Home»VIDA»DIREITOS HUMANOS»Museu do Holocausto inaugurado no Porto no final de janeiro

Museu do Holocausto inaugurado no Porto no final de janeiro

O primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica é tutelado por membros da comunidade judaica do Porto, cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto. Neste novo museu, os visitantes terão oportunidade de visitar a reprodução dos dormitórios de Auschwitz.

Pinterest Google+
PUB

O Museu do Holocausto do Porto, o primeiro da Península Ibérica, vai ser inaugurado no final de janeiro, informa a Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP), criadora do projeto, em comunicado. O novo museu retrata a vida judaica antes do Holocausto, o Nazismo, a expansão nazi na Europa, os Guetos, os refugiados, os campos de Concentração, de Trabalho e de Extermínio, a Solução Final, as Marchas da Morte, a Libertação, a População Judaica no Pós-Guerra, a Fundação do Estado de Israel, Vencer ou morrer de fome, Os Justos entre as Nações.

 

Neste novo museu os visitantes terão oportunidade de visitar a reprodução dos dormitórios de Auschwitz, assim como uma sala de nomes, um memorial da chama, cinema, sala de conferências, centro de estudos, corredores com a narrativa completa e, à imagem do Museu de Washington, fotografias e ecrãs exibindo filmes reais sobre o antes, o durante e o depois da tragédia. Veja fotos na galeria acima e o vídeo mais abaixo.

 

«O Holocausto deve ser contado pelas vítimas. A minha mãe chegou órfã à Argentina e o meu pai foi obrigado a tocar violino no campo de propaganda de Theresienstadt. Nasci sem avós. Todos foram executados na Polónia, depois de raspagem do cabelo, tatuagens de números nos braços e trabalho escravo», afirma Deborah Elijah, da direção da CIP/CJP.

 

Tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto, o Museu do Holocausto no Porto desenvolverá parcerias de cooperação com museus do Holocausto em Moscovo, Hong Kong, Estados Unidos e Europa, contribuindo para uma memória que não pode ser apagada. Charles Kaufman, presidente da organização de direitos humanos B’nai B’rith International, sublinha o importante papel do novo Museu: «Este impressionante Museu do Holocausto é um testemunho da herança e resiliência judaicas. Que ele sirva de farol para Portugal e para o resto da Europa».

 

(Vídeo em inglês)
O curador do Museu do Holocausto do Porto, o museólogo Hugo Vaz, afirma que «são esperados cerca de 10 mil alunos por ano, o mesmo número que, antes da pandemia, costumava visitar a Sinagoga».

 

O Museu do Holocausto do Porto investe no ensino, na formação profissional de educadores, bem como na promoção de exposições, encorajando e apoiando a investigação. Através do Museu, o membro da comunidade Jonathan Lackman deseja seguir, no Porto, o papel que os avós tiveram nos EUA para a preservação da memória do Holocausto: «O meu avô fugiu de Treblinka e a minha avó foi resgatada com tifo do campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, onde faleceu Anne Frank. Contarei sempre a história deles».

 

«A construção do Museu do Holocausto no Porto contou com um donativo substancial de uma família sefardita portuguesa do Sudeste da Ásia que foi vítima de um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial», revela o tesoureiro da CIP/CJP, Michael Rothwell, ele próprio descendente de vítimas do Holocausto. «Os meus avós eram bons patriotas alemães – os meus tios-avós deram mesmo a vida pela Pátria na Primeira Guerra Mundial – e amavam um país que também era deles. Com o nazismo, viram-se acusados de estrangeiros indesejados, foram transportados como gado para Auschwitz, separados um do outro, alvos de todas as violências e ali morreram assassinados».

 

Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto de Washington todos os seus arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense. Estes arquivos, agora regressados à cidade Invicta, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais. No Museu estão ainda expostos dois Sifrei Torá (rolos da Torá) oferecidos à sinagoga do Porto por refugiados que estiveram chegaram à cidade com as suas vidas desfeitas.

 

VEJA TAMBÉM: GOVERNO REITERA ESFORÇO PARA ACOLHER MAIS REFUGIADOS EM PORTUGAL

 

Depoimentos de familiares

«A história da minha família terminou, para uns, nos campos de extermínio, e outros foram vítimas de pelotões de fuzilamento depois de terem sido obrigados a abrir uma vala comum», descreve Luísa Finkelstein, descendente de uma família polaca, a mais antiga associada da Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP).

 

«Alguns membros da Comunidade foram diversas vezes buscar refugiados aos Pirenéus e trouxeram-nos para a segurança do Porto. O meu avô, capitão Barros Basto, convidava muitos refugiados para almoçar e jantar. Ele dizia à minha avó: ‘cabe sempre mais um!’» conta Isabel Lopes, vice-presidente da CIP/CJP.

 

Eta Rabinowicz Pressman, antiga associada da comunidade do Porto, residente em Londres, conta: «Os irmãos e irmã da minha mãe foram mortos, eles e os filhos. Num dos casos, o porteiro do prédio queria salvar os filhos, mas eles recusaram, quiseram ir com os pais e morreram também. O único irmão que sobreviveu era prisioneiro dos soviéticos num gulag na Sibéria».

 

Sobre a Comunidade Judaica do Porto

A Sinagoga Kadoorie Mekor Haim é a maior da Península Ibérica e a Comunidade Judaica do Porto tem cerca de 500 membros, de mais de 30 países. Possui o Museu do Holocausto e o Museu Judaico, um cinema e parcerias de cooperação com o Estado Português, a Embaixada de Israel em Portugal, a B´nai B´rith International, a Anti Difamation League, a Keren Hayesod, a Chabad Lubavitch, bem como com a Diocese do Porto e a Centro Cultural Islâmico do Porto.

 

Artigo anterior

Sabia que hoje é o dia mais deprimente do ano?

Próximo artigo

Geração Depositrão recolhe 400 toneladas de resíduos em escolas de todo o país