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Linda Pereira: «Apenas 8% das grandes empresas são lideradas por mulheres»

De 4 a 8 de março, Cascais acolhe a ‘The WOW Conference’, um evento com oradores de renome mundial que pretende inspirar mulheres de todo o mundo a serem líderes e empreendedoras. Um ponto de partida para a conversa com Linda Pereira, representante da WOW Conference em Portugal.

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Porque é que mesmo nos países considerados desenvolvidos a percentagem de mulheres empresárias continua bem inferior à dos homens?

Já foram realizados vários estudos e apresentada muita teoria sobre este assunto, no entanto, baseio a minha visão no resultado de 27 anos de trabalho direto com mulheres no mundo dos negócios, empresárias em vários setores de atividade. O sexo feminino é por natureza mais prático e arrisca menos. Esta postura deriva também do menor apoio e incentivo a nível social, familiar e também do setor financeiro. Eu própria enquanto empresária senti esta dificuldade.

Um outro fator que faz com que a percentagem de mulheres empresárias seja menor prende-se com o simples facto de que a experiência que se adquire na gestão das grandes empresas é uma importante forma de nos preparamos para sermos empresários – e esses cargos são ainda muitas vezes vedados a mulheres, que assim não podem adquirir essa competência que lhes permitiria depois dar o salto para o seu negócio.

O desafio da maternidade é ainda relevante nesta matéria. A perceção social de que é à mulher que cabe a tarefa de cuidar dos filhos, da casa, do casamento, dos idosos, retiram a muitas a coragem para avançar com projetos próprios. Há ainda este preconceito e a descriminação ainda existe. A dicotomia família/carreira e os estereótipos de género (mais do que nos seus pares do sexo masculino) são uma fonte de stress e barreira para a aventura que é gerir uma empresa. Apesar das mulheres, atualmente, representarem cerca de 40% da população ativa no mundo ocidental, continuam a ser uma minoria nas posições de gestão de topo.

Existem contudo exceções a esta realidade, mas há que reter o facto de que ainda é notícia o facto de uma mulher ser nomeada ou eleita para um cargo de gestão ou liderança – o que nos indica de que algo está errado.

Atualmente, o que se passa é que encontramos tantos homens como mulheres nos quadros médios das direções das empresas, mas não quando subimos na hierarquia. O top continua a ser muito “masculinizado”. Exceção no ramos alimentar e no comércio, onde o sexo feminino é mais facilmente aceite.

 

Como se encontra Portugal em relação à percentagem de mulheres empresárias?

Portugal tem uma população ativa de 5,5 milhões, dos quais 47% são mulheres. Enquanto em 89% das empresas há homens na gestão, só em 55% há mulheres. Este é talvez o indicador de maior desequilíbrio: quando 47% dos trabalhadores são mulheres, não deveria haver uma representação feminina na gestão equivalente? As mulheres ocupam 31,1% das funções de gestão e direção e lideram 26,8% das empresas portuguesas. É nas empresas jovens (com menos de cinco anos) que a presença feminina na gestão e liderança é maior e é nas grandes empresas que a mesma presença é menor. Há uma relação direta entre a participação feminina na gestão e a liderança feminina: quanto maior é a participação na gestão, maior é a liderança feminina.

O processo de equilíbrio dos géneros é seguramente irreversível, mas é impossível determinar se o equilíbrio se alcançará numa só década ou de uma forma mais lenta. Nas empresas mais jovens, a participação feminina é mais frequente e a percentagem de mulheres na gestão e liderança é mais elevada do que a média. Isto é o mais demonstrativo do avanço da participação feminina na gestão. Nos últimos cinco anos, a constituição de empresas com gestão exclusivamente feminina passou de 13% para 20%!

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