O alimento da imunidade inata no pós-quarentena
Atualmente, fala-se cada vez mais sobre medidas de saúde preventiva e são muitas as informações disponíveis onde podemos ler que os fatores ambientais (epigenética) afetam a fisiologia, a biofísica e a bioquímica do corpo humano, modificando a sua capacidade de recuperação energética (microbiologia e imunidade).
Esse tipo de desarmonia conduz-nos a uma debilidade que permite a entrada oportunista de fungos, bactérias e vírus, originando todo um ambiente inflamatório que nos leva à perda do bem-estar geral e nos conduz ao estado de doença. Entender isto permite-nos caminhar para uma atuação coletiva e social, de responsabilidade sustentável, pela nossa qualidade de vida, bem-estar e preservação do ambiente.
Após a quarentena que o mundo atravessou devido à COVID-19, estamos todos em fase de alerta e conscientes de que precisamos proteger as vias respiratórias e todo o nosso metabolismo imunológico contra a possibilidade de contrair o vírus.
Grande parte da população mundial já tem acesso à informação de que o alimento é o melhor agente de prevenção em saúde. Somos o que comemos e como vivemos, dizem os vários artigos dos especialistas em saúde pública.
Mas antes de prosseguir para a informação sobre a abordagem nutricional e mais natural é importante que vos possa explicar esta realidade através de três estudos realizados num contexto de avaliação de imunidade respiratória (pneumologia).
Os estudos referenciados abaixo na bibliografia de suporte e que foram realizados em ambientes diferentes e períodos distintos são:
1 – O Papel da Dieta na Prevenção Primária e Secundária de Alergias, Asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, Imperiall College London, Dra. Vanessa Garcia Larsen;
2 – Clínica Geral, Prevenção das Doenças Alérgicas em Saúde Perinatal, UC de Lisboa, Dra. Ana Rita Cunha.
3 – Doenças do Interstício Pulmonar, do Fenótipo ao Genótipo, Faculdade de Medicina da U. Porto, Dr. António Morais.
Permitem-nos compreender como as influências do meio ambiente (epigenéticas) modificam a forma como os genes não herdados se expressam e mudam a nossa capacidade de resposta à imunidade biológica (inata).
O trabalho destes três autores facilita-nos a conclusão de que o alimento pode ser o melhor tratamento para o restauro da energia vital e como principal medida da saúde para todos nós. Sem esquecer que deve estar sempre associado a uma mudança do estilo de vida.
Importa destacar as quantidades de nutracêutcos-alimentos que tratam ingeridas por dia. Estas devem estar adequadas ao bom funcionamento do corpo para que na sua interação exista uma boa absorção e um bom aproveitamento pelas células.
Qual é afinal a fórmula certa para alcançar a ‘imunidade inata’ e o que devemos comer?
Na verdade, o menos e o moderado são a equação do equilíbrio e deve ser tido sempre em conta o seu perfil individual (região geográfica de nascimento e de crescimento, idade, peso, estilo de vida pessoal, profissional e social). O primeiro passo deve ser uma abordagem feita desde o nascimento, com a opção, sempre que possível pelo leite materno e até ao mínimo de 6 meses de idade, sem suporte de qualquer outro tipo de alimentação.
Depois desse período, é necessário criar hábitos diários de maior ingestão de;
Frutas variadas (3 a 5 peças por dia), para reforço antioxidante e das vitaminas, A, C, E, B e D, legumes de folha verde escuro, para maior ingestão de minerais essenciais (2 vezes por dia), fibras leguminosas (feijão, grão, ervilhas e lentilhas), fibras oleaginosas (noz, amêndoa, avelã, castanha de caju, amendoim), por restaurarem os ácidos gordos essenciais(ALA, EPA e DHA), legumes de cor laranja e roxa (abóbora, cenoura, batata doce, nabo, beterraba), por possuírem carotenoides e licopeno de proteção.
Falta aqui referir neste alicerce nutricional o célebre chocolate negro (cacau, 3 a 4 quadrados por dia), tão poderoso como nutriente simbiótico e de proteção da microbiota bucal, da pele, digestiva e intestinal, além de ser um energético de excelência, devidos às suas propriedades em teobromina. O cacau contribui para a saúde da mente, do coração e do pulmão.
Estas escolhas devem ser o pilar diário de manutenção alimentar que permite a todos um bom suporte de nutrientes e de reforço alimentar eficiente, eficaz e seguro. Só depois poderá associar ao seu prato de refeição (qualquer idade), as proteínas animais e os hidratos de carbono complexos, estes sempre em proporção menor que os enunciados anteriormente e os alimentos processados. Evite o açúcar e o sal refinado.
Não esqueça que deve anualmente fazer uma revisão geral à sua saúde, procurando o seu médico de família, e praticar diariamente atividades de lazer, de exercício físico e sobretudo de função e boas práticas respiratórias ao ar livre. Nunca é demais lembrar que a automedicação ou ingestão de suplementos alimentares de apoio só podem ser feitas por recomendação de um profissional de saúde qualificado.