Home»ATUALIDADE»ENTREVISTAS»Luis Saraiva: «Não há como o prazer de comer os alimentos na altura certa»

Luis Saraiva: «Não há como o prazer de comer os alimentos na altura certa»

Tem duas grandes paixões: o desporto e a gastronomia. Para além de ser treinador de râguebi, o seu maior hobby consiste em andar pelos mercados em busca dos ingredientes mais frescos e cozinhar pratos imaginativos para a família e amigos. Agora lançou um livro, ‘Receitas Mês a Mês’, que promete acertar o passo dos portugueses com os produtos da época.

Pinterest Google+

O que o leva a lançar este livro de receitas?

Um prazer enorme pela cozinha e uma vontade de partilhar as minhas experiências gastronómicas com amigos. Esse foi o grande ‘clique’ que me fez entrar nesta aventura. Receber os amigos em casa ou ir a casa de amigos e receber um elogio do género  “Que grande salmão, parece do Masterchef”, “ Que óptima estava esta tarte, a base estava no ponto”, “Divinal este risoto”, “Para quando um livro teu?” – tudo comentários que fui recebendo ao longo dos últimos anos e que me fizeram pensar: “Porque não?”

 

Comermos de forma desfasada do tempo certo do alimento é um problema. Porquê?

Diria que é uma forma pouco ajustada. Não há como o prazer de comer os alimentos na altura certa – comermos as castanhas em novembro e as cerejas em maio – essa é também a riqueza da nossa gastronomia. Os alimentos têm ciclos de vida e se respeitarmos esses ciclos de vida conseguimos retirar o melhor de cada ingrediente e certamente ao menor custo. Hoje em dia há morangos durante quase o ano todo, mas será que sabem ao mesmo? E será que o preço do quilo é o mesmo?

 

Veja também: Guia bio: Saiba onde comprar produtos biológicos

 

 

Este livro vai mais além das receitas. Parece-nos que implica uma filosofia de consumo mais biológico e em respeito com a natureza. É isso?

Sim, considero que devemos ter uma consciência ambiental também no que diz respeito à nossa gastronomia pois, no limite, somos todos nós que contribuímos para o esgotamento ou preservação dos recursos naturais.

 

Que tipo de receitas podemos fazer? Não faltarão sempre ingredientes que não sejam da época?

Certamente existem sempre ingredientes fora de época ou menos ajustados, mas sempre foi assim, desde os nossos antepassados. Agora, o que pretendo é que a base da nossa alimentação seja pensada de forma mais ajustada com a época. As receitas que estão no livro têm sempre por base um alimento da época e depois partem para uma mistura de outros ingredientes que podem ou não ser da época, desde que tenham menor importância na concepção global do prato. Ou seja, podem ser usados produtos fora da época, mas a sua predominância no prato é menor e, aliás, podem ser substituídos.

 

Veja também: Já conhece os mercados biológicos?

 

Por exemplo, em Portugal usa-se muito o tomate. Como se substitui no resto do ano em que não é a sua época?

Lá está, temos certamente alimentos como o tomate, a batata, os alhos, a cebola, etc., que fazem parte da nossa gastronomia mais tradicional. Não pretendo com este livro desafiar essa importância, mas sim realçar que o alho está mais rico e saboroso nos meses que vão de março a maio e as cebolas novas de abril a junho, tal como o tomate maduro é mais rico em sabores nos meses que vão de junho a outubro.

Artigo anterior

Faça um cruzeiro com o filho de Jacques Cousteau

Próximo artigo

UE quer que Estados-membros reciclem 50% dos desperdícios até 2020