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Jejum: a reprogramação e purificação do corpo na Ayurveda

Antes de se iniciar um jejum, precisamos de ter em conta a nossa constituição individual. A realização de um jejum efetuado sem ter em consideração a constituição pode gerar efeitos prejudiciais e indesejáveis.

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Os ciclos de jejum

A fim de harmonizar o organismo com as estações do ano, a pessoa deveria jejuar todos os anos por um período de uma semana, sempre na mesma época. Também existem ciclos de meses e semanas que criam a harmonia e a pulsação da vida quotidiana. A semana é uma oitava musical de sete notas, sendo que a oitava nota é a mesma nota com a qual a semana começou. Durante o período de sete dias, a pessoa perfaz um ciclo completo de existência. Uma pessoa deveria jejuar pelo menos uma vez durante o ciclo maior do ano solar. Assim também o jejum deveria ser realizado num dia de cada estação.

 

Todas as pessoas reconhecem a necessidade de dar aos seus músculos um repouso do trabalho físico, pelo menos um dia em cada sete; mas pouco delas estendem a mesma cortesia ao seu aparelho digestivo. Contudo, o sistema digestivo faz o seu trabalho com tanta diligência como os outros músculos, por isso o descanso também deveria beneficiar os músculos lisos e as glândulas do sistema interno.

 

Portanto, pelo menos uma vez por semana, a pessoa deveria abster-se de todo o alimento sólido, ingerindo de preferência a coalhada de iogurte ou sumos de fruta. Desse modo, os órgãos do aparelho digestivo podem descansar e recuperar-se do esforço feito para digerir as refeições nos outros seis dias da semana.

 

O melhor dia da semana para jejuar é o dia da semana no qual a pessoa nasceu. Observando esse tipo de jejum, ela une-se à natureza da energia que estava presente no dia do seu nascimento. As mulheres, no entanto, podem optar por jejuar às sexta-feiras, um dia em que a energia feminina está intensificada.

 

Durante o jejum, o organismo torna-se mais sensível aos padrões energéticos e o facto de entrar em sintonia com a energia do seu nascimento – ou com a energia de feminilidade, no caso das mulheres – harmoniza a pessoa mais profundamente com os seus ciclos individuais.

 

A observância de jejuns semanais ajuda a curar distúrbios crónicos do sistema digestivo, diminui o desejo de comer e favorece a boa saúde e longevidade.

 

O jejum intermitente na Ayurveda

Ao darmos a nossos corpos espaço adequado para descansar em vez de digerir, otimizamos o nosso metabolismo, que em Ayurveda é conhecido como Agni, – que é adorado como uma divindade. Este é o nosso fogo. E uma das melhores maneiras de nos honrarmos a nós mesmos, aos outros e ao nosso agni … é dar um tempo. A maneira mais fácil de fazer isso é aumentar o tempo entre a última refeição à noite e a primeira refeição pela manhã.

 

A palavra ceia é derivada da palavra latina “sup”, que significa saborear. Antes da invenção da eletricidade e depois da revolução industrial, os humanos eram caçadores-coletores. Éramos agricultores. Comia-se a maior refeição quando o sol estava mais alto no céu, porque só assim podíamos ver com clareza o nosso alimento. Durante a evolução do homem, a alimentação primou por ser realizada durante o dia. O jantar era mais comummente uma sopa que ia sendo cozinhada durante o dia.

 

Hoje em dia, tendemos a jantar mais tarde, e o jantar tornou-se o evento principal. E muitas vezes há quem volte a comer depois do jantar.

 

Já existem algumas pessoas que saltam o pequeno almoço, e assim já têm uma pausa relativamente boa. Contudo, o corpo humano é incapaz de digerir os alimentos de forma plena e eficaz durante a noite. Entre as 22h e as 2h é quando o fígado desintoxica ativamente e prepara o corpo para o dia seguinte. Refeições tardias e de madrugada perturbam este ciclo e comprometem a capacidade do corpo de se desintoxicar de forma eficiente.

 

O jejum ideal de uma perspetiva ayurvédica seria começar o jejum às 18h. O método mais popular de jejum intermitente é o método 16:8. 16 horas de descanso e restauração de células. 8 horas e ingestão de refeições bem espaçadas. Pequeno almoço às 10h, almoço às 12, e jantar antes das 18h.

 

Este ciclo de alimentação permite o reencontro com a sensação saudável de fome. A maior parte dos adultos deixou de compreender a diferença entre a fome real e os seus apetites (habitualmente gerados por deficiências nutricionais, e digestão e assimilação desajustadas). Quando estamos realmente com fome, podemos descobrir que o corpo tem mais probabilidade de desejar alimentos saudáveis e ricos em nutrientes. Os desejos por coisas pouco saudáveis são mais frequentemente provenientes da fome emocional ou adição alimentar.

 

Existem três tipos de corpos ayurvédicos – Vata, Pitta, e Kapha que carecem de uma aplicação ajustada do formato 16: 8.

 

As pessoas de constituição Kapha podem fazer jejuns mais prolongados, para além das 16 horas, já que eles digerem um pouco mais devagar. Os tipos Vata podem precisar comer um pouco mais cedo, com um intervalo de apenas 14 horas que pode funcionar melhor para eles. Os tipos Pitta provavelmente descobrirão que 16: 8 é simplesmente perfeito.

 

VEJA TAMBÉM: CATIVAR OS DOSHAS: VATA, PITTA E KAPHA NA RELAÇÃO

 

O ciclo do jejum intermitente

O almoço deve voltar a ser a principal refeição do dia. Ao meio dia o Sol está no pino, e o nosso fogo digestivo, o Jatharagni, também, potenciando a nossa capacidade de digerir alimentos mais pesados e complexos como as proteínas. É importante manter o prazer da refeição, já que as dietas excessivamente restritivas raramente são duráveis. Basta que seja tomada uma atenção cuidada à escolha dos alimentos, e procurarmos ajustar a dieta à nossa constituição para obtermos um maior equilíbrio.

 

O jantar deve idealmente acontecer por voltas 17h30. Se a forme surgir depois desse horário, é importante darmos preferência por sopas, sumos de fruta, eventualmente uma salada – refeições à base de água.

 

É também importante mantermos a atenção sobre o tamanho das nossas refeições. Ouvirmos o nosso corpo em relação à quantidade de alimento que colocamos no prato. Quando sobrecarregamos no nosso sistema repetidamente, diminuímos a capacidade de descanso do nosso corpo. Contudo, quando encontramos descanso entre as refeições, isso resulta numa sensação de descanso na mente e nas emoções, bem como no estômago.

 

Encontrarmos e reconhecermos o nosso lado faminto, a nossa fome emocional, começarmos a conhecer esse nosso lado, permite-nos avançarmos para uma mudança e um ajuste para as reais e saudáveis necessidades do nosso corpo.

 

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