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Na barriga, gordura não é formosura!

Eis o fator que está mais relacionado com a perceção geral de boa forma física, se é magro ou gordo. É se tem ou não barriga.

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Sendo bastante simplista, esta perceção generalista poderá dizer bastante sobre algo que se agrava com o aumento da gordura corporal e, particularmente, na região central: a saúde cardiometabólica.

 

Se tivermos em conta que as doenças que mais matam em Portugal incluem, em segundo lugar (a seguir aos tumores malignos, dados da DGS, de 2013 – INE, 2015), os AVC e os enfartes (doenças cardiovasculares) e que somos o 3º país com mais diabetes da OCDE, logo a seguir ao México e EUA (dados de 2010), podemos considerar que o perímetro de cintura será um indicador importante para a nossa população. Sabemos hoje, por estudos já publicados, que existem uma relação linear entre perímetro de cintura e a probabilidade de desenvolver hipertensão, tal como diabetes.

 

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Os valores seguintes poderão não ser os ideais, contudo constituem um limite a partir do qual aumenta o risco de desenvolver doenças cardiometabólicas(*):

– Homens de todas as idades: até 94cm

– Mulheres de todas as idades: até 80cm

 

Relativamente à proteção que o exercício confere, caso cumpra com as necessidades consideradas mínimas, poderá usufruir dos seguintes benefícios (**):

– menos 40% de risco de morte por doença cardiovascular

– menos 18% de chance de morrer com cancro

 

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Eis as necessidades mínimas de exercício para a saúde, consideradas atualmente pela Organização Mundial de Saúde:

– Consegue praticar 75min de exercício intenso por semana?  Veja como é fácil atingir este objetivo: basta exercitar intensamente por 15min em 5 dias da semana! Que tal?

– Consegue praticar 150min de exercício moderado por semana?  Aqui poderemos traduzir por 20min de caminhada por dia em todos os 7 dias por semana. Não é impossível, pois não? São 10min para ir e 10min para voltar!

 

Um outro critério que será interessante usar é o de “quantas horas permanece sentado por dia?”, apenas aplicável a pessoas sem deficiência motora ou necessidade de uso de cadeira de rodas. Já foi adiantado por Ulf Ekelund (Lancet, 2016 – uma meta-análise de mais de 1 milhão de homens e mulheres!) que, para cada 8h de posição sentada por dia, os riscos associados poderão ser compensados com 60-75min de atividade física moderada (também por dia), que pode incluir atividades simples como caminhar, pedalar, subir escadas, etc. As pessoas que não compensam a sua vida sedentária (decorrente de um trabalho sedentário, por exemplo), apresentam um risco acrescido de morte de 12-59%, comparativamente aos que fazem compensação com atividade física.

 

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Após abordada a questão do combate ao sedentarismo, devemos mencionar a dieta. Este poderá ser o fator mais determinante na acumulação de gordura na região abdominal. Todos os profissionais de exercício e saúde têm conhecimento de que a alimentação tem um papel fundamental na saúde metabólica e na manutenção de uma cintura saudável. Por outro lado, não devemos deixar de mencionar que a dieta é o fator que explica mais casos de cancro!

 

Se no México e EUA, a fast-food poderá ter grande parte da responsabilidade nas altas taxas de diabetes, em Portugal, a propagação da restauração de fast-food poderá não ser o problema ao longo de todo o nosso território. O que será que tem um efeito tão comparável à fast-food? Quem sabe a nossa cultura do “servir bem” (o que quer dizer, quantidades enormes e desajustadas para a maioria de nós!)? O pãozinho por tudo e por nada? E as nossas deliciosas pastelarias (uma em cada esquina)!

 

Será, provavelmente, nestes aspetos da nossa sociedade portuguesa atual que vamos obter efeitos metabólicos comparáveis à terrível fast-food, devastando a saúde dos portugueses!

 

*(Fonte: Canadian Diabetes Association Estes limites aplicam-se a europeus, africanos, mediterrânicos e árabes, sendo que os limites para homens asiáticos ou oriundos da américa central ou do sul, são de 90cm).

** (O’Donovan, Lee, Hamer, in JAMA Intern. Med., 2017).

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