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João Marques: «Os portugueses estão mais atrevidos a nível sexual, mas ainda há um caminho a percorrer»

O sexo é muito importante para os portugueses, mas quase metade confessa que poderia estar mais satisfeito com a sua vida sexual. Por outro lado, as portuguesas evoluíram muito e estão mais bem resolvidas do que os homens. Dados de um novo estudo promovido pela ohlala.sex, loja online de produtos de satisfação pessoal, que revela como são os portugueses na intimidade. E nós conversámos com o responsável da marca, João Marques, para saber mais.

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Nota-se alguma diferença nas faixas etárias e entre homens e mulheres?

Sim, tirando o facto, como já referido, de que as mulheres estão muito mais resolvidas com a sua sexualidade do que os homens, são também elas que afirmam não terem tido relações casuais e indicam ter traído menos e concordam mais com a ideia de que sexo só com amor. As mulheres apresentam valores muito acima dos homens na importância atribuída à saúde, comunicação e autoestima nas relações sexuais.

 

Já os homens destacam-se na concordância de que sexo é essencial para uma vida feliz. Admitem, por exemplo, recorrer mais à masturbação (em particular nos 25/34 anos) e gostam mais de ver filmes eróticos a dois. São também os que assumem ter mais relações casuais e são quem mais trai numa relação. Nas atuais relações, os homens gostariam de ter maior regularidade na relação sexual e aumentar a duração da mesma e já as mulheres destacam-se ao indicarem querer melhorar o seu apetite sexual e são as que mais recorrem à lingerie e também à utilização de roupa / fantasias.

 

Nas faixas etárias encontramos diferenças de comportamento nos grupos mais novos que recorrem muito a lubrificantes e as jovens a querer mais comunicação e preliminares na relação. Na faixa etária mais velha, acima dos 55 anos, destacam-se as questões de saúde e o aumento da duração da relação sexual. O escalão etário dos 25-44 anos destaca-se por maior uso da lingerie, roupas e fantasias.

 

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Referem no estudo que os portugueses continuam a ser pessoas com preocupações morais de acordo com 75% dos inquiridos. Como isso afeta a vida sexual?

Não me parece que, nos dias de hoje, seja muito relevante em termos de vida sexual. Temos uma percentagem elevada dentro dos que se sentem sexualmente satisfeitos em que assumem que o sexo é essencial para vida feliz (85%) e apesar de terem valores morais (79%), gostam de coisas novas (78%), pois têm energia (78%) e são românticos (77%) e dão prioridade à família (72%). Todavia as questões morais levantaram e podem ainda levantar em alguns estratos mais velhos um entrave à aquisição de produtos de satisfação sexual.

 

Portugal é um país enraizado pelo catolicismo e só depois de abril de 74 é que abriu portas ao sexo, quando foi permitida a comercialização deste tipo de produtos, quando nos finais do século XIX estes produtos já eram utilizados nos Estados Unidos para fins terapêuticos. Este tipo de preocupação moral ou o estigma do “que os outros podem pensar” tem que ser resolvida na forma como o ambiente das sex shops é trabalhado, com produtos de qualidade, com conteúdo informativo, promovendo os produtos eróticos como algo normal que completa a nossa satisfação sexual e não como algo que temos de ter vergonha de assumir.

 

Na ohlala.sex, amor, sexo e erotismo estão integrados e fazem parte dessa forma de amar, diferenciadora pelos produtos e conteúdos. É uma abordagem, sem tabus, géneros ou tendências que considera que falar de sexo é humano e normal.

 

Veja também: Queixas comuns que podem ser curadas com sexo

 

Os portugueses revelam as suas fantasias? Quais as mais proeminentes?

Ainda há um longo caminho a percorrer até os portugueses revelarem as suas fantasias.  Na ohlala.sex, classificamos os portugueses em 4 categorias de consumo de produtos de satisfação sexual:

Os tímidos: que afirmam comprar sempre para “outros”, mas perguntam tantos detalhes sobre o produto que se denunciam;

Os fugitivos: que procuram os produtos e fazem-no de forma apressada e tentam esconder-se, pois têm vergonha;

Os bem resolvidos: que consomem produtos e frequentam sex shops sem preconceitos. São as mulheres a maioria, pois os homens ainda encaram a prática com tabu e preconceito. No caso dos homossexuais, acreditam que estão mais por dentro das novidades do que os profissionais do setor.

Os domésticos: nunca frequentam lojas e recorrem ao telefone e ao online para compra. É uma fatia cada vez maior do mercado.

 

Em qualquer um dos casos, a percentagem dos que imaginam utilizar é largamente superior aos que já utilizaram, demonstrando que existe cada vez mais curiosidade na experiência deste tipo e produtos. Podemos assim assumir como as fantasias mais proeminentes (índice de compras superior a cada 2 meses) a visualização de filmes eróticos a dois, seguido da utilização de suplementos que reforce o apetite sexual e então, depois, o recurso aos chamados “brinquedos” e roupas de fantasia e a lingerie.

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