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Mina de S. Domingos: regresso ao passado a céu aberto

Pouco mais de 50 anos passados da última extração das suas entranhas, este complexo mineiro em pleno Alentejo mantém-se aberto e sem uma reabilitação adequada. A vandalização subsequente ao abandono, a sua ruína e o tempo transformaram o local numa espécie de portal para o passado. O que criou um ponto turístico que atrai cada vez mais visitantes.

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Deixar os campos verdejantes e floridos da primavera alentejana e entrar no antigo complexo mineiro da Mina de S. Domingos, no concelho de Mértola, é quase como fazer uma passagem direta para outro planeta.

 

As terras vermelhas, os antigos edifícios abandonados, as águas amarelas e negras, os montes de terra negra, os socalcos, as escavações… tudo a céu aberto e possível de atravessar causa uma surpresa e estranheza imediatas. Há espaços tomados pela natureza e outos que nem 52 anos passados desde a última extração fizeram voltar a vida.

 

«A Mina de São Domingos faz parte da província metalogénica de classe mundial conhecida como Faixa Piritosa Ibérica, uma região com 30 a 60 km de largura e 240 km de comprimento que se estende desde o rio Sado e Setúbal (Portugal) até ao rio Guadalquivir e Sevilha (Espanha) e se constitui como uma fonte decisiva de metais básicos (Cu, Zn, Pb, Sn, Ag, Au, Fe, Co, Cd, etc.) e de outros elementos como o enxofre (S)», explica a Fundação Serrão Martins, uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é a proteção, a conservação, a valorização e a divulgação dos valores patrimoniais da Mina de São Domingos e do seu complexo mineiro.

 

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Em atividade entre 1854 e 1966, dos jazigos da Mina de S. Domingos saíram neste período mais de 20 milhões de toneladas de minério, principalmente cobre, zinco, chumbo e enxofre, explorados pela empresa britânica Mason & Barry, que trouxe à região um lifestyle inglês que contrastou na altura com as gentes da terra.

 

Foram 112 anos que ajudaram a moldar um território, tendo sido um dos principais empregadores da região, com implicações económicas, sociais, mas também ambientais. E estas últimas são as que perduram até hoje nas imediações da mina, com destaque para as águas ácidas que por lá ainda persistem. Veja o vídeo abaixo e as fotos na galeria acima.

 

 

«A Mina foi a maior exploração mineira portuguesa até à década de 1930, com uma força laboral continuamente superior a um milhar de trabalhadores até perto do seu encerramento. Na Mina de S. Domingos construiu-se, por exemplo, uma das primeiras linhas férreas do país, para fazer a ligação entre a Mina e o antigo porto fluvial no Pomarão, que permitia o escoamento do minério através do rio Guadiana. Recebeu também a primeira central elétrica do Alentejo. Para além disso, sustentada pela atividade mineira, existia uma sociedade local dinâmica e com acesso a vários serviços, como um teatro ou um hospital», explica a Fundação Serrão Martins.

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