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Nicole Gil: «Os cães têm muito em comum connosco»

Tem um cão ou pensa vir a ter? A especialista em comportamento canino acaba de lançar um livro que ajuda a descobrir como comunicar e conviver no dia a dia com o seu amigo de quatro patas.

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Nicole Gil é especialista em comportamento canino e treino de cães para o dia a dia, dando uma especial importância aos métodos de ensino positivos baseados nos atuais conhecimentos científicos. Trabalha há mais de uma década em Portugal e na Alemanha. Em conversa com a MOOD, revelou alguns segredos sobre o manual de instruções canino, ‘Finalmente Comprendo o Meu Cão’, que acaba de ser lançado.

 

Antes de mais, parabéns pelo livro. Os cães são seres mal compreendidos neste mundo?

Olá, obrigada. De certa forma, sim, os cães são seres mal compreendidos num mundo dominado por nós, seres humanos. Imagine ir passar algum tempo à China sem compreender nem falar uma única palavra de chinês, ou nem poder comunicar em inglês. Lembre-se que, para além disso, seria confrontada com uma cultura diferente da nossa, e que hábitos que pratique em casa lá não seriam socialmente aceites. Devido às barreiras de comunicação, ninguém lhe consegue explicar a 100% porque é que o seu comportamento é indesejado. Agora imagine como será para os cães. Terem de comportar-se de uma forma que nós achamos aceitável sem muitas vezes percebermos o porquê do seu comportamento natural.

 

O que a fez lançar este ‘manual de instruções canino’?

Aos doze anos comecei a ler livros sobre o comportamento e o treino de cães. Isso foi ainda alguns anos antes de ter começado a treinar não só o meu próprio cão, mas também os cães de outras pessoas. Na altura, havia pouquíssimos livros em português e, se bem me recordo, não havia um único livro originalmente escrito em português. Havia apenas traduções de livros bastante antigos. Quis fazer algo para mudar essa situação.

 

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Qual é o erro mais comum que os donos cometem?

Um dos erros gerais mais graves é que partimos do princípio que os cães pensam como nós e que sabem perfeitamente o que na sociedade humana está certo ou errado, e qual comportamento é desejável e socialmente aceite, e qual não. Para realmente percebermos os cães, precisamos de fazer o mesmo como quando queremos entender os motivos, a forma de pensar e os desejos de outra pessoa quando estes não são idênticos aos nossos. Temos de adquirir uma perspetiva nova.

 

Mas afinal como pensa um cão? Eles entendem a nossa língua? 

Os cães, sendo mamíferos altamente sociais, têm muito em comum connosco. Essa é a boa notícia.Quanto à língua, o assunto já se torna mais complicado. Eles aprendem a associar palavras a determinados comportamentos, pessoas e consequências. Isso não significa, porém, que eles compreendam a nossa língua. Ou que pensem como nós. Para percebermos como os cães pensam, temos de os observar bem, de procurar informação sólida sobre o seu comportamento e, como já disse, de adquirir uma perspectiva nova.

 

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