulos visuais. São igualmente poderosas as demonstrações de prazer dos parceiros, que funcionam como grande ativador do desejo. Parece que nós, os homens, somos particularmente sensíveis a que confirmem a nossa competência. E, por fim, a transgressão, ou o proibido, tem também um peso considerável na ativação do desejo masculino. Tal poderá explicar por que tantas vezes se sentem capazes de erotizar para fora da relação amorosa que mantêm, mas limitados na capacidade de o fazer dentro, mesmo quando o amor subsiste – o que contraria o mito de que o amor e o desejo sexual andam sempre de “braços dados”.

 

Por outro lado, os fatores mais vezes referidos para a ausência do desejo são: o stress, nomeadamente o profissional, o cansaço/a fadiga e fatores de ordem relacional. Ainda que muitas vezes a realidade simplesmente se imponha, sem direito a explicação.

 

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O que constato é que os problemas no que ao desejo dizem respeito aparecem fundamentalmente como um problema de relação. Nunca ninguém me procurou no consultório, quando não existe uma relação amorosa ou vontade de a ter, por queixas de ausência de desejo sexual e como sendo um problema para si. Ou, por outro lado, surgem na consulta dizendo que não têm desejo sexual, que a parceira/o também não, que se sentem bem, mas deveriam ser tratados.

 

O desafio para os casais está na discrepância ao nível do sentir e do desejo sexual, o que obriga a uma adequação da resposta, ao nível da articulação das vontades de cada um dos elementos. Para lá do sofrimento emocional que o desencontro no casal acarreta, a questão do desejo e do prazer sexual torna-se particularmente desafiante para os casais e para os homens (assim como para as mulheres!) por se verem intimados a cumprir determinadas expectativas, nomeadamente do que é o prazer, de como deve ser o funcionamento sexual de um casal e de como se transmite afeto e amor. Estas serão, quanto a mim, os principais fatores que limitam a possibilidade de muitos homens e casais encontrarem respostas alternativas e ajustadas, de aceitarem o ritmo do desejo e de (re) encontrarem o prazer sexual.

 

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