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Liliana Guerreiro: “Portugal tem muito talento e criatividade”

A designer de Viana do Castelo é uma das responsáveis pelo sucesso internacional da joalharia portuguesa, com um conjunto de coleções inspiradas na arte da filigrana. Recentemente a marca deu um passo importante, ao seu convidada a vender as suas peças no MAD – Museu de Arte e Design de Nova Iorque. Isto serviu de ponto de partida para uma conversa com Liliana Guerreiro.

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Nascer em Viana do Castelo influenciou definitivamente o seu percurso. Imagina-se a crescer noutra cidade?

Considero-me uma cidadã do mundo mas penso que qualquer pessoa, e nomeadamente qualquer artista, são um produto do seu contexto, do seu meio envolvente, da sua família, etc. No meu caso, essa influência é bastante notória. Valorizo muito as minhas raízes, a cultura do Minho e talvez por isso a filigrana me tenha fascinado desde o início. É a minha forma de homenagem às minhas origens. Mas não só as origens influenciam o meu trabalho. O meu percurso na joalharia reflete a procura pessoal dos lugares que marcaram a minha vida. Os temas do meu projeto partem da observação de lugares, das formas, das cores, das texturas, dos materiais, e do fascínio pelos processos de fabrico artesanais.

 

Quando é que começou a brincar com as joias da família? 

Sempre gostei de joias e lembro-me de já em pequena fazer algumas criações com os materiais que tinha à disposição. Além das joias de família, que me foram oferecendo ao longo dos anos e que sempre fiz questão de usar no meu dia-a-dia, também tinha as minhas pequenas criações como brincos de conchas ou colares improvisados. Por outro lado, sempre procurei usar peças diferentes e para isso desmontava algumas joias que já tinha e mudava as peças de lugar, de forma a criar peças renovadas.

 

O que é que a fascinou na filigrana?

Foi desde logo entender que dentro da sua complexidade técnica havia múltiplas possibilidades de “desconstruir” os seus elementos e trabalhá-los com uma nova linguagem. A proximidade com Viana do Castelo, os seus trajes típicos, onde as joias assumem um papel principal, que é para mim uma fonte de inspiração. Uma das peças centrais desde contexto é o relicário. A observação e “desconstrução” do relicário foi o ponto de partida para o projeto da filigrana, dando origem às diversas coleções. É por este motivo que as coleções que apresento têm nomes muito técnicos (como Bocais, Fio, Cheio de Ramo ou Estrutura), que representam as técnicas que subtraí do relicário. Toda esta complexidade sempre me fascinou, a par da técnica manual e da perícia que é necessária para a trabalhar. Esta é uma arte trabalhada apenas por especialistas e artesãos com anos de experiência, devido ao grau de exigência que é necessário para trabalhar com qualidade os elementos da filigrana.

 

Quando é que decidiu que esta paixão pelas joias iria tornar-se a sua profissão?

Sempre fui uma apaixonada por joias mas nem sempre pensei que esse seria o meu caminho profissional. Sou formada pela ESAD – Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos, sendo que o programa curricular do primeiro ano era comum a todos os alunos, tendo só que decidir no segundo a área de especialização. Durante o primeiro ano surgiu a possibilidade de conhecer a oficina de joalharia e aí não tive dúvidas que essa era a minha vocação e seria a especialização que iria escolher.

 

O que é que as suas clientes podem encontrar nas joias Liliana Guerreiro?

As coleções que apresento, com inspiração e base na técnica da filigrana, reinterpretam uma cultura ancestral e uma das mais ricas tradições portuguesas e, sobretudo, minhotas, que pretendo através do meu trabalho prolongar no tempo e adaptá-las à sociedade contemporânea. (Veja aqui algumas peças)

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