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Lynne Archibald: “Cancro já não significa morte”

'Outubro Rosa' é o nome da iniciativa internacional que visa, durante este mês, sensibilizar para a importância do diagnóstico precoce do cancro da mama. Lynne Archibald é uma das fundadoras e a atual presidente da Laço, que nasceu com o objetivo de alertar a população para esta luta.

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O cancro da mama é ainda o tipo de cancro mais comum nas mulheres em Portugal. Anualmente, surgem mais de 5 mil novos casos, que vêm mostrar que o diagnóstico precoce é uma das mais eficazes armas contra a doença. A Laço tem vindo a sensibilizar para a prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro da mama, sobretudo através da realização de eventos e da angariação de fundos e patrocínios.

As portuguesas estão mais sensibilizadas para a luta contra o cancro da mama?

Desde 2000, data em que foi criada a Associação Laço, tenho verificado que as atitudes em relação ao cancro em geral e especificamente ao cancro da mama têm mudado muito. As pessoas sabem que cancro já não significa morte e que é importante falar sobre o tema. Também compreendemos que somos atores nesta luta – antes, durante e depois do diagnóstico. Temos que fazer tudo para ter opções de vida saudáveis e, se tivermos uma doença, temos que ser parceiros durante e após o processo de tratamento.

Quais as medidas preventivas básicas que a Laço aconselha?

Fazer exercício regularmente; manter um peso saudável e uma dieta variada, rica em frutos e vegetais; reduzir o mais possível o consumo de álcool; não fumar; visitar o seu médico para um exame clínico da mama uma vez por ano; participar no Programa de Rastreio do Cancro da Mama (se o Programa ainda não chegou à sua zona, peça ao seu médico para fazer uma mamografia de 2 em 2 anos, a partir dos 45 – 50 anos); conhecer a sua mama e aprender o que é normal ou anormal no seu caso e, sempre que notar alguma anomalia, consultar o médico.

Qual é o papel da Laço nesta batalha?

Temos tido um papel concreto na aquisição de equipamentos de rastreio e tratamento e, mais recentemente, temos apoiado a investigação e criámos a Bolsa Laço. Desempenhamos também um papel muito importante como fonte de informação, queremos contribuir para aumentar a literacia na área da saúde dos portugueses através do nosso site, dos nossos livros e e-books e do nosso Facebook.

Quer falar-me um pouco mais da Bolsa Laço?

Em 2012, a Laço lançou a primeira Bolsa Laço, uma bolsa de investigação anual no valor de 25 mil euros. O objetivo é incentivar a ciência a fazer novas descobertas que ajudem a encontrar as causas do cancro da mama e diminuir a sua incidência, assim como os mecanismos que desencadeiam o cancro da mama metastático, uma área muito pouco estudada. Até agora, já atribuímos três bolsas e em outubro vamos abrir as candidaturas para 2015.

A Laço tem um papel ativo na prevenção e também no pós-diagnóstico?

Infelizmente não podemos falar de prevenção primária para o cancro da mama porque não sabemos a causa. O que significa que estamos sempre a falar de prevenção secundária, procurando minimizar o mais possível os fatores de risco identificados até agora e tentar detetar a doença o mais precocemente possível. Em relação ao pós-diagnóstico, temos três livros que são muito úteis na medida em que abordam diferentes temáticas relacionadas com o cancro da mama. Também disponibilizamos no nosso site vários e-books. Por exemplo, temos um sobre a alimentação, desenvolvido em parceria com a Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Esta semana lançámos um outro, intitulado “Dicas para quem vive com cancro”, cheio de dicas práticas de pessoas que já tiveram cancro e que quiseram partilhar pequenos truques que ajudam a ultrapassar os dias mais pesados. Tem uma secção para os amigos e familiares que incluí dicas para ajudar em vez de piorar a situação porque, por vezes, as boas intenções não chegam.

São muitas as marcas que se têm associado à Laço. Quer referir-me algumas parcerias?

Temos tido muita sorte em trabalhar com marcas e pessoas fantásticas. Neste momento já chegou aos supermercados uma campanha desenvolvida em parceria com os cereais FITNESS,  a qual remete para uma página no Facebook onde pode colocar o seu laço cor da rosa e contribuir para a causa. Também poderá Zumbar pela causa no Zumba Fitness Party, que decorrerá no dia 25 de Outubro no Meo Arena.

Que tipo de iniciativas são interessantes para a associação? 

Todas! Pequenas ou grandes, tudo ajuda. Gostamos especialmente de ideias que promovem a autoestima das mulheres e que encorajem as mulheres a ter um estilo de vida saudável e solidário.

A Laço promove a doação de cabelo. É uma prática comum em Portugal?

A Laço tem informação sobre a doação do cabelo no nosso site para quem estiver interessado. Não é comum em Portugal e, como no resto da Europa, todo o cabelo doado tem que ser enviado para fora para fazer as próteses capilares. A maior parte das mulheres com cancro que perdem o cabelo como consequência de quimioterapia usa perucas com cabelo sintético, que é uma melhor opção e mais económica. Cabelo doado vai quase sempre para crianças que sofrem de doenças como a alopecia areata, que resulta na perda de cabelo durante tempos indeterminados.

Ao longo de anos de trabalho na Laço, com certeza conhece centenas de histórias. Há alguma que queira partilhar com as nossas leitoras?

Acho que o fio comum de muitas das experiências que as pessoas têm partilhado connosco é que após um diagnóstico de cancro da mama, a vida quotidiana sofre alterações para sempre, as prioridades são outras. A diferença entre o que é importante e o que é ruído sem significado fica muito clara. Tem um impacto enorme na vida pessoal, as pessoas passam a apreciar literalmente cada dia com a família e os amigos.

Que mensagem quer deixar às mulheres que lutam contra o cancro da mama?

Gostava de dizer que não estão sozinhas e que há muitas pessoas a trabalhar para encontrar a cura!

  (Leia na próxima página histórias reais de mulheres que não baixaram os braços)

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