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Nuno Pinto: “A Biodanza é a dança da vida”

Nuno Pinto é um dos percursores de biodanza em Portugal, onde o interesse por esta atividade tem vindo a crescer

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Há 16 anos atrás, Nuno Pinto experimentou biodanza pela primeira vez e, explica, “o resultado do ponto de vista fisiológico foi assombroso”. Depois de dormir o melhor sono da sua vida, Nuno decidiu que não mais deixaria de de “dançar a vida”. Um ano depois era uma pessoa mais confiante e aprendeu a desfrutar da vida. Hoje é facilitador de biodanza, diretor da Escola do Porto e professor-adjunto da Escola de Portugal. Ajuda os outros através de workshops de aprofundamento e, acima de tudo, é apaixonado pela vida.

 

Para quem nunca ouviu falar de biodanza, como explicar esta atividade?

A biodanza pode ser explicada de múltiplas formas, uma vez que se trata da dança da vida. Inspirada nesta abordagem poética de dançar a vida, ela pode ser praticada como um sistema de desenvolvimento humano, capaz de, pelo movimento, música e vivência, expressar todos os potenciais humanos e integrar a identidade, que é como quem diz, ser mais e melhor pessoa. Todos temos potenciais que vão sendo condicionados na sua expressão, quer pelo contexto que nos rodeia, quer por questões próprias. A biodanza estimula o desenvolvimento desses potenciais de forma permanente e intensa durante as sessões. Ela também pode ser praticada pelo simples prazer de dançar e conviver ou ainda por razões terapêuticas e pedagógicas, já que existem várias aplicações de biodanza na área clínica e pedagógica, através da Educação Biocêntrica.

 

Que benefícios traz a biodanza?

Os benefícios são imensos, sendo que o mais importante é o facto de que, ao integrar e expressar a identidade, eu posso aceder mais facilmente ao meu poder pessoal para realizar e concretizar o que desejo para a minha vida. Quanto melhor me conheço e mais integrados estão os meus potenciais, maiores os benefícios. Do ponto de vista da saúde, uma boa vitalidade favorece uma melhoria dos níveis de stress através do balanço neuro-vegetativo, que também ajuda ao nível da regulação do sono e da energia disponível para a ação. Do ponto de vista da sexualidade, o resgate do prazer de viver é um excelente anti-depressivo, resgatando um erotismo ampliado em relação à vida. A criatividade permite reinventar continuamente a própria vida, melhorando os índices de adaptação ao meio. Relativamente à afetividade, a capacidade de conexão com o outro e a abertura amorosa e o cuidado consigo mesmo e com os outros, reforçam a auto-estima. Por fim, a transcendência permite uma sensação de harmonia com o todo, favorecendo a sensação de integração cósmica. Todos os benefícios estão sempre associados a vivências ou experiências vividas, que permitem ao praticante apropriar-se delas como algo corpóreo, concreto e não mais uma ideia. Muitos praticantes, referem a biodanza como anti-stress e anti-depressiva (pelo efeito regulador do ritmo e da melodia), assim como reforça a auto-estima (pelo efeito do grupo e do vínculo).

 

Como decorre exatamente uma sessão?

Uma sessão tem aproximadamente duas horas: 15 minutos de introdução teórica, que serve para elaborar o tema do mês à luz dos princípios biocêntricos que norteiam a biodanza. 15 minutos de perguntas e partilha verbal por parte dos praticantes, que serve para falar das sensações e emoções que nos animam, e 90 minutos de vivência para deixar o mundo das ideias para passar ao mundo vivido. Uma das razões pelas quais não se assiste a uma sessão de biodanza prende-se precisamente com o convite a fazer corpo. Ver, olhar, não permite viver. Por isso, ao invés de pensar a vida, dançamo-la.

Para uma sessão ser positiva, com que estado de espírito os participantes devem estar?

Em biodanza, tal como na vida, não existe positivo ou negativo, certo ou errado. Apenas integramos a forma como o participante está e, facilitando a vivência, ele vai entrar no fluxo da vida e encontrar os seus benefícios. A vida é pura adaptação. Não está sempre bem, bonita, positiva e por isso todos os seres vivos desenvolvem mecanismos de adaptação. Em biodanza a resposta é a mesma e por isso temos danças que estimulam a capacidade adaptativa como a fluidez, flexibilidade, elasticidade, feed-back, entre outras.

 

Há espiritualidade na biodanza?

A biodanza, sendo uma proposta vivencial, deixa esse tema em aberto para cada um poder integrar-se de acordo com os seus valores e crenças. ‘A vida é um mistério’ e, como tal, devemos manter sempre todas as perspetivas em aberto. Na vertente da transcendência, sendo a harmonia e a conexão com o todo estimuladas, depois a vivência de cada um indicará o seu caminho.

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