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Não queira ser uma mãe perfeita

Com a aproximação do dia da mãe somos invadidos por um sem fim de mensagens publicitárias cujo tom é de uma maternidade idílica e romanceada. Não deixa de ser curioso perceber como as mensagens colocam a audiência a pensar nelas próprias enquanto filhos e pouco, ou quase nada, no que é ser mãe.

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Se existem mães que não se inibem de promover que ser mãe é o melhor do mundo, o que é certo é que há um sem número de mulheres para quem o papel mãe é vivido com angústia. E angústia porquê? Porque querem ser perfeitas!

 

O medo de falhar como mãe é comum, seja em contexto clínico, ou pessoal, as mulheres comentarem, com uma dose de sofrimento implícito, que não percebem o que fizeram de errado com os filhos. Esta é uma dúvida recorrente: estarei a ser uma boa mãe?

 

Um ponto de partida importante é não esquecer que antes de ser mãe é mulher! Se isto for ignorado e a devoção aos filhos for o único propósito de vida, o certo é que a devoção se torna numa perversão. Não sinta pressão para amar demais!

 

Não há nada de errado em errar com os filhos, pelo contrário, é ao longo do tempo que a relação mãe – filho(s) se vai construindo, com a afirmação de gostos, preferências, diferenças e incompatibilidades. Errar é um sinal de que está atenta a essa relação, bem como às necessidades que se vão apresentando no caminho de conhecimento de um filho, que está a crescer e ele próprio a aprender a diferenciar-se. O seu medo de errar é o maior erro, pois é o responsável pelas angústias desnecessárias que faz com que tenha que lidar com uma autocrítica permanente, que muitas vezes passa para os seus filhos.

 

Veja o videoclip ‘Mother’ dos Pink Floyd


 

Não confunda dar amor incondicional, amor sem julgamentos ou cobranças, com deixar de ter amor próprio. Uma “boa mãe” dá amor incondicional. Uma “mãe boa demais” começa a confundir-se com o filho e esquece-se de si mesma. Lembra-se da relação que se constrói na diferenciação? Pois bem, se numa dada situação a solução encontrada pelo seu filho não coincide com a sua opinião, não se assuste, isso significa que ele está a pensar pela sua própria cabeça, algo que o seu papel de mãe deve garantir.

 

São vários os pré-conceitos sobre o papel da mulher enquanto mãe e sobre a necessidade de um desempenho imaculado. Liberte-se deles. Ser mãe só será uma realização saudável caso sua vida se conduza pelo prazer e não pela obrigação. Apesar de ser um trabalho de responsabilidade acrescida, nem tudo depende de si – também depende do pai, dos filhos, dos acontecimentos de vida, etc. Tenha confiança nas suas decisões e lembre-se que os seus filhos precisam apenas da sua ajuda, não do seu sacrifício!

 

Sabe o que respondeu Freud quando uma mãe lhe perguntou qual a forma mais racional de educar o filho? «Faça como quiser, de qualquer maneira será mal!»

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