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Joalheira portuguesa destacada em Londres

Filipa Oliveira foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes da indústria britânica de joalharia, numa festa que decorreu em Londres

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O Freemasons’ Hall, em Londres, recebeu o quinto evento Professional Jeweller Hot 100, onde 800 convidados aplaudiram as 100 pessoas que mais contribuíram para o desenvolvimento da indústria da joalharia britânica no último ano. A portuguesa Filipa Oliveira, de 28 anos, foi uma das distinguidas da noite. Falamos com a joalheira bracarense que está a dar cartas no Reino Unido.

Este é um reconhecimento importante do seu trabalho?

É um sonho tornado realidade. É algo que sempre desejei pois significa o reconhecimento do trabalho e esforço de uma portuguesa por parte da indústria e especialistas britânicos.

Que fator terá levado à escolha do seu nome?

O meu nome foi destacado por demonstrar inovação, desenvolvimento e perícia no design ao longo dos últimos 12 meses.

Que impulso poderá este reconhecimento dar à marca Filipa Oliveira?

Vai motivar-me ainda mais. Dar a conhecer Filipa Oliveira Jewellery a uma maior audiência, atrair futuros clientes e, quem sabe, contribuir para a internacionalização.

A sua paixão pelas joias surgiu aos nove anos. Quer contar-nos como?

Nessa idade a minha mãe levou-me a uma loja no centro de Braga que, infelizmente, já não existe, para comprar missangas com a promessa de me ensinar a fazer colares. Ainda me lembro como fiquei fascinada com as cores e variedade. Ganhei o gosto e comecei a fazer colares e, mais tarde, também brincos. Comecei a vender na escola às amigas, que até chegavam a levar para casa para venderem aos seus familiares. Inicialmente era um hobby para mim. Depois fiz o curso no Cindor, em Portugal, que me deu conhecimento técnico. A sede de conhecimento levou-me à Escócia, faltava a parte do design.

E porquê escolher sair de Portugal e ir para a Escócia e ficar lá depois de terminar os estudos?

Fui para a Escócia porque decidi que seria uma ótima experiência de aprendizagem. Seria bom para mim conhecer novas culturas e formas de fazer e pensar a joalharia, além da portuguesa. Continuei aqui depois de terminar os estudos porque as oportunidades foram surgindo. Um prémio atrás do outro e, sem perceber, já lá vão três anos.

A base das suas criações é a cultura portuguesa. O que a inspira?

Vou a Portugal pelo menos duas vezes por ano. A minha primeira coleção, Black Preciousness, foi inspirada na filigrana, uma técnica tradicional portuguesa de joalharia. Tenho orgulho nas minhas raízes, na cultura e artesanato portugueses. Quero partilhá-los e contribuir para o seu crescimento.

As peças são todas produzidas na Escócia?

As peças são produzidas na Escócia e apenas por mim.

Como tem visto o crescimento da joalharia em Portugal? Nos últimos anos houve um boom de novas marcas.

Tenho visto com bons olhos, mas penso que ainda não é suficiente. Não estou em Portugal, apenas vejo as coisas à distância, mas infelizmente sinto que o mercado português é controlado pelas grandes empresas familiares, apesar de existirem designers muito talentosos. Aqui há mais apoio e oportunidades, além de espírito de entreajuda, pois os joalheiros compreendem que dessa forma vamos todos beneficiar e desenvolver a indústria. Para mim, esse é o segredo do sucesso da indústria de joias britânicas, e Portugal deveria seguir o exemplo.

O que é que a marca Filipa Oliveira oferece aos clientes que a procuram?

Joias de filigrana inspiradas por 5000 anos de história, que são um reflexo da minha cultura e experiências de vida. Eu trabalho todos os dias para criar joias de qualidade, design único e com atenção ao detalhe.

Como definiria a sua cliente?

Uma mulher sofisticada, atenta ao design e ao detalhe, que procura produtos com qualidade e inovação, e que possui uma paixão pelas joias.

Onde podemos encontrar as suas peças?

Não tenho loja própria mas o meu trabalho pode ser visto e adquirido em várias cidades do Reino Unido e noutros países também. Em Portugal, estão disponíveis na Loja do Museu de Serralves, no Porto, e em Lagos.

O que planeia para o futuro da marca?

Crescimento e expansão para mais países.

Há alguma joia que guarde e que seja muito especial para si?

Tenho várias. Um anel de safiras que o meu namorado, que tambem é joalheiro, fez para mim; a medalha de proteção oferecida pela minha avó e a primeira peça que criei quando terminei o curso na Escócia, que significa o ponto de partida para a minha carreira.

Por Joana de Sousa Costa

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