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Já pensou em comer insetos? A tendência chegou para ficar

Para a cultura ocidental, ainda é um pouco estranho falar sobre insetos comestíveis, mas a verdade é que estes trazem benefícios para a saúde, para o ambiente e podem ser a chave para a nossa alimentação no futuro. Com cada vez mais pessoas no mundo, há quem acredite que corremos o risco de não ter alimentos suficientes para todos. E os insetos podem ter um papel muito importante nesta equação. Falámos com a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas e com um produtor de insetos em Portugal para sabermos um pouco mais sobre esta tendência.

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Portugal não está alheio a esta nova realidade emergente. Devido a tudo isto, já existem várias portuguesas que estão a apostar na produção de insetos. Uma das empresas que está neste mercado é a Portugal Bugs. Esta empresa nasceu a partir de um projeto universitário na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Tudo começou com uma simples barra feita de farinha de inseto e que foi recentemente premiada. Chegou ao mundo dos negócios e desde então esta empresa já desenvolveu inúmeros produtos alimentares à base de insetos e também tem havido uma aposta na criação dos mesmos.

 

«Ambos os fundadores têm formação em engenharia alimentar e estamos cientes de que o aumento esperado para a população mundial irá colocar o setor agroalimentar que conhecemos atualmente sobre uma grande pressão, e essa pressão tornar-se-á insuportável caso não se encontrem alternativas proteicas mais sustentáveis. Desta forma acreditamos que os insetos vão desempenhar um papel importantíssimo, conseguindo fornecer à população não só uma alternativa proteica rica em nutrientes e aminoácidos essenciais, mas também vão conseguir fazer com que consigamos produzir proteína de forma mais sustentável, não utilizando diretamente os nossos recursos hídricos, bem como sendo capazes de reduzir a necessidade de se utilizar grandes áreas de exploração para se criar proteína», como explica Guilherme Pereiras, da Portugal Bugs, sobre a aposta no mercado dos insetos, que está cada vez mais em expansão.

 

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Já existem inúmeros produtos feitos com insetos (especialmente moídos) no mercado, mas a maioria das pessoas ainda desconhece a existência deste tipo de alimentos.  Para os europeus pode ser estranho o consumo dos mesmos, mas a verdade é que os europeus primitivos consumiam insetos. Este hábito foi perdido com os tempos e agora inúmeras empresas europeias pretendem recuperar esta tradição. E a reimplementação dos mesmos na alimentação europeia deverá ser feita através de patês, bolachas, massas, barras de proteínas, hambúrgueres ou bases de pizza.

 

E o que diz a lei?

Para os produtos feitos com insetos sejam comercializados, é necessário alterar a lei alimentar e alguns países já estão a alterar as suas leis para poderem ter estes alimentos nas prateleiras do supermercado. «De momento existe legislação que regula a colocação de insetos no mercado para alimentação humana, sendo necessário um inúmero número de testes para que seja demonstrado que os insetos não apresentam qualquer risco para o consumidor», diz Guilherme Pereiras sobre a lei que regula empresas como a Portugal Bugs, que tem sede em Matosinhos.

 

O Reg. 2283/15 da União Europeia, que data de 2015, regula os alimentos e as empresas que trabalham nesta área. Um dos artigos deste regulamento permite novos alimentos ou práticas alimentares, desde que estas não coloquem em causa a saúde humana. Mas para cada uma destas espécies é necessário um processo de avaliação que comprove que não são nocivos para a saúde humana. Só que este processo de autorização é moroso e pode não ser economicamente viável para as pequenas e médias empresas.

 

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«Neste preciso momento, a Portugal Bugs já tem uma unidade piloto para a produção de Tenebrio molitor, e esperamos que até ao final do ano já consigamos ter a nossa produção bastante automatizada. Para 2019, esperamos que o mercado já se encontre aberto para os nossos produtos alimentares, fazendo com que seja possível aumentarmos a nossa produção a nível industrial, e conseguirmos ter uma unidade de produção para as nossas alternativas alimentares», conta Guilherme Pereiras.

 

Empresas como a Portugal Bugs, e não só, praticam uma economia circular e apresentam um selo de sustentabilidade, pois aproveitam recursos que de uma outra forma acabariam em aterros e não teriam qualquer tipo de utilidade.

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