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Madeira, a ilha que nos desperta os sentidos

Frutos exóticos que atraem o olhar, flores que seduzem o olfato e o tato, produtos endógenos que trazem frescura ao nosso paladar… e tudo isto abraçado por uma natureza tranquila que é Património da Humanidade. Os cinco sentidos ficam despertos nesta ilha onde a primavera parece acontecer durante todo o ano. E este ano até tem a Festa da Flor em outubro.

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«Sinta só o cheiro do nosso limão», diz-nos com orgulho Graça Lopes, guia oficial, ao apresentar-nos ao nariz um fruto grande e muito amarelo, cujo aroma cítrico trespassa a ainda obrigatória máscara. Logo de seguida dá-nos a provar a banana-maçã, o primeiro dos inúmeros frutos exóticos que iriamos descobrir nessa manhã, no Mercado dos Lavradores, no centro do Funchal, ao mesmo tempo que nos desperta a curiosidade as pitayas exuberantes, as várias variedades de maracujá, o fruto delicioso – que se diz saber a todos os frutos – as pequenas e doces mangas, etc..

 

Até as cenouras parecem ter outra cor e sabor nesta ilha. São pequenas, de um laranja vivo e muito doces. E, claro, não esquecendo as famosas bananas da Madeira, cujas plantações se encontram por toda a ilha e com elevada expressão no mercado. Um autêntico festival de cores e sabores, de fruta, legumes, peixe e flores, que faz deste mercado um ponto de passagem obrigatório para quem visita a ilha.

 

Mas o que explica toda esta riqueza de cores e sabores? É uma ilha rica em água e com temperaturas amenas, que oscilam entre os 25° C no verão e os 17° C no inverno, e uma humidade moderada.

 

A Madeira está inserida na região da Macaronésia, que integra também os Açores, Canárias e Cabo Verde, e que se caracteriza pela riqueza e particularidade dos seus recursos botânicos. Devido à sua localização geográfica, esta região tem condições ecológicas singulares para reunir uma elevada diversidade de espécies e de comunidades vegetais únicas no planeta, sendo considerada como um dos centros de biodiversidade mais importantes a nível mundial.

 

É também na região norte desta ilha que se encontra a Floresta Laurissilva, a floresta húmida endémica da Macaronésia, que tem na ilha portuguesa a sua major expressão e, como tal, foi considerada Património da Humanidade, em 1999, pela UNESCO. Composta por loureiros, til, urzes, folhados, uveira da serra, barbuzano, fetos, entre outras, a floresta ocupa 20% da ilha e está protegida por legislação regional, nacional e internacional.

 

Imersão na natureza

A Laurissilva é uma floresta produtora de água, daí terem aqui sido criadas levadas que captam a água e canalizam-na montanha abaixo. Descobri-la é um passeio imperdível para quem visita a ilha, mas que deve ser feito com guia, uma vez que se calcula que existam cerca de 2500 km de levadas com caminhos interligados que facilmente confundem os visitantes.

 

Uma das mais conhecidas é a Levada do Risco, localizada a 900m de altitude. Para lá chegar, é preciso ir de carro até ao cimo da montanha e fazer depois a passagem a pé pelos 800 metros de caminho escuro e húmido do Túnel da Estrebaria, que liga a zona sul à zona norte da ilha.  Atravesar este relativamente pequeno túnel é uma experiência interessante, por si só.

 

Aí chegados, encontra-se a Laurissilva com toda a sua flora e fauna. O silêncio é cortado pelo correr da água das levadas ou pelo piar de um dos pássaros endémicos. De relativo fácil acesso, esta levada leva-nos à Cascata do Risco, uma belíssima queda de água a que nenhuma foto ou vídeo faz justiça. A imersão nesta natureza não é possível de descrever. «Toda a zona do Vale do Rabaçal, onde estão as levadas do Risco e das 25 Fontes, é das mais procurada pelos turistas, por isso convém vir bem cedo ou mais ao final da tarde», adverte Eduardo Macedo, guia de montanha, a quem queria explorar estes caminhos.

 

Para além de descobrir a floresta caminhando pelas levadas, pode fazer muitas outras atividades de natureza na ilha, desde BTT, canyoning, escalada, observação de aves e, no mar, observação de golfinhos e baleias, mergulho, surf, etc.. Descubra neste link todas as atividades.

 

De teleférico até ao Monte

A natureza é de facto o ex-líbris da Madeira, inclusive na zona urbana. Regressados ao Funchal, temos como destino o Monte Palace Madeira, cujo jardim ocupa uma área de 70 mil m2 e alberga uma abundante coleção de plantas exóticas provenientes dos quatro cantos do mundo.

 

Mas, para lá chegarmos, apanhamos na zona velha do Funchal o teleférico até ao Monte, que nos permite observar de cima o anfiteatro que é a baía do Funchal.  À medida que se sobem os 550m de percurso, o ambiente da cidade é substituído por encostas verdejantes, montes e vales, numa viagem que tem o mar como pano de fundo. E já que falamos de teleféricos, saiba que existem oito na ilha. E se quer uma vigem com mais adrenalina, procure o teleférico das Achadas da Cruz, onde uma descida a pique pela encosta até ao mar pode acelerar um pouco os batimentos.

 

Neste percurso temos como destino o Monte Palace Madeira, onde, aí chegados, no meio de uma abundante flora com diferentes cores consoante a época de floração, descobrimos a céu aberto a História de Portugal em 40 painéis de azulejos, da autoria de Alberto Cedrón. Cada painel reúne os principais acontecimentos de cada reinado ou república, desde D. Afonso Henriques até à entrada de Portugal na CEE.

 

Ainda a céu aberto, destaque também para um painel com 166 placas em terracota que contam a aventura dos portugueses no Japão. As cores vibrantes usadas pelo artista, Cedrón, produzem um efeito que se impõe ao verde circundante, onde se destacam também inúmeras estátuas orientais, como budas, dragões e pagodes.

 

Neste jardim, onde consegue facilmente passar um dia inteiro a observar toda a sua riqueza natural e artística, pode encontrar também duas exposições permanentes.  A “Paixão Africana” mostra parte de uma coleção de escultura contemporânea do Zimbabué com mais de 1000 esculturas expostas em estacas. A exposição “Segredos da Mãe Natureza” compila minerais, como quartzos, ametistas, turmalinas e também diamantes, dispostos em cavidades, que simulam o ambiente de formação dos minerais nas profundezas do planeta.

 

Ainda no jardim Monte Palace Madeira, junto ao grande lago, pode observar o maior vaso do mundo, segundo o Guiness, arcos de pedra, portais e janelas do séc. XIX tipicamente portuguesas, que contrastam com a vegetação e adornam os passeios.

 

Está jagora na hora de descer até ao centro e nada melhor do que fazê-lo nos típicos carrinhos de cesto. Estes carrinhos foram criados, no século XVIII, para transportar mercadoria entre o Monte e o Funchal, mas no século XIX foram aproveitados para transporte rápido de turistas e locais. Atualmente o percurso tem 2km e faz-se em cerca de 5 minutos. A viagem é divertida e emocionante, confirmamos.

 

Gastronomia & companhia

A gastronomia é outro ponto forte da Madeira, onde imperam as famosas espetadas em espeto de loureiro, receitas de atum e peixe espada, acompanhados de batata doce ou milho frito, não faltando, claro, as famosas lapas e o bolo do caco com manteiga de alho. Tudo de fazer crescer água na boca.

 

Deixamos como sugestão uma passagem pelo Pátio das Babosas, no Monte, onde um filete de peixe espada grelhado, com batata-doce com mel de cana e legumes nos arrebatou o paladar. Para uma verdadeira imersão, peça um vinho, cerveja ou refrigerante produzidos na ilha.

 

Se estiver na ‘zona baixa’, pode passar pelo Il Vivaldi e pedir um filete de bodião, um peixe que se encontra facilmente na costa da Madeira, para continuar a usufruir dos paladares da ilha. Se quiser algo mais rápido, experimente a Casa do Bolo de Caco, onde pode comer rapidamente este pão típico com diferentes recheios, ou procure junto ao mercado pelas sandes de carne de vinha de alhos, de espada ou de atum. Para uma mais profunda imersão, aventure-se na mesma zona pelo típico gaiado seco e salgado como petisco e regado a poncha.

 

VEJA TAMBÉM: AMAR, BEBER E COMER COM SABOR A MARESIA

 

Em 2021, um ciclo de experiências de gastronomia surgiu para dar a conhecer os produtos mais tradicionais madeirenses que por vezes ficam esquecidos. O ciclo ‘ABC – Amar, Beber e Comer’, que decorre mensalmente de maio a outubro, apresenta aos comensais imersões gastronómicas, sensoriais e culturais num lugar surpresa e inusitado do arquipélago da Madeira. O primeiro ciclo decorreu na Madeira e Porto Santo e prepara-se agora para trazer a gastronomia madeirense para Portugal Continental.

 

A última edição de 2021, que teve lugar a 2 de outubro no Farol da Ponta do Pargo, apresentou escabeche de miudezas de peixe espada, massada de peixe, moelas de peixe e, para sobremesa, pavlova desconstruída. Tudo servido em pratos Vista Alegre e regado a vinhos João Portugal Ramos.

 

Em 2022, o ciclo regressa de maio a outubro para mais edições supresa, mas sempre a celebrar a cozinha típica da Madeira, preparada com um simples fogão de campanha ou numa panela de ferro pelas mãos de conceituados chefs nacionais e internacionais.

 

Festas e compras

Uma das principais atrações anuais da Madeira é a Festa da Flor, que decorre normalmente na primavera. Devido à pandemia, este ano decorre em outubro. A cidade é decorada com tapetes de flores nas principais praças. Já a Exposição da Flor mostra os mais belos exemplares de flores produzidos em toda a ilha, sendo distinguidas as mais belas por um júri no final da festa.

 

Mas o ponto alto da festa da Flor é mesmo o Cortejo Alegórico da Flor, quando a baixa do Funchal é invadida por carros alegóricos decorados com flores e centenas de figurantes dançam para celebrar as inúmeras espécies da região.

 

A ilha é também muito procurada por altura do Carnaval e da Passagem de Ano, onde a baía do Funchal é iluminada com um dos maiores fogos de artificio de Portugal.

 

Vale a pena também fazer um roteiro pela Baixa do Funchal e encontrar algumas das lojas centenárias que ainda por lá persistem. A Casa Chinesa e a Pharmacia Portugal são exemplos de espaços que ainda mantém a sua traça original, onde se pode fazer uma espécie de viagem ao comércio do passado da ilha da Madeira.

 

De salientar a Fábrica de Santo António, na Travessa do Forno. Esta fábrica de doçaria madeirense labora desde 1893 e é um exemplo de como a tradição consegue vingar na modernidade. Para além das receitas tradicionais de broas, bolos de mel e rebuçados de funcho, esta fábrica oferece também uma gama de sabores de bolachas para chegar a cada vez mais públicos.

 

Estas lojas têm uma placa identificativa ‘Lojas com História’ e um QR Code onde pode obter mais informações sobre as mesmas.

 

Veja imagens de todas estas sugestões na galeria de fotos no início do artigo.

 

 

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