Home»AMOR»SEXUALIDADE»Mulheres são mais suscetíveis à bissexualidade

Mulheres são mais suscetíveis à bissexualidade

Um estudo apresentado no encontro anual da Associação Americana de Sociologia mostra que as oportunidades românticas influenciam mais a identidade sexual das mulheres do que a dos homens

Pinterest Google+

O estudo de Elizabeth Aura McClintock, professora assistente da Universidade de Notre Dame, sugere que as oportunidades românticas parecem influenciar a identidade sexual das mulheres, ao contrário do que acontece com os homens, mostrando que «a sexualidade das mulheres pode ser mais flexível e adaptável do que a dos homens», nas palavras da investigadora. Os dados foram apresentados no 110º encontro anual da Associação Americana de Sociologia, que decorreu recentemente.

McClintock usou dados de 5018 mulheres e de 4191 homens recolhidos pela Add Health em quatro fases das suas vidas, da adolescência à vida adulta, em que os sujeitos tinham uma média de idades de 16 anos no início do estudo e de 28 na quarta fase. Em cada fase do estudo, foi questionado aos participantes se estes tinham sentido alguma atração por pessoas do mesmo sexo ou se tinham tido relações sexuais casuais homossexuais.

Na apresentação dos dados do estudo, a pesquisadora explicou que as mulheres têm mais tendência para se assumirem bissexuais, enquanto os homens é mais provável que se definam como “100 por cento heterossexuais” ou “100 por cento homossexuais.” Além disso, McClintock descobriu que as mulheres têm três vezes mais probabilidades de alterarem a sua identidade sexual na entrada na vida adulta.

«As mulheres têm mais probabilidades do que os homens de se sentirem atraídas por pessoas de ambos os sexos, o que lhes dá maior flexibilidade na escolha de um parceiro», explica McClintock. «Sentir atrações sexuais flexíveis atribui maior importância ao contexto quando é o momento de definir a sua identidade sexual.»

Ainda, a pesquisa mostra que as mulheres com um maior nível de educação e as que são fisicamente mais atraentes têm maiores probabilidades de se definirem como “100 por cento heterossexuais”. A investigadora acredita que isto se deve ao facto de estas mulheres terem mais oportunidades com parceiros do sexo masculino e, logo, menos oportunidades de explorarem relacionamentos com parceiros do mesmo sexo. Ou seja, a sua posição social facilitou uma vida heterossexual e desencorajou identidades sexuais alternativas.

«As mulheres que têm relações bem-sucedidas com homens, como é tradicionalmente expectável, podem nunca explorar a sua atração por mulheres. Por outro lado, mulheres que se sentem atraídas por ambos os sexos e têm relações menos felizes com homens têm mais probabilidades de explorarem relações com outras mulheres.»

Por outro lado, no que diz respeito aos homens, aqueles que têm um nível mais elevado de educação têm também menos probabilidades de se identificarem como “100 por cento heterossexuais”; e os homens que foram pais assumem-se como “100 por cento heterossexuais”.

«É menos frequente os homens sentirem-se atraídos por ambos os sexos. A sexualidade do homem é, neste sentido, menos flexível. Se um homem apenas se sente atraído por pessoas de um sexo, as oportunidades românticas que surgem em pouco vão alterar a sua identidade sexual.»

No final da sua apresentação, a psicóloga esclareceu que não pretende sugerir que as uniões com pessoas do mesmo sexo são uma segunda escolha nem que as mulheres usam a mudança da identidade sexual de forma pensada. Mas, antes, a psicóloga acredita que a identidade sexual é fruto de uma construção social e que o contexto social e as experiências românticas podem influenciar a perceção da identidade sexual de cada um.

Por Joana de Sousa Costa

Artigo anterior

Kristen Stewart vai ser Coco Chanel

Próximo artigo

HotTug: Um banho quente sobre água