Home»VIDA»ALTERNATIVAS»Nidra: adormecer com a Ayurveda

Nidra: adormecer com a Ayurveda

Dormir significa relaxamento total do corpo e da mente, nenhuma atividade de espírito, nenhum movimento na mente. É o estado de inconsciência para com o exterior. A mente está parada no sono real. O sono é considerado um dos pilares de sustentação da vida e da saúde na Ayurveda.

Pinterest Google+
PUB

Postura do corpo durante o sono

Dormir sobre o lado direito é mais relaxante, e estimula o funcionamento da narina esquerda ao suprimir a respiração através da direita. Isto permite um maior relaxamento e controle do corpo durante o sono. Dormir sobre o lado esquerdo é mais digestivo, e permite desfrutar amplamente dos prazeres mundanos, pois estimula a narina direita, ao obstruir a circulação da esquerda. A narina direita aquece e activa o corpo, para além de aumentar o interesse pela comida, pelo sono e pelo sexo. Isto ajuda-nos a exteriorizar melhor a personalidade, e a desfrutar mais da sensualidade.

 

Dormir de barriga para cima, altera o Vata e permite que as narinas funcionem as duas ao mesmo tempo, o que desalinha a integração corpo-mente-espírito, e contribui indirectamente para a doença, ao fomentar que a energia saia do corpo. Dormir de barriga para baixo provoca indirectamente a doença por obstruir a respiração sã e profunda.

 

Antes de nos deitarmos, devemos lavar sempre as mãos, os pés e o rosto, fazermos uma massagem nos pés com um pouco de óleo (de sésamo) morno, e meditarmos uns minutos para deixarmos dissipar toda a atividade do dia. O leito deverá servir apenas para dormir, devendo evitar-se ler, escrever ou pensar, e assim que acordamos devemos sair da cama.

 

VEJA TAMBÉM: MASSAGEM ABHYANGA: O TOQUE TERAPÊUTICO NA MEDICINA AYURVÉDICA

 

Yoga Nidra

“Dois eventos celestes marcam os extremos de energia presentes no nosso planeta: a lua cheia e a lua nova. Quando permanece acordado nessas noites (dormindo só na noite seguinte), o indivíduo sensibiliza o seu organismo ficando mais acurado aos ritmos naturais do planeta. Os textos da Swar Yoga enfatizam a extrema importância do jejum de sono nessas duas noites. A prática regular dessa disciplina sincroniza o ciclo das narinas e ajuda a libertar o nosso organismo do entorpecimento, da sonolência e da inércia.” Dhawantari, Harish Johari.

 

Muitas vezes o Yoga Nidra é traduzido para significar “sono yogui”. O Yoga Nidra refere-se na verdade a um estado de consciência que não é o sono – um estado de ser conectado profundamente meditativo, chamado de “turiya”. A prática e compreensão do Yoga Nidra vem do Mandukya Upanishad, um dos antigos textos Védicos. Dentro deste texto são descritos quatro estados de consciência: vigília, “turiya”, sonho, sono profundo. Assim, no yoga nidra, não estamos a dormir, estamos num estado para além do corpo mental, ou do corpo intelectual, onde podemos ver imagens ou estarmos a sonhar, contudo, também não estamos completamente inconscientes, como no sono profundo.

 

A meditação é uma poderosa ferramenta para criar espaço e tempo para digerirmos experiências de vida mais sutis (mesmo aquelas que não são tão sutis …) e o Yoga Nidra é uma forma de meditação. O Yoga Nidra usa uma fórmula específica, na maioria dos casos através de uma meditação guiada por um professor, que transporta a pessoa para um estado profundamente relaxado, e usa o corpo e as imagens como pontos de concentração. Porque o corpo físico está tão confortável e relaxado, torna-se mais fácil alcançar um estado de união ou felicidade.

 

Tem-se vindo a comprovar através de alguns estudos científicos que, quando o corpo está profundamente relaxado, a resposta do sistema nervoso parassimpático é estimulada. É nesse estado de funcionamento que o corpo pode descansar, reparar e curar. Há uma diminuição da frequência cardíaca, da inflamação, ao mesmo tempo que que é liberto o stress e a ansiedade. O aumento da produção de dopamina, a hormona do prazer, foi encontrada no cérebro, fomentando o contentamento e a felicidade.

 

VEJA TAMBÉM: DIMENSÕES DA MENTE NA AYURVEDA

 

Alimentos que ajudam a uma boa noite de sono

Os alimentos ricos em triptofano, magnésio, cálcio, vitamina B e aqueles que aumentam os níveis de serotonina e melatonina são os melhores alimentos fomentar o sono e tratar a insónia.

 

Sementes de Abóbora: Aproximadamente 200g de sementes de abóbora fornecem cerca de um grama de triptofano, o que ajuda a induzir um sono melhor. Um estudo que a suplementação de 500mg de magnésio parece melhorar a insónia. Isso é cerca de ½ chávena de sementes de abóbora e 1 chávena de folhas verdes cozidas diariamente.

 

Leite integral:  O leite também é rico no aminoácido triptofano, que tem um efeito calmante no corpo. De acordo com a Ayurveda, o leite de búfala é pesado e untuoso e ajuda a induzir o sono. Na verdade, o leite (dourado) morno com especiarias, como a noz-moscada, cardamomo, canela e açafrão são tradicionalmente usados para produzir um bom sono.

 

Iogurte: O iogurte também contém bastante triptofano e é uma rica fonte de cálcio, magnésio e vitaminas B12 e B5 que induz o sono facilmente. As pessoas que sentem desconforto na ingestão de leite devido à intolerância à lactose podem tomar iogurte ou coalhada. O cálcio presente reduz a inquietação da vigília.

 

Magnésio: O magnésio aumenta a secreção de melatonina da glândula pineal, previne o nervosismo e induz o sono. A vitamina B12 previne confusão, demência e fadiga. A vitamina B5 ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade.

 

Millet (Ragi) + farelo de aveia: o painço ou ragi é uma boa fonte de triptofano, cálcio e ferro. É benéfico em condições de ansiedade, depressão e insónia. A Aveia, rica em magnésio e potássio torna-se um excelente alimento para se consumir à noite no Inverno. Até mesmo a própria natureza da farinha de aveia (quente, calmante e suave) é indicativa de sono e calmante. A aveia também é rica em triptofano14 e é uma boa fonte de carboidratos.

Artigo anterior

Quer ter uma peça de avião? Leilão permite comprar peças da TAP e ajudar crianças

Próximo artigo

Levantar pesos reduz por si só risco de ataque cardíaco e AVC