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João Santos: «Sinto necessidade de transmitir o lado humano que, apesar de ser cruel, não deixa de ser belo e honesto»

Um viajante de mala às costas que precisa da sua máquina, de um computador e pouco mais para seguir o seu caminho pelo mundo, de projeto em projeto, é como se define o artista visual João Santos, cujo propósito é criar e reconstruir histórias interessantes através da sua arte, a fotografia. A MOOD foi à inauguração da sua mais recente exposição, ‘All that you can’t see is real’, em Lisboa, e falou com o fotógrafo sobre o seu percurso profissional.

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Em janeiro de 1968 nasceu João Santos, um jovem alfacinha que viria a transformar-se em mais uma promessa no mundo da arte. Agora com 40 anos, e cerca de 20 no mundo da fotografia, expõe o seu trabalho na galeria onde estreou a sua primeira exposição individual, a Galeria Art Lounge, em Lisboa. Até ao final de julho, a mostra ‘All that you can’t see is real’ vai estar patente ao público. Veja imagens na galeria acima.

 

João Santos conta que «a fotografia surgiu do amor pelo cinema». Essa paixão ganhou força em 2005, quando João foi para o Dubai e onde permaneceu por dois anos e meio, sensivelmente. Nas suas longas viagens noturnas de carro deparou-se com ‘a magia’ das luzes, magia essa que foi o mote para a sua primeira exposição a solo, denominada ‘City Lights’. O trabalho desenvolvido ao longo de 3 anos (entre 2005 e 2007) valeu-lhe três publicações em três importantes revistas do Dubai de diferentes segmentos (fotografia, design e cultura), proporcionando-lhe um grande reconhecimento, justamente na altura em que se encontrava no início da sua carreira.

 

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Apesar das restrições culturais que afirma ter sentido, o artista explica que «o Dubai tem também um lado bastante cativante – a tecnologia, a arquitetura, as construções. Tudo junto numa sociedade agitada, desenfreada, em ebulição e ainda não totalmente definida e construída». Em 2008, viu ‘City Lights’ ser exposto na mesma galeria onde agora, 10 anos depois, apresenta o seu mais recente trabalho, ‘All that you can’t see is real’, fruto de uma viagem que fez a Paris.

 

Durante os seus passeios pela cidade viu vários pósteres rasgados nas estações do metro, o que lhe captou de imediato a atenção, tendo começado a fotografá-los, com o objetivo de «criar uma nova narrativa e trazer uma nova perspetiva» daqueles cartazes pelos quais passavam milhares de pessoas por dia.

 

De acordo com o fotógrafo, o mais interessante na fotografia é o facto «de, dentro do mundo das artes, ter sido a que mais dificilmente se descolou do meio em si, porque toda a gente ainda acredita que a fotografia deve ser um registo imediato de algo que é visível e das quais resultam as recordações e as memórias». Algo que torna, inevitavelmente, a sua missão mais difícil, uma vez que existe a necessidade de se «estimular na procura de novos caminhos, novas visões, novos estilos e criar algo que fuja às referências mais tradicionais».

 

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Ainda que a maioria da sua carreira tenha sido na área fotográfica, João Santos estudou pintura, na Sociedade Nacional de Belas Artes, e cinema, na escola Superior de Teatro e Cinema. Além disso, foi também locutor e produtor de um programa de rádio de música Clássica na XFM. Mas não se ficou por aqui. Durante alguns anos também fez da escrita o seu ganha-pão, ao escrever críticas de trabalhos discográficos para a revista de música Voice.

 

De entre todas estas vertentes experienciadas ao longo da sua vida, o artista diz que a fotografia é a arte que lhe é mais intrínseca. «Como ando sempre de um lado para o outro, a fotografia é a técnica que me permite criar novas coisas através deste estilo de vida nómada. É uma coisa mais natural, mais imediata ao meu olhar e à forma como eu capto a realidade. A fotografia é sempre um reflexo do nosso olhar, daquilo que queremos ver e não tanto do objeto em si. Esse é o que nós criamos, o que nós transpomos e do qual resulta uma mensagem», explica.

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