Home»ATUALIDADE»ENTREVISTAS»João Marques: «Os portugueses estão mais atrevidos a nível sexual, mas ainda há um caminho a percorrer»

João Marques: «Os portugueses estão mais atrevidos a nível sexual, mas ainda há um caminho a percorrer»

O sexo é muito importante para os portugueses, mas quase metade confessa que poderia estar mais satisfeito com a sua vida sexual. Por outro lado, as portuguesas evoluíram muito e estão mais bem resolvidas do que os homens. Dados de um novo estudo promovido pela ohlala.sex, loja online de produtos de satisfação pessoal, que revela como são os portugueses na intimidade. E nós conversámos com o responsável da marca, João Marques, para saber mais.

Pinterest Google+
PUB

Em linhas gerais, o que caracteriza os portugueses a nível sexual? São expansivos, retraídos, aventureiros…

Os portugueses estão mais saídos da casca, mas ainda há um caminho para percorrer comparativamente a outros países.  Temos 32% que consideram os produtos eróticos muito importantes para o aumento do prazer – o que cruza com os mais de 30% que referem considerar vir a usar algum tipo de produto de satisfação sexual mais ousado, nomeadamente vibradores e massajadores – e apenas 23% que não os considera de todo, ou seja, temos aqui 40% que estão indecisos.

 

Pegando nestes números creio que são em particular os homens que precisam ser mais expansivos. Encontramos o segmento feminino mais bem resolvido com a sua sexualidade. As mulheres portuguesas evoluíram muito rapidamente nos últimos anos e percebem que o sexo é fundamental para a sua autoestima e por isso são elas que hoje trazem estes artefactos para a relação ou o usam a sós. O segmento homossexual também não tem qualquer pudor e é ativo utilizador destes produtos. Mas os homens… talvez pelo eterno estigma do “macho latino” ou pela imaturidade que lhe é caracterizada, muitas vezes, acabam por ser mais retraídos, não por receio dos produtos, mas por uma questão de “orgulho” masculino.

 

Veja também: Porque aumenta o sexo com a chegada da primavera?

 

Apenas 57% dos portugueses diz que a sua vida sexual é muito satisfatória. Porque anda quase metade pouco satisfeita com a sua intimidade?

De facto, é preocupante, sobretudo quando temos também cerca 1/3 também que refere não se sentir amado e feliz. Acredito que tenha muito a ver com a rotina… É normal em qualquer um de nós, independentemente do seu estado civil ou condição social, entrar na rotina. Aliás “sair da rotina” é assumido por cerca de metade dos portugueses como algo que gostariam de ver melhorado nas suas vidas sexuais e isso justificará os dois restantes aspetos de grande importância também referidos neste estudo: querer “relações com maior regularidade” e “sentir-se bem consigo mesmo”.

 

O nosso quotidiano é extremamente stressante: o ritmo de trabalho, a gestão familiar, problemas vários… é complexo pensar por vezes no sexo como um ato puro de amor, de entrega e partilha. Quantas vezes casais não conseguem um momento para sair da rotina e serem apenas um casal, sem pensar em filhos e restantes preocupações, terem intimidade? Quantos homens e mulheres não querem sentir mais desejo que o que entregam aos seus pares? É neste contexto que o mercado de artigos de satisfação sexual dá resposta com produtos adequados a cada ocasião.

 

Veja também: Love apps: aventuras online na primeira pessoa

 

Que peso tem o sexo na vida dos portugueses?

Bem, para 72% dos portugueses o sexo é essencial para uma vida feliz e, quando aprofundamos o tema, vemos a cada vez maior consistência da resposta: por exemplo, no segmento de “casados”, esta importância do sexo representa 85% na felicidade do casal e mesmo independentemente dos valores morais, 78% está disposto a experimentar coisas novas para estimular mais o prazer sexual. É este segmento também que utiliza os motéis (48%) para sair da rotina, recorre a filmes, roupas/fantasias e produtos eróticos com maior frequência.

 

O sexo é até importante em questões de saúde, um dado transversal a todos os segmentos; em termos de comunicação no casal, em particular para as mulheres; para autoestima… ou seja, o sexo hoje é muito mais partilha e intimidade do que apenas sexo, como sempre foi visto. Aliás, a duração do ato sexual (tempo) é o aspeto menos valorizado no estudo que fizemos, mesmo junto dos mais jovens. Será difícil alguém ser feliz se a sua vida sexual não for satisfatória.

Artigo anterior

Vá pelas escadas, aconselha a DGS

Próximo artigo

Vida sexual: quase metade dos portugueses confessa que poderia estar mais satisfeito