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Mobbying: inferno no trabalho

Os abusos podem acontecer sem que ninguém no local de trabalho se aperceba e tornam-se mais evidentes quando passam por insultos verbais, gestos obscenos ou até mesmo agressão física. Conheça um caso verídico.

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Durante cinco anos, todos os fins de semana, feriados e épocas festivas, Mariana (nome fictício) trabalhou num restaurante na sua área de residência. Esta jovem, agora com 23 anos, viu-se presa na teia a que a psicologia chama de mobbing durante este período da sua vida.

 

Na verdade, este termo surge na biologia para descrever comportamentos agressivos entre pássaros como sobrevivência. Atualmente, o termo mobbing é, de uma forma muito simplista, uma espécie de bullying em contexto de trabalho.

 

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Na grande maioria dos casos, o mobbing surge por parte das chefias que tentam pressionar os funcionários a abdicar de direitos, mas pode surgir também entre funcionários. «A minha relação com o meu patrão era péssima. Ele falava como queria sem o mínimo de respeito, inclusivé à frente dos clientes», queixa-se Mariana. «Trabalhava imenso e era boa naquilo que fazia, mas ele nunca deu valor a nada. Aliás, muito pelo contrário, só me criticava».

 

Situações semelhantes ou piores do que a da Mariana acontecem diariamente por todo o país e por todo o mundo. Em ambiente de trabalho, quando alguém tenta defender a própria opinião e sente dificuldade em fazê-lo por não haver abertura por parte do outro (colega ou chefe), o sujeito coloca-se numa posição que pode ser oprimida por alguém que não tenha uma postura madura e respeitosa, e isso pode passar por insultos verbais, gestos obscenos e até mesmo por agressão física.

 

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A questão da estrutura hierárquica de muitos empregos é determinante para o surgimento ou não deste tipo de situações, pois «tende a despertar em algumas pessoas alguns receios que são vividos inicialmente na infância, fase da vida em que se é totalmente dependente de figuras de autoridade», elucida o psicanalista Nuno Cristiano Sousa.

 

Esse medo é muitas vezes revivido no emprego, no qual as pessoas experimentam o sentimento de impotência e de total dependência da situação em que se encontram. Esta pode ser uma perspetiva parcialmente inválida na medida em que, por mais importante que seja esse emprego, existem muitos outros empregos aos quais se podem candidatar. No entanto, há um fator chave que pesa muito na decisão dos portugueses – a situação atual da economia do país potencia este medo e minimiza as alternativas disponíveis. Exemplo disso é a situação de Mariana que aguentou os abusos por parte do seu patrão porque não conseguia encontrar mais nada que fosse aos fins de semana e precisava de ajudar os pais a pagar os estudos e de dinheiro para si.

 

Mariana conta à Mood que começou por ganhar 3 euros à hora e passado quatro anos de trabalho pediu um aumento. «Demorou muito para que o pedido fosse aceite e só aumentou 0,50 cêntimos e foi preciso pedir muito ‘por favor’», recorda a jovem.

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