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Miomas uterinos: o que deve saber

Cerca de um quarto das mulheres em idade fértil terá sinais detetáveis no exame clínico ou na ecografia pélvica, embora nem todas tenham sintomas.

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Miomas são tumores benignos do útero, também chamados de fibroleiomiomas. Crescem a partir das células musculares do útero e podem desenvolver-se para o interior ou exterior do útero ou estarem limitados à parede uterina

 

Tipo de miomas

– Submucoso -> cresce por baixo do endométrio

– Intracavitário -> cresce dentro da cavidade uterina.

– Intramural -> cresce no interior da parede uterina

– Subseroso -> cresce essencialmente na parte exterior do útero.

– Pedunculado -> cresce ligado ao útero por um pedículo.

 

Os miomas são muito comuns. Cerca de um quarto das mulheres em idade fértil terão sinais detetáveis no exame clinico ou na ecografia pélvica, embora nem todas tenham sintomas.

 

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Causa dos miomas

Embora a causa exata seja desconhecida, parece haver um gene (que controla o crescimento celular) que está implicado na formação dos fibroleiomiomas. Quando o gene funciona normalmente as células crescem normalmente. Quando o gene falha, as células crescem e dividem-se a uma taxa acelerada levando à massa celular que constitui o mioma. As hormonas sexuais (estrogénios e progesterona) afetam o seu crescimento. Quando os níveis destas hormonas diminuem na menopausa, muitos dos sintomas associados aos miomas diminuem. No entanto não é claro se as hormonas causam os miomas, pois as mulheres com altos níveis hormonais (na gravidez /que fazem anticoncepcionais hormonais) têm menor incidência mais tarde na vida.

 

Fatores de risco

Vários fatores influenciam o risco de ter miomas:

– Números de gestações -> mulheres com pelo menos uma gravidez de mais de 20 semanas têm um menor risco de desenvolver fibroleiomiomas.

– Anticoncepção oral -> o uso de pílula é geralmente um fator protetor (com a exceção do uso numa idade precoce 13-16 anos).

– Tabaco -> as fumadoras têm menos miomas (efeito hipoestrogénico do tabaco?).

– Alimentação -> grandes quantidades de carne vermelha aumentam o risco, o consumo de vegetais verdes diminui.

– Raça -> são 2 a 3x mais comuns nas africanas, aparecendo também de forma mais precoce e com maior gravidade.

 

Sintomas

Na maioria dos casos são de tamanho pequeno e não originam sintomas. Mas muitas mulheres podem ter sintomatologia significativa relacionada geralmente com o número, a dimensão e a localização dos miomas.

– Hemorragia uterina – os miomas podem aumentar a quantidade e a duração do fluxo menstrual, ou causar hemorragia intermenstrual, dependendo da localização do mioma.

 

– Peso e dor pélvica – variando de tamanho desde microscópicos a equivalentes a uma bola de basquete ou maiores, pressionam os órgãos adjacentes causando sensação de peso e massa abdominal equivalentes a uma gravidez. Podem também pressionar o reto ou a bexiga.

 

– Infertilidade e aborto – os miomas podem causar infertilidade de várias maneiras: podem pressionar as trompas de Falópio causando obstrução. Um grande mioma que distorce a cavidade uterina pode prejudicar a implantação do embrião, podendo também alterar o próprio suprimento sanguíneo do endométrio. Mesmo pequenos miomas podem comportar-se como corpos estranhos causando reação inflamatória, que prejudica a implantação.

 

– Complicações obstétricas – alguns miomas podem dificultar o trabalho de parto, condicionar mau posicionamento do feto, provocar rutura prematura de membranas e descolamento de placenta. Mas muitas mulheres com miomas têm gravidezes sem complicações com recém-nascidos saudáveis.

 

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Diagnóstico

Os miomas maiores podem ser sentidos no exame ginecológico de rotina, mas a maioria será diagnosticada na ecografia pélvica que permite visualizar os miomas mais pequenos, que podem não ser detetados no exame clínico, especialmente nas mulheres mais obesas.

Outros exames, como por exemplo a histerossonografia, a histerossalpingografia e a histeroscopia, podem também ser muito úteis e em alguns casos são mais eficazes do que a ecografia no esclarecimento da relação do fibroleiomioma com a cavidade uterina.

Outras duas formas de grande valia usadas para diagnosticar e estudar os miomas uterinos são: a Ressonância Magnética Nuclear e a Laparoscopia.

 

Texto elaborado com a colaboração do Dr. Miguel Tuna.

 

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