Home»VIDA»SOCIEDADE»Mutilação genital feminina cresce na Europa

Mutilação genital feminina cresce na Europa

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje o fim da mutilação genital feminina. Com o crescer da emigração de países africanos, a prática está a disseminar-se pelo mundo, incluindo pela Europa.

Pinterest Google+

Ao contrário do que se poderia imaginar, a mutilação genital feminina não está circunscrita e combatida nos países africanos que a praticam, ela está a disseminar-se pelo mundo devido aos fluxos de emigração crescentes provenientes desses países.  A prática está a crescer na Europa, Austrália, Canadá e Estados Unidos, especialmente entre os emigrantes provenientes dessas regiões, segundo dados da UNICEF.

“A mutilação de meninas e mulheres deve cessar ainda nesta geração, a nossa geração”, afirmou hpje Ban Ki-moon a partir da sede regional da ONU em Nairobi, Quénia, convocando todos, incluindo os “homens e jovens para que apoiem a luta contra a mutilação genital feminina”.

Estas mutilações sexuais – ou circuncisões – consistem na remoção parcial ou total da genitália externa feminina (clitóris, pequenos e grandes lábios). Segundo a Unicef, é realizada principalmente em crianças e adolescentes, mas em alguns países também em bebés do sexo feminino com menos de um ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) registou mais de 125 milhões de vítimas desta mutilação em 29 países da África e do Oriente Médio. As mutilações, realizadas por “fatores culturais, religiosos e sociais, não representam nenhum benefício para a saúde” da mulher, insiste a OMS. Pelo contrário, causam “traumas sistematicamente e podem levar à morte, se a perda de sangue for suficiente para ocasionar uma hemorragia”, destaca a UNICEF. A agressão também pode tornar a mulher estéril, provocar incontinência urinária e trazer riscos de infeções.

A circuncisão feminina é proibida em muitos países, mas ainda é praticada em algumas comunidades de forma clandestina em condições insalubres e sem anestesia. “Esta prática não tem a ver com cultura, é uma violação dos direitos humanos”, declarou nesta quinta-feira uma vítima de mutilação, Kakenya Ntaiya. Esta prática “mata os sonhos, as esperanças, as vidas dessas meninas”, acrescentou esta masai de 36 anos, mãe de dois filhos, que atualmente dirige uma organização não-governamental que ajuda as jovens quenianas vítimas dessas práticas a seguir em frente.

A campanha contra a circuncisão feminina foi lançada inicialmente no Reino Unido por uma jornalista do jornal britânico The Guardian, Maggie O’Kane. Posteriormente, uma petição fez com que o governo impusesse o ensino dos perigos da mutilação genital nas escolas. Segundo O’Kane, cerca de 20.000 jovens estão expostas a essas mutilações no Reino Unido.

Ban Ki-monn juntou-se a esses esforços e pediu a colaboração dos meios de comunicação na luta contra esta prática. “As coisas podem mudar se os Media derem atenção prolongada às consequências desastrosas da (mutilação) em termos de saúde pública e as violações dos direitos de centenas de milhares de mulheres e meninas (que elas representam) em todo o mundo”, declarou Ban Ki-moon nesta quinta-feira.

A circuncisão feminina é proibida no Quénia, mas continua a ser praticada em algumas comunidades.  Este país é a última etapa de um percurso de Ban Ki-moon pelo Corno de África, uma região onde a circuncisão feminina ainda é uma prática generalizada.

Nesta semana, o secretário-geral da ONU visitou a Etiópia, o Djibuti e a Somália.

AFP

Artigo do parceiro:

Mood

Artigo anterior

Os segredos do Douro vinhateiro

Próximo artigo

Ideias originais para molduras