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Já reparou que a culpa é sempre sua?

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Ou, mesmo que não seja, assume que sim! E quando chamam a sua atenção para esse facto, você ainda pede desculpa porque assume a culpa de incomodar muito as pessoas por ter esse péssimo hábito!

 

É desgastante, naturalmente, e não faz de si alguém melhor, pelo contrário, destrói o potencial que tenha. Os sentimentos têm a função de ajudar a perceber a importância das várias circunstâncias da vida, e a culpa é simplesmente inútil. Remete para uma postura infantil perante a vida, em que a pessoa desconsidera a opinião própria perante os outros, passando a olhar-se exclusivamente em função da avaliação externa: serei bom ou mau se fizer isto?

 

Cria uma autoimagem redutora, e uma atitude submissa sem meio termo e com ideais irrealistas, que tende a tornar-se cada vez mais punitiva com o passar do tempo porque os objetivos ideais nunca conseguem ser atingidos. Como a pessoa se foca na falha não consegue amadurecer porque não valoriza a aprendizagem da experiência.

 

A culpa mantém os adultos como crianças em ponto grande porque é um sentimento reminiscente da infância, uma fase de vida em que as ações têm um senão associado: as consequências vão depender da interpretação dos pais e não necessariamente das intenções da criança.

 

Há um agravante, que é o facto desses adultos, que são a autoridade, serem as relações afetivas e de sustento da criança. Para um ser muito pequenino, a ideia de falhar perante alguém de quem se é muito dependente pode tornar-se um pesadelo. As crianças para além de gostarem de afeto precisam de sentir que gostam delas, porque perder as relações de afeto é perder tudo o que é importante para as suas vidas.

 

Quanto mais rígidos e intolerantes forem os pais maior a probabilidade da criança começar a sentir medo de desiludir e sente culpa: o medo de falhar e perder o amor, a esperança de poder compensar pelo mau comportamento. É um sentimento diferente do sentido de responsabilidade.

 

Se, por um lado, temos uma postura infantil dependente da avaliação externa, por outro temos uma mentalidade baseada em valores próprios que resultam de um balanço espontâneo de prós e contras e da aceitação dos ganhos e perdas de cada decisão que se toma.

 

A culpa é uma espécie de sentimento cancerígeno, é corrosivo, contamina com o tempo e destrói a pessoa. É tão intensa e invasiva que cria a perceção de que perdendo aquele amor que agora se tem nunca mais será possível encontrar outros.

 

A libertação da culpa, crescer e ser autónomo tem um preço. É necessário abdicar de querer ser o menino bonito que nunca desilude para ser o adulto que assume quem é, que não tem que agradar a todos para ser feliz e que simplesmente se aceita como a pessoa que quer ser.

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