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O amor é propaganda enganosa

O amor por outra pessoa, seja ela do mesmo sexo ou não, é algo que o ser humano procura a todo o momento. É um combustível necessário para que o indivíduo se sinta vivo.

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Talvez seja exatamente esse sentimento ou essa sensação que a pessoa procura sempre. O tempo inteiro. Mas isso exige alguém especial. E o que é alguém especial? Será que somos capazes de identificar se o nosso objeto de desejo é o ser especial?

 

No início, a raça dos homens não era como hoje. Era diferente. Não havia dois sexos, mas três: homem, mulher e a união dos dois. E esses seres tinham um nome que expressava bem essa sua natureza e hoje perdeu o seu significado: andrógino.  Eram como se fossem siameses. Numa luta com Zeus, o Deus do Olimpo cortou as criaturas ao meio.

 

E foi aí que elas começaram a morrer. Morriam de fome e de desespero. Abraçavam-se e deixavam-se ficar assim. E quando uma das partes morria, a outra ficava à deriva, procurando, procurando…Desde então, elas, “as criaturas separadas e mortas”, vagam pelo mundo em busca da sua metade. São solitárias e incompletas. Como nós. A lenda reflete bem o que a sociedade atual almeja nas relações entre seres humanos: em algum lugar do planeta há alguém à nossa espera. Quem nunca nutriu essa esperança do amor verdadeiro? Platão dizia: «Quando um qualquer amante tem a sorte extrema de encontrar a sua outra metade, ficam os dois tão intoxicados com afeto, com amizade e com amor, que não suportam ficar sem se verem num único instante».

 

O amor dorme na terra nua, às portas das casas, ou nas ruas profundas por debaixo das estrelas do céu, partilhando sempre a pobreza da sua mãe… No espaço de um dia, ora se revela vivo e brilhante, ora à beira da morte. Não existe uma forma eterna e imutável de amar. O amor e a forma de encará-lo sempre variaram ao longo da história. Se a nossa forma atual de amar nos parece opressiva, antiquada ou insatisfatória, que tal tentar outra forma de amar?

 

Talvez seja difícil entender o amor de forma intocável porque o comportamento social da geração do século XXI, pós-modernidade, está alavancado em experimentações subversivas, por hora julgadas incoerentes e vistas como fora dos padrões legais e sociais. Um exemplo, bem em voga nos tempos atuais, é a união homoafetiva. Uma conquista de classe encarada, por muitos, com preconceito. Visto por esse ângulo, o  amor romântico, baseado na exigência de exclusividade, começa a sair de cena porque contraria o principal anseio da sociedade atual: a busca pela individualidade, pelo desenvolvimento dos nossos potenciais. É por isso que a promessa de felicidade amorosa estabelecida por padrões sociais antiquados é falsa. É uma forma de propaganda enganosa porque conduz as pessoas a uma procura inútil por alguém que as faça sentir inteiras e completas, quando, na verdade, essa sensação, por vezes, pode ser inalcançável.

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