Home»ATUALIDADE»NOTÍCIAS»Mudança de nome: impacto nas redes sociais

Mudança de nome: impacto nas redes sociais

A alteração do nome na sequência do casamento ou divórcio implica, hoje em dia, muito mais do que os processos legais. Há toda uma identidade virtual que tem de ser revista. Já pensou nisto? Analisamos as consequências desta decisão com a ajuda de Virgínia Coutinho, consultora de marketing digital.

Pinterest Google+

Em Portugal, são cada vez menos as mulheres que optam por adotar o nome do marido após o casamento, escolhendo antes manter o seu nome de família. O hábito que era prática comum na geração anterior é agora rejeitado por mais de 60 por cento das mulheres, segundo os dados mais recentes.

 

Enquanto algumas portugueses recusam esta alteração do nome por falta de motivação e necessidade, vendo nesta decisão um ato de independência e até feminismo, outras apontam razões mais práticas, nomeadamente relacionadas com a sua vida profissional. Afinal, o nome de cada profissional é o seu primeiro cartão de visita e, com a idade média do casamento a aumentar de ano para ano, a maioria das mulheres sente que o seu nome já é uma marca aquando a altura do casamento. Um estudo da Universidade de Harvard mostrou mesmo que quanto maior o sucesso profissional de uma mulher por altura da idade do casamento, menor a probabilidade desta decidir adotar o nome do marido.

 

Veja também: Está viciado nas redes sociais?

 

Mas numa altura em que a identidade virtual é quase tão relevante quanto a pessoal, que opção tomar em relação à mudança do nome nas redes sociais? «No que diz respeito a perfis de Facebook, não existe qualquer dificuldade em se alterar o nome nem é conhecido nenhum impacto negativo desta atualização», explica Virgínia Coutinho, consultora de marketing digital e autora do livro ‘The Social Book’.

 

Ainda assim, a especialista desafia as mulheres a darem um passo atrás na análise desta questão e perguntarem-se até que ponto, nos dias de hoje, a mudança de nome faz sentido do ponto de vista da construção de uma marca pessoal. «Esta mudança é, no caso das pessoas que apostam na comunicação da sua própria marca, um “rebranding”, e pode ser vista como a perda de uma identidade digital.» A estratega dá um exemplo prático: «Imagine que deu várias entrevistas para diversos meios de comunicação sobre a sua área de especialidade e que também escreveu artigos em vários blogues conhecidos com o seu nome de solteira. Quando alguém for pesquisar pelo seu nome de casada (um recrutador, por exemplo), estes resultados dificilmente surgirão. Será necessário construir uma nova identidade digital».

 

Veja também: Comer nu: uma nova tendêcia? Falámos cum um restaurante em Londres e outro em Tenerife

 

Ou seja, se analisarmos o valor da marca pessoal como um marcador na bolsa de valores, o investimento feito para a sua valorização sofre um revés com este passo. «Ter uma boa presença no online, enquanto profissionais, é cada vez mais relevante, independentemente da área de negócio», alerta a especialista. «Não quero com isto dizer que as mulheres não devam adotar o apelido dos maridos, mas que deverão ter em conta este tipo de pormenores.» Sendo quase inatingível a ideia de alertar todos os seus contactos profissionais para esta alteração de identidade, o mais provável é que alguns fiquem perdidos para sempre na vasta teia mundial virtual.

 

Há ainda o caso das mulheres que mudam legalmente o seu nome com o casamento mas, na prática, mantêm o nome de solteira para efeitos sociais e profissionais. Esta solução é o que poderemos chamar de meio termo. No entanto, Virgínia Coutinho explica: «A comunicação de uma pessoa, tal como de uma marca, deve ser coerente. Se uma mulher se apresenta com o nome de casada, tem esse nome na assinatura de email e no cartão de visita da empresa, sem dúvida que deverá optar por usar o mesmo nome nas redes sociais.»

 

Ainda assim, Virgínia Coutinho refere que tem assistido a esta atualização de identidade dentro do seu círculo de trabalho, onde colegas de países como Inglaterra ou República Checa escolhem ficar com o nome do marido e alteram a identidade virtual com um novo endereço de email, novos cartões de visita e um nome diferente nas redes sociais.

 

Artigo anterior

Cientistas criam teste que deteta cancro um ano antes dos exames convencionais

Próximo artigo

Instagram ajuda utilizadores a terem uma dieta mais saudável