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Manon Rosenboom Alves: “Quem sabe qual é a sua marca, sente e transmite mais confiança”

A consultora tem ajudado clientes particulares e empresas a encontrar a sua marca pessoal através da empresa Colour me Beautiful Portugal, que fundou em 2008

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Manon Rosenboom Alves chegou a Portugal em 1995, depois de se encantar com o país durante um intercâmbio de Erasmus. A holandesa licenciou-se em Gestão na Área da Saúde e fez uma pós-graduação em Marketing e Negócios Internacionais. Mas foi o curso de Consultoria de Imagem da Colour me Beautiful, em Londres, que definiu a sua carreira. Em 2008 fundou a Colour me Beautiful Portugal e, desde essa data, a consultora tem ajudado muitos clientes particulares e empresas nacionais e internacionais a potenciarem os seus recursos. Conversamos com Manon a propósito dos workshops de marketing pessoal e imagem profissional que a consultora leciona pelo país.

(Não perca as dicas da especialista na galeria “Construa a sua marca pessoal“)

O conceito de marca pessoal está cada vez mais presente. Pode explicar-nos exatamente o que significa?
Existem várias definições de marca pessoal mas a essência do marketing pessoal reside no facto de saber como distinguir-se dos outros, saber como criar a imagem certa de como quer ser percebido. No fundo, os conceitos não são muito diferentes do que do marketing para as empresas, onde o sucesso de um produto também é resultado do fator diferenciador que este produto tem comparado com os seus concorrentes e com o qual ficou conhecido. Trata-se aqui também do conteúdo, embalagem e modo de promoção.

No fundo sempre se trabalhou a marca pessoal mas agora há uma teoria que esquematiza a melhor forma de o fazer. É assim?
Sim, sempre foi importante saber quais são os nossos valores e pontos fortes e como podemos tornar-nos especialistas numa determinada área e sempre soubemos que networking é essencial para poder chegar ao nosso grupo alvo. No entanto, ao seguir uma determinada metodologia, tudo se torna mais profundo e claro, e este trabalho estruturado de auto-conhecimento ajuda-nos de forma mais fácil e mais rápida a saber onde nos devemos concentrar e como chegar lá. Neste mundo tão competitivo e com muito desemprego a nível global, saber qual é a sua marca pessoal torna-se ainda mais importante.

Que pessoas podem usufruir melhor deste trabalho?
Não há grupos específicos para os quais o marketing pessoal seria mais adequado. Cada fase da nossa vida exige uma reflexão sobre se estamos a fazer aquilo que é certo para nós e que nos faz felizes. O ponto de partida é este: ‘Estamos a fazer aquilo que gostamos mais e que sabemos fazer bem? E temos a imagem certa para ser reconhecidos por isso?’ Se as respostas são um não, não podemos ser excelentes. No entanto, posso dizer que este trabalho de definir a marca pessoal é importante para quem se lança no mercado laboral e que ainda tem pouca experiência. Os fatores diferenciadores podem ser poucos e há que saber como mostrar o seu valor. Também é crucial para quem quer redefinir a sua vida profissional ou lançar o seu próprio negócio. A marca pessoal inclui também a forma de estar, o comportamento certo para cada situação.

Qual diria ser a regra fundamental na definição de uma marca pessoal?
A regra fundamental é conhecer-se a si próprio. Como Sócrates já dizia: ‘Conhece-te a ti mesmo’. Inerente a isto, é importante conhecer com profundidade as suas paixões, os seus valores e pontos fortes, para saber como fazer algo diferente dos outros e criar a imagem certa para transmitir isto para o mundo.

A marca pessoal deve ser o mais fiel possível à pessoa ou pode ser uma espécie de alter-ego?
Todos nós nascemos com as nossas qualidades únicas. E com estas, que estão ligadas àquilo que mais gostamos de fazer, a marca pessoal já está criada. Pode estar (ainda) adormecida mas já existe dentro de todos nós. Se a marca pessoal é algo que aspira mas não tem as bases, os conhecimentos ou a experiência relevante, rapidamente vai ser descoberto e a pessoa ficará prejudicada por muito tempo. Por outro lado, se temos já muita bagagem mas o nosso ponto fraco reside na divulgação, ou seja ser reconhecido como especialista numa determinada área, aí pode ajudar pensar numa espécie de alter-ego pois não está a inventar o seu conteúdo.

Este trabalho de construir a marca pessoal torna as pessoas menos autênticas e espontâneas?
Não concordo. Quem sabe qual é a sua marca, sente e transmite mais confiança. E esta confiança permite uma atitude mais autêntica e espontânea, que faz que as pessoas tenham vontade de estar perto de si.

A marca pessoal deve ser usada em todas as facetas da nossa vida?
Sim, e devia ser algo natural. Se não acontece de forma natural, não está a ser autêntico e qualquer ‘conflito’ encontrado pode enfraquecer a sua marca pessoal. Posso dar um exemplo do meu trabalho. O que me dá mais gosto e o que considero o coração do meu trabalho enquanto consultora de imagem é ajudar as pessoas a sentirem-se confiantes e bonitas. Recebo muitas vezes mulheres nas consultas individuais de imagem que querem saber como vestir-se melhor com tamanhos acima dos tamanhos que só as modelos têm. Abordo sempre a importância da auto-aceitação e o amor pelo corpo que têm, pois cada corpo tem os seus aspetos bonitos. Ora, se eu na vida privada só estivesse preocupada com dietas, se ambicionasse ter um tamanho 36 e só seguisse as tendências da moda, não estaria a mostrar uma congruência entre a vida profissional e particular e certamente prejudicava a minha marca pessoal.

De que forma a marca pessoal é usada no dia a dia?
É usada em todo o contacto que temos com o mundo. Comunicamos a nossa marca pessoal quando estamos a andar na rua, pela forma como estamos vestidos, quando estamos a falar com os nossos amigos e familiares, quando estamos a fazer networking, quando vamos a uma conferência ou quando estamos a comunicar nas redes sociais. Tudo o que mostramos e comunicamos influencia a nossa marca pessoal.

E de que forma se constrói uma imagem profissional coerente com a marca pessoal?
Quando sabe como pode distinguir-se dos outros ou quais os valores que são importantes para comunicar a sua marca, os aspetos importantes da imagem profissional são mais fáceis de definir também. Por exemplo, se a criatividade é algo importante no trabalho de alguém, pode-se também mostrar este elemento na imagem através da escolha de certas combinações de cores, um determinado corte de cabelo, modelo de óculos ou acessórios.

Quais são os pontos mais importantes a ter em conta na imagem profissional?
Há que respeitar sempre o que é esperado de uma determinada profissão para não afetar a sua credibilidade. No entanto, pode e deve sempre pensar em formas de criar diferentes, algo que faz as outras pessoas reparar em si. Em algumas profissões isto é mais fácil do que noutras, mas também a forma como fala, se tem uma conversa interessante, se tem humor, faz parte da sua marca e imagem. No que respeita ao vestuário, é importante conhecer o seu corpo para usar roupas, cores e acessórios que favorecem a sua morfologia e coloração, e que realmente têm a ver consigo para transmitir confiança.

Há uma ideia de que estes conceitos só fazem sentido para quadros superiores de empresas. De que forma o trabalhador comum pode usufruir deste trabalho?
Qualquer pessoa que sinta que não consegue crescer mais ou que pretenda fazer alguma mudança ganha muito em definir ou redefinir a sua marca pessoal. Não é algo estático, está sempre em mudança.

Quanto tempo geralmente trabalha com um cliente na definição da sua marca pessoal?
Os workshops onde se trabalha no plano de marketing pessoal e a imagem têm por norma uma duração de um dia. No entanto, para algumas pessoas, certos exercícios podem precisar de mais tempo porque estas nunca pensaram sobre certos aspetos acerca da sua pessoa. Aqui o ideal é fazer várias sessões para haver tempo de reflexão entre as sessões (em grupo ou a nível individual) e treinar a comunicação verbal.

O que é que as pessoas podem esperar destes workshops?
Os nossos workshops dão acesso a conhecimentos que são válidos para a vida inteira. Especialmente quem nunca pensou muito sobre este assunto, sente que se abre um mundo novo. Se se conhecer melhor a si mesmo e se conhecer os elementos ligados à imagem pessoal, depois será mais fácil fazer certas escolhas na vida pessoal, profissional e nas lojas. Além de muitos exercícios e interação, haverá sempre momentos de diversão pois sem alegria e boa disposição não há uma aprendizagem eficaz.

Pode nomear um exemplo de alguém com uma marca pessoal bem trabalhada?
Algumas figuras públicas que na minha opinião têm uma marca pessoal forte são Michelle Obama, José Mourinho, Madonna, Mark Zuckerberg e Frida Kahlo. São ‘marcas´ bem sucedidas porque o seu interior, ou seja, aquilo que é importante para elas, e as suas qualidades únicas correspondem com a sua mensagem (a forma como falam, se vestem, etc). São pessoas que mostram autenticidade e consistência.

Qual o maior desafio neste trabalho?
É dar continuidade ao trabalho iniciado. A criação de uma marca pessoal forte e positiva não se faz num dia. Há que pensar em como a construir e promover todos os dias através dos meios disponíveis. Mas quando se têm as raízes que damos nas formações, será mais fácil e entusiasmante continuar a trabalhar a sua marca pessoal, única e intransmissível.

Não perca as dicas da especialista na galeria “Construa a sua marca pessoal“.

Por Joana de Sousa Costa

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