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Má (drasta) ou Boa (drasta): qual o papel das madrastas?

A madrasta não é uma vilã de um filme, mas sim uma pessoa com qualidades e defeitos que ingressou numa família que se está a adaptar a uma nova realidade.

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Desde muito cedo que somos bombardeados com crenças em relação às madrastas. Vários filmes e contos de fadas da nossa infância caracterizam as madrastas como as más da fita, cruéis, verdadeiramente “malvadas” e muito temíveis.

 

Mas são as madrastas malvadas? Dão-nos maçãs envenenadas e trancam-nos em torres? Claro que não! A madrasta não é uma vilã de um filme, mas sim uma pessoa com qualidades e defeitos que ingressou numa família que se está a adaptar a uma nova realidade, com a ansiedade e receio que toda esta nova situação acarreta.

 

No entanto, a maior parte dos filhos associa a chegada da madrasta com a causa do divórcio dos pais.  A dicotomia entre o que é uma mãe (amor, carinho, ternura) e o que é uma madrasta (falsidade, ciúmes, frieza) leva a uma idealização do papel de madrasta. Esta dicotomia pode influenciar o comportamento face a este novo membro familiar e dificultar a sua adaptação.

 

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É fundamental pois desconstruir estas crenças e olhar de uma forma mais positiva e compreensiva para este novo elemento da família. Tenha em mente que ao existir um bom ambiente familiar entre todos os membros, incluindo a madrasta, as crianças e os jovens vão aprender a lidar de uma forma mais saudável com aquilo que sentem e a superar a separação, criando crenças mais adaptativas em relação ao divórcio e à relação dos seus pais.

 

É por isso fundamental que a relação com a madrasta e enteado seja pautada pelo respeito mútuo e pela empatia. Respeito para perceber que a adaptação a um novo elemento é um processo, pautado por avanços e recuos, empatia, para saber esperar, compreender o sentir do outro e aceitar as suas ideias e pontos de vista.

 

É importante que a madrasta encontre uma forma de desempenhar o seu papel sem colidir com o papel ocupado pela mãe ou pai biológicos. Nem sempre é fácil a inclusão de um novo membro, pois pode entrar em choque com a dinâmica familiar, as tradições, regras e a história prévia. Aliás, pode mesmo ser vista como uma ameaça aos papeis familiares previamente estabelecidos, principalmente pelos filhos pelo que saber esperar, será a sua melhor virtude.

Cabe ao pai explicar o papel deste novo elemento, dando segurança às crianças e respondendo às suas dúvidas e receios. É natural ter de explicar várias vezes, faz parte do processo. O desconhecido gera ansiedade e a criança depois do divórcio, já por si, uma mudança, terá que se adaptar a mais uma mudança. À madrasta cabe o papel de gostar, de respeitar e fazer-se respeitar, de educar sem medo, sabendo que não é mãe da criança, mas que também nunca o pretendeu ser, minimizando assim qualquer tentativa de desafio de autoridade, tão frequente.  A madrasta não pode ter medo de educar pois faz parte desta nova família, portanto terá de o fazer. Não pode cair no erro de querer agradar a todo o custo a criança, perdendo assim todo a sua autoridade, nem de querer rapidamente ser amiga e confidente da criança. Recordo que a aproximação deve ser lenta, estruturada, pensada e adaptada aos comportamentos que a criança vai manifestando acerca deste novo elemento.

 

Obviamente que chantagens, faltas de respeito, invasões de privacidade, questionamento dos valores e criação de conflitos deliberados são completamente proibidos quer pela madrasta, quer pela criança. A madrasta é um adulto e como tal, deve portar-se como tal, a criança como criança que é tem de ter consequências sempre que o seu comportamento seja desadequado.

 

O papel de madrasta passa assim por complementar o dos pais, e nunca de os substituir. E para que este papel seja aceite pelos familiares é importante que ambos os pais reconheçam o papel da madrasta e não o anulem. De facto, a ajuda dos pais é fundamental para a criação do vínculo positivo entre madrasta e enteados. A preparação dos filhos para a situação é fundamental, e esta passa por explorar as questões que levaram ao divórcio e os benefícios que este poderá trazer, os papeis que cada um tem no seio familiar, assim como os limites e regras.

 

Está nas mãos dos adultos transformar a Madrasta numa Boa(drasta)!

Pense nisso!

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