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Ler é preciso! Manifesto (de marketing) pela leitura

Faz toda a diferença o contexto familiar em que a criança está inserida, quer pelo estímulo do exemplo, quer pelas oportunidades em contexto escolar de visitar bibliotecas, feiras do livro ou livrarias.

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Eu gosto de ler. Gosto muito, aliás. Não leio tanto quanto gostaria, mas, de acordo com os artigos que li 🤓, parece que me posso considerar uma leitora média (leio mais de 6 livros e menos de 20 por ano).

Fico muito feliz porque todas as noites os meus filhos pedem para ler antes de dormir. Parece-me um hábito excelente e não muito comum nas idades deles (7 e 11 anos). Não tenho dúvidas que, como na maioria das questões de educação, o estímulo do exemplo familiar, faz a diferença. E não sou só eu a dizer.

 

Segundo um inquérito, conduzido pela Fundação Gulbenkian e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, intitulado “Práticas Culturais dos Portugueses (2020)”, os números dos hábitos de leitura em Portugal são chocantes: 61% dos portugueses não leeram um único livro impresso, no último ano!  De acordo com este mesmo estudo, percebe-se que a maioria dos inquiridos que não tem hábito de leitura, na infância e na adolescência, nunca foram levados a uma livraria (71%), a uma biblioteca (77%) ou a uma feira do livro (75%). Conclui-se também que, estes agora adultos, nunca receberam um livro (47%) ou ninguém lhes leu uma história em criança (54%) 😔.

 

VEJA TAMBÉM: “I’VE GOT THE POWER”: OS SUPERPODERES DE UM MARKETER

 

Faz toda a diferença o contexto familiar em que a criança está inserida, quer pelo estímulo do exemplo, quer pelas oportunidades em contexto escolar de visitar bibliotecas, feiras do livro ou livrarias. Não haja dúvidas! A cultura ainda não é para todos (mas poderia).

 

Aproveitando este contexto inicial e, para que não nos esqueçamos que estamos em plena época natalícia, nada melhor do que lembrar que neste Natal pode ser uma ótima oportunidade para oferecer livros a crianças e adultos (aproveitem e comprem um para vocês!). Porquê?

 

Vejam bem todas as razões, e mais algumas, porque quem lê gosta (muito) de o fazer:

  • Para aprender, adquirir conhecimento e descobrir novas informações
  • Pelo prazer de escapar da realidade, mergulhar num outro mundo e usar a imaginação
  • Por entretenimento
  • Para relaxar durante a leitura e usufruir de uns momentos de silêncio
  • Pela possibilidade de conhecer diferentes temas através da leitura
  • Pelo enriquecimento histórico ou espiritual e pela possibilidade de expansão da visão do mundo
  • Pelo desafio
  • Pelo prazer que é desfolhar e cheirar um livro (como um prazer primário)
  • Pelo uso da leitura como estilo de vida e uma ‘arma’ de poder.

 

E que tipo de livros escolhe, e como escolhe, quem gosta de ler?

Existem todos os tipos de leitores: quem prefira um bom romance, ou um thriller emocionante, até àqueles que se perdem nos factos históricos sobre um País repletos de encruzilhadas. Todos os “tipos” de leitores são válidos, não julguemos. O importante mesmo, é ler.

É inegável, hoje em dia, o poder das redes sociais. Serão talvez o Círculo de Leitores ou as Seleções Reader’s Digest modernas. Eu já perdi “a conta, às contas  de Instagram que sigo de grupos de leitura com listas, reviews e recomendações. É terrível pois estou sempre a juntar livros à minha wish list. Mas, para além destas influências, as sugestões da família, amigos e colegas de trabalho, também pesam nas escolhas.

 

Para além do prazer que é ler, são inúmeros os benefícios da leitura (frequente):

  • Aprender
  • Exercitar o cérebro
  • Melhorar o foco
  • Melhorar a memória
  • Desfrutar de entretenimento
  • Melhorar a capacidade de empatia
  • Melhorar as habilidades de comunicação
  • Reduzir o stresse
  • Melhorar a saúde mental
  • Melhorar a criatividade e imaginação
  • Falar e escrever “Bom Português” 😊
  • Viver mais (porque ajuda a prevenir o declínio mental)

 

Parece-me que estão reunidas todas as ferramentas para ajudarem os marketers a manifestar-se a favor de que se leia mais. Embarcamos nesta aventura literária? A evolução tecnológica, a proliferação de redes sociais e o acesso constante ao mundo digital está a transformar as nossas crianças (e os nossos adultos).

Hoje, as crianças parecem nascer a saber fazer “skip” num anúncio de Youtube e “scroll” numa rede social, mas poucas serão aquelas capazes de requisitar um livro na biblioteca. Todos procuram rapidez e imediatismo, se possível com um simples clique, desistindo de todas as “histórias” que dão muito trabalho. Nada contra o digital, nem as redes sociais (quando usados com moderação) mas é importante que as crianças sejam crianças e estimulem a sua imaginação. A leitura é o ponto de partida para estimular a imaginação e a criatividade!

 

Não é fácil mudar, de um dia para o outro, hábitos instituídos. Será importante normalizar o acesso à leitura, seja pela abertura às comunidades, de uma forma menos “clássica”, das bibliotecas, seja pela criação de “clubes de leitura” nas escolas, pelo incentivo à partilha de livros, pela aproximação dos escritores à população. Mas, a certeza é que temos de começar pela base, criando hábitos de leitura nos mais pequenos.

 

Para isso não basta dar-lhes uma lista de livros obrigatórios (e chatos) do Plano Nacional de Leitura. Há que adaptar também a escola aos gostos dos mais novos porque, para aprender a interpretar, não é preciso fazê-lo com um poema complicado. Pode começar-se com uma Banda Desenhada ou um Rap (se tiverem dúvidas, leiam a entrevista do Sam The Kid ao “A mensagem de Lisboa”).

 

Se calhar é por aqui que deveríamos começar o nosso manifesto à leitura: um rapper-poeta, um texto, uma mensagem, alguma criatividade e uma campanha “Ler é preciso!”

 

Se calhar tenho uma visão demasiado romântica da leitura. É muito provável. Parece-me lógico que todos, sem exceção gostem de ler. Os livros permitem-nos imaginar. Ao percorrer a história conseguimos visualizar na nossa cabeça todos os cenários, personagens, vozes, sorrisos, olhares e os mais ínfimos pormenores. Como me disse um colega, “não há produção cinematográfica que se compare à nossa imaginação”. Deve ser por isso que não gosto de ver filmes de livros que li. É sempre diferente daquilo que imaginei e, sempre pior 😅.

 

Como podemos ajudar a mudar a tendência de baixa leitura, estimulando o prazer pelos livros? Se calhar passa mesmo por modernizar a experiência do leitor – a tal da customer experience de que se fala no marketing.

 

Já existem APP’s (Skoob, Goodreads, Whakoom, Bookly) para ajudar a manter a estante dos livros organizada, a controlar os livros ou páginas que lemos ou a seguir as recomendações de livros do nosso “book club” (sabiam que o “Oprah’s Book Club” existe desde 1996?). Quem não adora uma competição? Vamos colocar a gamification ao serviço da leitura e ver quem lê mais por dia?

 

Para os mais pequenos podemos criar experiências mais interessantes e interativas, através de livros-brinquedos, temas atuais e influenciadores conhecidos do Tik Tok, Instagram ou Youtube. Será sucesso garantido! E lembrem-se, não interessa o tipo de livro que leem, o importante é ler!

 

Será que a indústria literária ainda usa os 4 P’s clássicos?

Boas leituras. 📖

 

 

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