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Vasco Gaspar: «Cultivando uma mente mais centrada, com o mindfulness, tudo à minha volta mudou»

Já deu por si a fazer uma viagem de carro e não se lembrar do percurso? Já abriu o computador para enviar um email e acabou por passar uma hora sem enviar o tal email? É provável que não esteja a ‘viver’ no presente. Vasco Gaspar, perito em mindfulness, explica como conseguir ter uma vida mais plena através desta prática.

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Com que frequência se sente como se tivesse ligado o piloto automático e o corpo se mexesse sozinho nas várias situações, enquanto a cabeça está noutro lugar?  A solução para estas situações e para o frenetismo do quotidiano pode muito bem ser o mindfulness, uma técnica budista que pode converter-se na melhor arma contra a rotina e as ‘maleitas’ diárias.

 

«Gosto de dizer que é uma capacidade que nós já temos, ou seja, não é nada de novo que vamos buscar fora. É a capacidade de estarmos presentes no que está a acontecer no agora. É estar aqui, sem estar perdido em pensamentos do futuro ou lembranças do passado. Ter a mente e o corpo no mesmo sítio, algo que parece óbvio, mas que não fazemos na maior parte do tempo», é desta forma que Vasco Gaspar descreve o mindfulness.

 

Vasco Gaspar é licenciado em Psicologia do Trabalho, mas só isso já não lhe chegava e há mais de uma década que se dedica ao mindfulness. Certificou-se no Search Inside Yourself, o programa da Google que ajuda as pessoas a gerirem o stress e a serem mais produtivas. Quer saber como funciona? Leia a entrevista.

 

Veja também: Sintomas de depressão

 

Como é que o mindfulness surge na sua vida? Foi o Vasco que procurou esta prática?

O mindfulness surge na minha vida há mais ou menos 18 anos, quando ainda andava na faculdade. Sempre fui muito curioso e nessa altura comecei a ler alguns livros sobre meditação. Não era só a curiosidade que me movia, mas também o desejo de lidar com algumas emoções mais desafiantes (que fazem parte da experiência de sermos humanos), e de me poder conhecer melhor. Uns anos depois voltei a “encontrar” o tema no contexto da psicologia clínica e também do mindfulness aplicado às organizações e à liderança. Se até há mais ou menos 7/8 anos o tema da meditação “ia e vinha” e era procurado mais de um ponto de vista mental (ex. ler livros), depois dessa altura passou a fazer parte do meu dia-a-dia, integrado como uma prática, sendo que atualmente pratico mindfulness e outros tipos de meditação (ex. heartfulness) numa base diária. Digo até na brincadeira que vou todos os dias de férias pelo menos 1h por dia.

 

O que mudou na sua vida?

A nossa mente e a nossa atenção estão na base da maioria dos processos cognitivos e emocionais superiores. Nesse sentido, cultivando uma mente (e um coração) mais centrado, mais claro, mais presente, tudo à minha volta muda. Há 7/8 anos, por exemplo, a forma que eu tinha para lidar com o stress era com coisas como o tabaco (fumava 40 cigarros por dia – 2 maços) ou a comida (pesava mais 20kg). A partir do momento em que adquiri ferramentas mais “úteis” e mais saudáveis, as outras “caíram” por si.

 

Veja também: As posições de yoga e os seus benefícios

 

O mundo está cada vez mais frenético. Considera esta prática imprescindível para alcançar um estado de paz/tranquilidade?

Não diria imprescindível, mas acredito que pode ser uma ferramenta muito útil nesse sentido. Mas atenção que existem muitas outras complementares (ex. yoga, desporto, alimentação, etc.), pois o mindfulness também não é nenhuma panaceia. No entanto, são cada vez mais os estudos científicos que sugerem que este tipo de práticas pode ser muito útil não só para lidar com estados mentais mais desafiantes (ex. stress provocado por esse mundo frenético), mas também para estarmos mais produtivos, cultivarmos melhores relações e estarmos “melhor com a vida”.

 

Sempre que pode, aconselha esta prática às pessoas? Em que contextos?

Sim, desde que sejam pessoas que estejam saudáveis do ponto de vista mental. Caso não o estejam, sugiro que procurem um profissional (ex. psicólogo ou psiquiatra) para lidar com o seu caso. Há muitos estudos a mostrar que o mindfulness pode ser útil em casos como a depressão, estados de ansiedade, entre outros, mas há que ter em atenção que não é o mindfulness por si só que resolve a situação, mas inserido num contexto/protocolo específico, como são exemplos programas desenhados especificamente para esses casos (ex. MBCT – Mindfulness Based Cognitive Therapy, MSBSR – Mindfulness Based Stress Reduction, etc.)

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