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Mãe, posso sair à noite?

Há um dia em que eles olham para os pais e perguntam se já podem sair à noite. A adolescência é um processo de construção de identidade, autonomia e, acima de tudo, é inevitável. Este é um dos maiores desafios parentais, que, mais tarde ou mais cedo, irá chegar.

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A adolescência é, por si só, uma nova e importante etapa na vida de qualquer pessoa. Com esta fase surge algo mais:  os adolescentes querem e começam a sair à noite. Mas, para quem é mãe ou pai, este pode ser um motivo de preocupação.

 

Assoma-se então a seguinte questão: Há uma idade certa para deixar os filhos saírem à noite? Para Paulo Vitória, psicólogo e terapeuta familiar, a resposta a esta pergunta deve ser dada a partir de dois princípios importantes nas relações humanas e na educação: «Bom senso e cada caso é um caso».

 

Este fenómeno a que a sociedade chama de adolescência é um conceito moderno resultante de uma interação social entre a vida em sociedade e a biologia. Na era industrial, não havia adolescência. E a sociedade está em constante aprendizagem acerca deste fenómeno, em especial os pais, no que concerne ao exercício da parentalidade.

 

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Muitos especialistas consideram este um dos maiores desafios que os pais têm de enfrentar na educação dos filhos. «A adolescência é um fenómeno muito complexo. Não há dois adolescentes iguais. O desenvolvimento acontece em ritmos desfasados em dimensões essenciais do ser que está em construção», esclarece o psicólogo.

 

Se, por um lado, o físico se desenvolve mais cedo, o lado emocional desenvolve-se cada vez mais tarde. «Os adolescentes podem ter um corpo de adulto e cérebro de criança. Por isso, cada caso é um caso. Mas ninguém conhece melhor os adolescentes do que os seus pais».

 

Apesar de todas as dificuldades que a adolescência provoca, é essencial que os pais não abandonem o seu poder parental para que os filhos cresçam em segurança e sejam adultos fortes e saudáveis. Paulo Vitória defende a importância dos pais resistirem à tentação de serem os amigos mais velhos, em vez de serem mãe ou pai. A idade mais certa para deixar os filhos sair à noite deve, portanto, resultar do bom senso dos pais. «Os pais devem assumir, tranquilamente, que essa idade pode não ser a mesmo para filhos diferentes, porque não há dois adolescentes iguais».

Não obstante, é fundamental estabelecer algumas regras para as saídas noturnas. Uma das consequências da imaturidade é a dificuldade em cumprir regras de modo autónomo e «é uma obrigação dos pais. No caso das saídas noturnas, definir regras é fundamental por questões de educação e de segurança», aponta Paulo Vitória, professor na Universidade da Beira Interior.

O psicólogo aponta algumas regras de ouro a serem impostas: definir horas para chegar a casa, telefonar aos pais em qualquer situação de emergência (melhor se for de pré-emergência) e informar para onde vão e com quem vão. O valor da segurança sobrepõem-se ao valor da liberdade, algo que para os adolescentes ainda está em fase de aprendizagem.

 

Como se costuma dizer , ‘as regras existem para serem quebradas’. Este é um risco que se corre, mas «faz parte do papel parental definir regras e exercer autoridade», garante Paulo Vitória. Quando o seu filho quebrar uma dessas regras veja a situação como uma oportunidade de educar. Na maioria dos casos, não é grave, mas não pode ser ignorado. As consequências dependem novamente do bom senso e do caso em questão. Se, por exemplo, o adolescente chegar a casa alcoolizado (grave) poderá impor que não está autorizado a sair à noite no próximo mês ou algo do género».

 

Em caso de pais divorciados, as regras devem ser definidas por aquele que tem o filho a seu cargo. «Os pais devem resistir a eventuais tentativas de manipulação dos filhos adolescentes, (…) são um risco para o sucesso do processo educativo. Por exemplo, se o filho diz ao pai que a mãe o deixa sair até às 3h da manhã, o pai deve responder que na sua casa quem define as regras é ele próprio e que o filho deve adaptar-se a essa situação», aconselha Paulo Vitória.

 

 

 

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