Home»VIDA»ALTERNATIVAS»Jejum: a reprogramação e purificação do corpo na Ayurveda

Jejum: a reprogramação e purificação do corpo na Ayurveda

Antes de se iniciar um jejum, precisamos de ter em conta a nossa constituição individual. A realização de um jejum efetuado sem ter em consideração a constituição pode gerar efeitos prejudiciais e indesejáveis.

Pinterest Google+
PUB

Durante o jejum

Enquanto o sistema digestivo descansa é importante evitar forçar o Agni. Durante o jejum, o fogo digestivo inflama-se e, como há ausência de comida para digerir, o agni elimina lentamente as toxinas renitentes que estão nos intestinos.

 

A Ayurveda ensina que durante um jejum determinadas ervas como o gengibre, a pimenta-preta, a pimenta-caiena e o caril, que possuem um valor medicinal devido aos seus atributos picantes, condimentados, podem ser usadas para ajudar a neutralizar as toxinas do sistema. Se essas ervas forem tomadas na forma de chá, ajudarão a inflamar o Agni, que por sua vez queimará as toxinas.

 

O período recomendado para um jejum de cura é de sete a quarenta dias. Sete dias são o tempo mínimo necessário para limpar o organismo dos efeitos imediatos dos outros alimentos: três dias para concluir a digestão, outros três dias para limpar a corrente sanguínea das substâncias químicas, e um sétimo dia para permitir que o organismo alcance o equilíbrio.

 

VEJA TAMBÉM: CRAVINHO NA AYURVEDA: A FLOR QUE ACALMA A DOR

 

A duração ideal é de 21 a quarenta dias. Jejuar durante esse período de tempo para além de limpar o organismo, também dá ao aparelho digestivo tempo suficiente para recuperar dos danos infligidos por maus hábitos alimentares, excesso de álcool, descarga sexual excessiva, estilo de vida irregular e doenças crónicas como a gastrite e a indigestão.

 

Para assegurar maiores benefícios do jejum, devem observar-se vários princípios gerais:

 

– Evitar ingerir qualquer outro alimento para alem do item único selecionado para o jejum;

– Comer a intervalos regulares;

– Evitar fazer refeições apressadas, pois esse hábito prejudica a química do corpo. Em vez disso, antes de ingerir o alimento ou o líquido, fazer uma pausa para relembrar o propósito da disciplina. E então fazer uma refeição com calma, dedicando uma atenção plena ao ato de comer;

– Nenhum tipo de droga deve ser admitido no organismo, nem mesmo o tabaco. A ingestão de drogas vai contra o propósito do jejum, que é o de restaurar o equilíbrio químico no organismo;

– Depois do terceiro dia, devem evitar-se exposições a mudanças bruscas de temperatura. O organismo tornou-se extremamente sensível e, depois desse estágio, torna-se bastante difícil tratar uma constipação ou infeção porque nenhum alimento sólido pode ser ingerido.

– Depois do terceiro dia, deve-se evitar erguer objetos que pesem mais do que 4 ½ quilos. Normalmente, o alimento presente no sistema digestivo providencia um amortecedor para os músculos abdominais e torácicos utilizados na respiração; contudo, após alguns dias de jejum, esse amortecedor desaparece, e a musculatura é obrigada a suportar sem ajuda todo o atrito e força. Levantar pesos nestas condições pode provocar sérias distensões musculares, e até mesmo hérnias. Ao mesmo tempo, essa mesma vacuidade do sistema digestivo faz com que os músculos respiratórios trabalhem mais, dando-lhes assim uma força renovada para dissipar velhos padrões. O jejum oferece um excelente método de desenvolver padrões respiratórios novos e mais eficazes;

– A sensação de fraqueza e vertigem podem surgir à medida que o jejum prossegue, causadas pela redução de açúcar no sangue. Para compensar esse problema, a pessoa pode ingerir pequenas quantidades de açúcar grosso ou mel – a ingestão total deve manter-se dentro das duas ou três colheres de sopa por dia;

– Toda a atividade física vigorosa, incluindo o contacto sexual, deve ser evitado. O equilíbrio sistémico torna-se extremamente delicado durante o jejum prolongado, e qualquer esforço que exija um gasto súbito de energia pode destruir a harmonia do corpo e causar sérios distúrbios.

– O vigor e a energia físicos devem ser observados; se notar que arrefeceram, o jejum deve ser interrompido.

 

A dieta de retorno

O retorno do jejum é mais crucial que o próprio período de jejum. Durante esse período de retorno, uma regra fundamental deve ser observada: sair de um jejum leva o mesmo tempo da sua duração. Ou seja, se uma pessoa jejuou por sete dias, deveria ampliar gradualmente a sua dieta, retornando à ingestão normal após esses sete dias completos.

 

O propósito do jejum é purificar e curar o organismo. Com o processo de limitar a ingestão de alimentos a um único item de fácil digestão, o trato intestinal rejuvenesce, substituindo os tecidos velhos e gastos, por tecidos novos e sadios. Esse tecido recém-formado é extremamente delicado e sensível, e precisa de ser tratado de modo conveniente.

 

Depois de um jejum em que se deixou de ingerir alimentos sólidos, a pessoa deveria esperar pelo menos o equivalente a ¼ da duração total do jejum, preparando o seu organismo para a ingestão de alimentos sólidos.

 

No primeiro dia de retorno do jejum, pode-se acrescentar um novo líquido à dieta. No caso do jejum de coalhada de iogurte, pode-se tomar um sumo de laranja ou limão com água morna, com uma pitada de pimenta-preta, e acrescentando, se desejarmos, uma colher de chá de mel. Este sumo pode ser tomado entre os copos de leite coalhado da manhã e da tarde.

 

No segundo dia, pode-se acrescentar outro copo de sumo com água, eliminando o segundo copo de leite coalhado. O primeiro copo de leite coalhado deve ser tomado diariamente até ao final do período de recuperação, e continua a ser a melhor bebida para começar o dia.

 

No final da primeira quarta parte do retorno, a pessoa pode começar a comer caldos ralos de legumes cozidos, como abóbora, tomate e vagens, ligeiramente temperados com sal, pimenta e gengibre.

 

O caldo deve abster-se de conter partículas sólidas, e deve ser quase transparente. Durante o restante dessa quarta parte, o caldo poderá vir a ser gradualmente engrossado. Os sumos e o leite coalhado deverão continuar a fazer parte da dieta.

 

Após a primeira refeição com o caldo, devemos tomar a atenção de nos deitarmos sobre o lado esquerdo durante uma hora. Essa posição abre a narina direita, o que auxilia muito o processo digestivo. O caldo constitui uma grande mudança na dieta, mudança essa que exige esforço do organismo para o processamento. Se a pessoa permanecer deitada sobre o lado esquerdo, o estômago tem uma ampla oportunidade de digerir o alimento, pois deixará de haver um desvio de energia para qualquer outra parte do corpo.

 

No entanto, é muito importante evitar dormir durante esse período de uma hora, pois do sono poderão resultar distúrbios gástricos; durante o sono as energias são desviadas para a cabeça, perturbando a digestão, e provocando a subida de gases à cabeça, que por seu turno causam tensão e ansiedade. Se a pessoa permanecer acordada as energias manter-se-ão concentradas no estômago. Durante o tempo do período de retorno, a pessoa deverá observar pelo menos trinta minutos de repouso nessa posição, após ingerir os alimentos.

 

É somente depois de chegar à metade do período de retorno que os alimentos sólidos serão gradualmente reintroduzidos na dieta. Ingerir apenas sopas muito ralas preparadas com hortaliças finamente raladas e bem cozidas. Abóbora, nabo, tomate, batata e alimentos de textura similar deveriam ser usados no início.

 

Durante os meses de Verão, pode ser praticada outra forma benéfica de jejum, seguindo-se uma dieta que consiste exclusivamente de uma única fruta ou hortaliça fresca, como o tomate, as uvas, a romã, a corgete, a pera ou o feijão. De modo geral, qualquer alimento fresco da estação é apropriado. A ideia principal é limitar as refeições apenas aos pratos feitos com o ingrediente escolhido, sempre preparado da maneira mais facilmente assimilada e assimilada pelo corpo. Nos casos em que é possível preparar alimentos sólidos e líquidos a partir do mesmo ingrediente, ambos devem ser ingeridos.

 

O propósito de jejuns dessa natureza é sintonizar o organismo com a temperatura e as condições atmosféricas presentes em dado período na região próxima. Ao longo do ano, conforme chegam as épocas das diferentes frutas e hortaliças, qualquer ingrediente pode ser selecionado, desde que seja plantado nas proximidades e esteja disponível fresco e amadurecido no pé. Esse ingrediente pode ser ingerido durante toda a sua época de amadurecimento. É importante ressalvar que a escolha do ingrediente deve também ter em conta a constituição da pessoa, e forma de a equilibrar.

 

A pessoa pode continuar essa prática ao longo da estação de crescimento, mudando de um ingrediente para outro à medida que as colheitas começam e acabam. O consumo de alimentos plantados no local sintoniza a pessoa com as vibrações da localidade onde se encontra. Além disso, essa prática livra o sistema digestivo de um esforço maior, aumentando a energia disponível para outras tarefas.

 

As frutas e hortaliças amadurecem segundo ciclos naturais e, durante os seus períodos de maturação, fornecem todos os nutrientes necessários ao organismo humano. É por essa razão que qualquer pessoa conseguirá obter benefícios da ingestão exclusiva de alimentos frescos e plantados na sua vizinhança. Esse é um princípio geral a ser seguido em todos os casos de doença.

 

Continua na próxima página…

Artigo anterior

Da arte natural à arte urbana: o outro lado da Serra da Estrela

Próximo artigo

De balões de festas a solas de calçado para crianças