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Museu do Holocausto no Porto reabre ao público

O primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica é tutelado por membros da comunidade judaica do Porto, cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto. Neste museu, os visitantes podem visitar a reprodução dos dormitórios de Auschwitz.

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O Museu do Holocausto do Porto, o primeiro da Península Ibérica, reabre hoje, dia 31 de março, Dia Nacional da Memória das Vítimas da Inquisição.

 

A Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP), criadora do projeto, informa que, embora fechado ao público, o museu nunca deixou de receber escolas de norte a sul do país. Todos os dias recebe escolas e vai continuar a receber, com público à mistura.

 

No ano de 2021 o museu recebeu 40 mil visitantes, principalmente jovens, tendo sido o museu português mais visitado do ano, informa a CJP. A entrada continuará a ser gratuita para todas as idades.

 

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O museu, inaugurado em janeiro de 2021, retrata a vida judaica antes do Holocausto, o Nazismo, a expansão nazi na Europa, os Guetos, os refugiados, os campos de Concentração, de Trabalho e de Extermínio, a Solução Final, as Marchas da Morte, a Libertação, a População Judaica no Pós-Guerra, a Fundação do Estado de Israel, Vencer ou morrer de fome, Os Justos entre as Nações.

 

Neste museu os visitantes têm oportunidade de visitar a reprodução dos dormitórios de Auschwitz, assim como uma sala de nomes, um memorial da chama, cinema, sala de conferências, centro de estudos, corredores com a narrativa completa e, à imagem do Museu de Washington, fotografias e ecrãs exibindo filmes reais sobre o antes, o durante e o depois da tragédia. Veja fotos na galeria acima e o vídeo mais abaixo.

 

«O Holocausto deve ser contado pelas vítimas. A minha mãe chegou órfã à Argentina e o meu pai foi obrigado a tocar violino no campo de propaganda de Theresienstadt. Nasci sem avós. Todos foram executados na Polónia, depois de raspagem do cabelo, tatuagens de números nos braços e trabalho escravo», afirma Deborah Elijah, da direção da CIP/CJP.

 

Tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto, o Museu do Holocausto no Porto desenvolve parcerias de cooperação com museus do Holocausto noutros pontos do globo, contribuindo para uma memória que não pode ser apagada. Charles Kaufman, presidente da organização de direitos humanos B’nai B’rith International, sublinha o importante papel do Museu: «Este impressionante Museu do Holocausto é um testemunho da herança e resiliência judaicas. Que ele sirva de farol para Portugal e para o resto da Europa».

 

(Vídeo em inglês)
 

 

O Museu do Holocausto do Porto investe no ensino, na formação profissional de educadores, bem como na promoção de exposições, encorajando e apoiando a investigação.

 

Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto de Washington todos os seus arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense. Estes arquivos, agora regressados à cidade Invicta, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais. No Museu estão ainda expostos dois Sifrei Torá (rolos da Torá) oferecidos à sinagoga do Porto por refugiados que estiveram chegaram à cidade com as suas vidas desfeitas.

 

Depoimentos de familiares

«A história da minha família terminou, para uns, nos campos de extermínio, e outros foram vítimas de pelotões de fuzilamento depois de terem sido obrigados a abrir uma vala comum», descreve Luísa Finkelstein, descendente de uma família polaca, a mais antiga associada da Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP).

 

«Alguns membros da Comunidade foram diversas vezes buscar refugiados aos Pirenéus e trouxeram-nos para a segurança do Porto. O meu avô, capitão Barros Basto, convidava muitos refugiados para almoçar e jantar. Ele dizia à minha avó: ‘cabe sempre mais um!’» conta Isabel Lopes, vice-presidente da CIP/CJP.

 

Eta Rabinowicz Pressman, antiga associada da comunidade do Porto, residente em Londres, conta: «Os irmãos e irmã da minha mãe foram mortos, eles e os filhos. Num dos casos, o porteiro do prédio queria salvar os filhos, mas eles recusaram, quiseram ir com os pais e morreram também. O único irmão que sobreviveu era prisioneiro dos soviéticos num gulag na Sibéria».

 

 

 

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