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Num mundo dominado pela tecnologia é mais difícil manter uma relação?

Os desafios com que os casais hoje se deparam são diferentes daqueles que vivenciavam em épocas anteriores, onde muitas vezes as relações se mantinham por questões de obrigação. Nos dias de hoje, apesar da tarefa de manter uma relação estar dificultada não só pela falta de tempo como também pela substituição da comunicação presencial pelas redes sociais, ainda é possível construir uma bonita e saudável história de amor. Falámos com um jovem casal que mantém uma relação há seis anos e com a psicóloga Catarina Lucas, que nos explica quais as formas mais indicadas para lidar com os desafios do dia-a-dia.

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Se olharmos para os anos 70, a palavra divórcio mal se ouvia, já que a maioria das pessoas envolvidas em relações estava impossibilitada de sair das mesmas. Mas o panorama transformou-se e a decisão de terminar um relacionamento para ir em busca da felicidade tornou-se algo comum. Segundo dados do INE, em 2018, aconteceram 20.345 divórcios em Portugal, sendo que a cada 100 casamentos correspondem 58,7 divórcios.

 

Catarina Lucas explica que não é apenas a vontade de procurar uma vida mais feliz que leva a estes dados, mas também a dificuldade em entender o que é a felicidade e como se é feliz numa relação. «Como a felicidade não é estar sempre tudo bem, podemos cair no registo fácil de terminar relações, por acharmos que não somos felizes», refere a psicóloga.

 

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Além disso, «é também importante frisar as exigências vividas na atualidade pelos casais. Os papéis que homens e mulheres foram assumindo, a dificuldade em conciliar a vida pessoal com a profissional e a falta de tempo para o casal, pode gerar distanciamento e conflitos, o que aumentará a probabilidade de rutura. É exigido neste momento que as pessoas consigam ser boas profissionais, bons pais, bons cônjuges, bons amigos, entre outros. É difícil corresponder a tanta expectativa. Tudo isto torna mais difícil a manutenção de relações saudáveis», explica a psicóloga.

 

Ao falar na atualidade é impossível ignorar a questão da tecnologia, que domina praticamente tudo o que fazemos. Catarina Lucas considera que «por muitas críticas que lhe sejam feitas, a verdade é que a tecnologia veio para ficar e não podemos por isso fugir dela. Temos antes de nos ajustar à convivência com ela e manter o bom senso. A forma como conhecemos pessoas alterou-se e é através das aplicações e redes sociais que muitas relações dão os primeiros passos. Isto não é em si mesmo bom ou mau, é apenas fruto das circunstâncias atuais. O que é preciso é saber que, a curto prazo, a transição para o real tem de ser feita».

 

E é precisamente nesta transição para o real que muitas vezes os casais se deparam com a falta de comunicação. Ana Pinto, de 22 anos e Fábio Henriques de 23 anos, estão numa relação há seis anos e, apesar de reconheceram o impacto que as redes sociais têm nas relações atualmente, não acreditam que possa ser um problema. No entanto, reconhecem que um dos maiores problemas que os relacionamentos enfrentam atualmente é a dificuldade em comunicar: «Se um casal tiver um problema não consegue sentar-se e conversar sobre o assunto e em conjunto tentar arranjar uma solução. Hoje em dia é mais fácil terminar imediatamente do que tentar resolver o que quer que seja».

 

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A psicóloga acrescenta ainda que «muitos casais comunicam através das redes sociais, porque estabelecem diálogos que presencialmente não conseguem ter. Preferíamos que estes diálogos fossem pessoalmente e por vezes a tecnologia evita a exposição. Mas as relações implicam exposição. É inevitável. Contudo, muitas vezes a tecnologia tem um efeito desbloqueador e até tem o potencial de “apimentar” a relação. Uma das tendências atuais é o sexting, que se pode definir como sexo através de mensagens de texto, embora isto possa acarretar riscos enormes. Outra interferência é a facilidade com que estamos deitados na cama com o companheiro, mas a conversar com outra pessoa através das redes socias e aplicações. A maior parte das infidelidades são atualmente descobertas através do telemóvel e destas mesmas redes».

 

Para o jovem casal com quem falámos, a questão da comunicação já foi um problema: «Por vezes, tornava-se difícil estar atento ao que o outro tentava transmitir, era mais fácil mostrarmos o que sentíamos e o nosso descontentamento com certas situações e atitudes do que tentar ouvir o que o outro também tinha para dizer. Hoje em dia temos a consciência de que se não resolvermos os problemas que temos eles vão voltar a surgir. Esta mudança na nossa comunicação tornou as coisas mais fáceis para ambos», confessa Ana Pinto.

 

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