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Miguel Vieira: “Cada vez mais as pessoas procuram roupa de homem com tecidos de alta qualidade”

O designer apresenta pela primeira vez a coleção Miguel Vieira Man, na Moda Lisboa, este fim de semana. Numa entrevista no intervalo dos últimos preparativos, Miguel Vieira fala sobre o seu trabalho e sobre o orgulho que sente na etiqueta 'Fabricado em Portugal'.

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Miguel Vieira nasceu em São João da Madeira, em 1966, onde ainda mantém o atelier. Com vinte anos, iniciou o seu percurso no mundo da moda e, apenas dois anos depois, apresenta a primeira coleção com o seu nome. Ao longo de quase três décadas de carreira, Miguel Vieira fez a sua marca crescer para várias áreas: vestuário feminino e masculino, acessórios, casa e, mais recentemente, vestuário de criança. O designer apresentou as suas coleções em algumas das mais importantes semanas da moda do mundo, participou em inúmeras feiras internacionais, foi galardoado com dois Globos de Ouro, aceitou o convite do Biography Channel para realizar a sua biografia e foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Não esconde o orgulho que sente em Portugal e no projeto da sua vida.

Quais as expetativas para esta primeira apresentação da marca Miguel Vieira Man na Moda Lisboa?

Há uns anos atrás, já tinha apresentado no Portugal Fashion as coleções feminina e masculina juntas. Mas achei este convite da Moda Lisboa simpático,  porque assim as pessoas podem focar-se em cada uma das coleções separadamente. Nalguns países fazem a semana da moda de mulher e homem separadamente mas, como isso não acontece em Portugal, achei que ter os dois desfiles separados era uma boa ideia.

Sente que o público masculino português está mais recetivo à moda e ao design?

Sinto sobretudo que, hoje em dia, existe uma grande separação de águas. E, no meu caso, sinto que há uma grande apetência do público em relação a todas as minhas coleções, seja de roupa, acessórios ou até criança.

Como é o cliente Miguel Vieira Man? O que é que ele procura nos seus produtos?

É um homem que dá muito valor às matérias-primas, tal como eu. Ao longo destes anos tenho tentado especializar-me nos fatos de homem e aqui há um público muito exigente. Em Portugal, cada vez mais as pessoas procuram roupa de homem com tecidos de alta qualidade e esse é o marco que tenho deixado, trabalhando apenas com tecidos de grande qualidade como Cerrutti ou Zegna.

Em comparação com a construção de uma coleção feminina, muda alguma coisa no seu processo? O enfoque passa a estar numa característica diferente da peça final?

O foco está sempre na elegância, na qualidade dos tecidos, no corte, na sobriedade, na imagem clean, sendo uma coleção masculina ou feminina. Mas a grande importância está sobretudo nos tecidos e cortes. E depois a preocupação com os pequenos detalhes, que muitas vezes não são imediatamente visíveis, detalhes como os forros das peças, que são personalizados e transmitem mensagens. Por exemplo, nesta coleção os forros são alusivos a monumentos importantes de Portugal. São estes detalhes que as pessoas vão descobrindo e, aos poucos, as fazem apaixonar-se pela marca.

A marca Portugal é muito popular atualmente. Não só no turismo mas também no design, que tem ganho outra dimensão. Sente isto?

Apesar desta portugalidade se estar a sentir agora, é algo que tem vindo a ser desenvolvido e trabalhado ao longo de muitos anos. No meu caso, posso dizer que vou a feiras internacionais há muitos anos e nunca abdiquei da etiqueta ‘Fabricado em Portugal’, nem sequer usei o ‘Made in Portugal’. Lembro-me de, há uns anos atrás, em feiras internacionais, as pessoas gostarem dos meus artigos e comprarem-nos. Quando perguntavam a origem e sabiam que vinha de Portugal, rasgavam a nota de encomenda à minha frente. Obviamente foi necessária muita persistência da minha parte, assim como de outras pessoas e marcas de design e hotelaria, por exemplo. Tivemos sempre um foco muito grande para que Portugal pudesse crescer e, agora, estamos a colher os frutos do que semeámos. Ainda não é uma colheita farta, mas já é alguma coisa.

Era um objetivo chegar a este ponto?

O investimento foi feito ao longo dos anos, com presença em feiras e eventos de moda internacionais. Quando apresento uma coleção num país como a Polónia ou Sérvia, por exemplo, não é só a minha coleção que está ali, mas, por arrasto, todo o conceito do que é Portugal. Depois, nas entrevistas, é inevitável e um orgulho muito grande poder explicar às pessoas como é o meu país. Um estilista é um embaixador. E isto foi algo que sempre quis: criar a minha marca e saber que, com ela, fiz alguma coisa para o crescimento do meu país.

 

Por Joana de Sousa Costa

 

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