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João Santos: «Sinto necessidade de transmitir o lado humano que, apesar de ser cruel, não deixa de ser belo e honesto»

Um viajante de mala às costas que precisa da sua máquina, de um computador e pouco mais para seguir o seu caminho pelo mundo, de projeto em projeto, é como se define o artista visual João Santos, cujo propósito é criar e reconstruir histórias interessantes através da sua arte, a fotografia. A MOOD foi à inauguração da sua mais recente exposição, ‘All that you can’t see is real’, em Lisboa, e falou com o fotógrafo sobre o seu percurso profissional.

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Contudo, nos últimos 15 anos, a sociedade e, principalmente, a tecnologia evoluiu muito. As câmaras analógicas transformaram-se em digitais e muitos fotógrafos que, como João Santos, revelavam os seus próprios rolos, deixaram de o fazer, passando agora apenas a descarregar as fotografias do cartão SD para o computador, com vista a editá-las.

 

À MOOD, o artista conta que não teve qualquer dificuldade na adaptação ao novo meio digital, até porque diz adaptar-se com muita facilidade às novidades tecnológicas, estando «sempre atento ao que é novo». Contudo, relembra os tempos em que a fotografia analógica e a revelação dos rolos de fotografia faziam parte da sua rotina diária. «Lembro-me perfeitamente das horas passadas no estúdio com os três líquidos, o papel fotográfico, os químicos, todo o processo envolvente e a espera para ver o resultado final»: recorda.

 

No entanto, reconhece as vantagens desta mudança, fruto de uma sociedade em constante desenvolvimento. «Agora com o digital é tudo mais imediato e com o software a que temos acesso, podemos trabalhar as fotos e criar novas situações. Isso é, para mim, uma mais-valia. Antigamente com o papel ficávamos muito mais limitados», diz.

 

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Relativamente ao futuro, o artista conta que os seus próximos trabalhos se vão focar muito na composição, facto já visível na exposição patente em Lisboa. «Gostaria também de fazer algo documental na área do fotojornalismo», acrescenta, desvendando que tem já um projeto em andamento. Irá tratar-se do retrato do dia-a-dia das crianças de um orfanato na Tanzânia, em África. «Sinto a necessidade de transmitir o lado humano que, apesar de ser cruel, não deixa de ser belo e honesto» e reforça a ideia de que «as pessoas não devem ver este tipo de documentários ou fotografias com sofrimento atroz, porque a dignidade das pessoas é sempre passível de ser capturada e transmitida, mesmo em situações extremas».

 

Apesar do seu percurso estar intimamente ligado à arte da captura do que os olhos veem, o artista revela que não foi fácil traçar o seu caminho. Numa busca incessante de algo que o preenchesse totalmente, João Santos diz que dispersava de arte para arte, por se cansar rapidamente do que fazia, o que resultava na falta de intensidade e entrega ao seu trabalho. Tal aconteceu até ao momento em que percebeu que a fotografia era a sua arte e o seu destino. Ao escolher este caminho, houve outros que ficaram para trás, como a rádio, o desenho e a escrita. No entanto, João não se arrepende. «A vida é feita de escolhas e eu fiz as minhas na altura em que tinha de as fazer», afirma.

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