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Nove em cada dez fumadores desenvolvem cancro da cabeça e pescoço

Registam-se, todos os anos, mais de 1800 novos casos deste tipo de cancro em Portugal, que mata três portugueses por dia. E as estimativas para 2020 apontam para um aumento de 30% desta doença, devido ao crescimento e envelhecimento da população mundial. O Dia Mundial do Não Fumador assinala-se a 17 de novembro.

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O Dia Mundial do Não Fumador deveria ser comemorado todos os dias, pois cada dia que conseguimos que uma só pessoa não fume é uma grande vitória para a saúde pública e para a saúde de cada um de nós.

 

O tabaco é um fator de risco comum a uma série de doenças malignas ou benignas. Ao longo dos anos, diversas campanhas informativas têm sido levadas a cabo para evitar o consumo tabágico e diversas consultas para ajudar quem quer deixar de fumar têm sido disponibilizadas a nível nacional.

 

Aproveitamos este dia para relembrar que o cancro da cabeça e pescoço está relacionado diretamente com os hábitos tabágicos, pois nove em cada dez doentes são fumadores. Aparentemente, parece uma doença com pouca importância, no contexto de todas as doenças oncológicas, porque se ouve falar menos, nas em Portugal registam-se todos os anos cerca de 2000 novos casos. Mas o que torna esta doença tão preocupante é que continuam a morrer todos os dias três portugueses com cancro de cabeça e pescoço.

 

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É uma doença que afeta mais homens que mulheres, existem vários locais na cabeça e pescoço onde esta doença pode surgir, como a cavidade oral (boca), orofaringe (amígdalas e zona contigua), hipofaringe (abaixo das amígdalas e antes da laringe), nasofaringe (espaço por detrás do nariz), laringe (órgão que nos permite falar), seios perinasais (cavidades ósseas ocas que se encontram em vários locais da face), glândulas salivares (produzem a saliva) e cadeias ganglionares cervicais (nódulos no pescoço). Por norma, inicia-se no revestimento destas localizações e cresce por infiltração local.

 

E porque é que morrem tantos doentes? Porque o diagnóstico é feito de forma tardia, isto porque os sintomas são confundidos com coisas benignas e pouco graves. Assim, para que possamos estar alertas, os principais sintomas são feridas que não curam (na boca, lábio), dor e dificuldade na engolir, rouquidão, dor de garganta e/ou ouvido persistente, nariz entupido ou sangramento frequente que persista por mais de três semanas e um nódulo no pescoço.

 

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Quando diagnosticamos em estádios iniciais, em que o tratamento ainda poderá ser curativo, a taxa de sobrevivência é de 80-90%, mas, quando o fazemos em estádios mais avançados, esta cai para os 20%. Estima-se que, na Europa, existam cerca de 143 mil casos de cancro da cabeça e do pescoço, ocorrendo mais de 68 mil mortes em cada ano. Há também estimativas para 2020 que apontam que a incidência do cancro da cabeça e do pescoço aumentará 30%, devido ao crescimento e envelhecimento da população mundial.

 

Entre os tratamentos possíveis, destaca-se a imunoterapia, que tem obtido resultados surpreendentes e se tem tornado numa nova arma no tratamento de cancros avançados. Mas, acima de tudo, o mais importante continua a ser evitar os hábitos tabágicos que são, por si só, um fator de risco, e identificar atempadamente lesões precoces para que o tratamento possa ser bem-sucedido.

 

Por Ana Castro

Presidente do Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço e Membro da Direcção da European Head and Neck Cancer Society (EHNS)

 

 

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