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Língua Gestual: a importância de aprender uma língua que une comunidades

Reconhecida enquanto língua da comunidade surda portuguesa, pela Constituição da República em 1997, a Língua Gestual Portuguesa celebra-se anualmente no dia 15 de novembro. Para marcar este dia, a diretora da licenciatura de Língua Gestual Portuguesa da Escola Superior de Educação de Coimbra, Joana Conde e Sousa, explica qual a importância desta língua na sociedade.

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A língua gestual (e não linguagem, como muitas vezes é chamada), é a forma de comunicação da comunidade surda, que se produz através dos movimentos das mãos, do corpo e de expressões faciais.

 

Esta forma de comunicação é não só necessária para esta comunidade como também para toda a sociedade, e prova disso é a existência de cada vez mais cursos livres que ensinam os básicos da língua e das licenciaturas que preparam profissionais da área, como é o caso do curso de Língua Gestual Portuguesa, da Escola Superior de Educação de Coimbra, que nasceu em 2005.

 

Veja no vídeo como se diz ‘Feliz Dia Língua Gestual Portuguesa’


 

«O curso superior não só promove a qualidade de serviço de interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP) bem como dá acesso ao mestrado em Ensino da LGP, para que estes alunos possam vir a ser docentes. Para além disso, em termos sociais, permite que surdos ou ouvintes possam tornar-se especialistas numa área ainda tão desconhecida em Portugal e promover a igualdade de acesso à informação e à aquisição e aprendizagem de uma língua», explica Joana Conde e Sousa.

 

Mas não é apenas através da licenciatura que a aprendizagem da Língua Gestual Portuguesa está a ser implementada na sociedade. «Com o código de recrutamento 360, que prevê a colocação de docentes de LGP nas escolas, cremos que a implementação da LGP nas escolas será uma questão que se resolverá a curto prazo. Temos esse sonho».

 

No entanto, a oferta desta língua nas escolas deverá existir como oferta de mais uma língua, como acontece com o francês ou o inglês. Joana Conde e Sousa realça que «sendo este código ainda tão recente, existindo apenas desde abril de 2018, travará ainda algumas lutas para a sua plena implementação, quer na educação bilíngue do aluno surdo quer de todos os outros alunos».

 

Mas este código de recrutamento traz uma grande vantagem principalmente para os docentes de LGP, pois «faz com sejam reconhecidos como professores de uma língua, o que acabará por valorizar a Língua Gestual Portuguesa como qualquer outra, servindo não só quem com ela comunica no seu dia a dia, como todos os que queiram aprender e comunicar através dela. Este reconhecimento social dará à língua o verdadeiro estatuto que ela merece, bem como dará à comunidade surda o reconhecimento de uma minoria linguística e cultural que é».

 

Na imagem: ‘Olá’ em língua gestual

 

A licenciatura em Língua Gestual Portuguesa tem como objetivo formar tanto intérpretes como docentes. No caso dos intérpretes, estes são formados para que possam atuar em todos os contextos desde a interpretação de um parto, um funeral, uma consulta médica, uma audiência em tribunal, um telejornal, uma peça de teatro, uma visita guiada a um museu, um treino de futsal, uma aula ou uma reunião de negócios. «Sempre que exista um ouvinte que não saiba LGP e um surdo, o intérprete estará presente para atuar como ponte de comunicação na vida diária», explica a diretora do curso.

 

Já no caso da formação de docentes, os alunos são preparados para o acesso ao mestrado em Ensino da Língua Gestual Portuguesa. «Após a conclusão deste mestrado, os alunos serão professores e poderão dar aulas a alunos surdos ou ouvintes de várias faixas etárias. Poderão também dar aulas de LGP em diferentes escolas e instituições, numa escola de línguas, em workshops ou noutros cursos».

 

Nos dias de hoje, apesar do caminho em busca da tolerância e do respeito, a comunidade surda portuguesa atravessa ainda dificuldades. Joana Conde e Sousa explica que «a realidade demonstra que a intolerância e o preconceito estão presentes diariamente. A comunidade surda gostaria de poder aceder à informação através de um quadrado de TV confortável à vista e não num quadrado tão reduzido de tamanho, como o que temos nas televisões portuguesas. Gostaria de ver a LGP a ser respeitada como qualquer língua e respeitados os direitos dos surdos em Portugal».

 

As dificuldades da comunidade surda são principalmente as barreiras linguísticas, mas muitas vezes a incompreensão e intolerância sobrepõem-se a estas. As necessidades que esta comunidade tem não diferem da que todos precisam: respeito pela individualidade e pela língua de expressão de uma cultura rica de valores e ainda desconhecida para a maioria dos portugueses.

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